Gazeta de Portugal

Imprensa manifesta preocupação com buscas contra ex-secretário

Entidades de comunicação expressam contrariedade

As principais associações que representam a imprensa no Brasil divulgaram comunicado conjunto nesta terça-feira (11) manifestando inquietação com as buscas contra ex-secretário maranhense. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) alertam para riscos constitucionais nas operações realizadas contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do Estado do Maranhão.

O ex-secretário é identificado como fonte de informações do jornalista Luís Pablo, responsável pela publicação de dados sobre supostas irregularidades envolvendo veículos oficiais do Tribunal de Justiça estadual. As entidades ressaltam que as buscas contra ex-secretário violam princípios fundamentais de proteção ao jornalismo e ao exercício profissional da imprensa.

Contexto da operação e investigação

A operação contra o ex-secretário foi solicitada pela Polícia Federal e aprovada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com consentimento da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo as autoridades, Cutrim utilizou sua posição funcional para compilar informações e imagens de veículos que posteriormente foram divulgadas pela imprensa.

Os investigadores informaram que os dados foram obtidos mediante acesso a sistemas de controle restrito. Além disso, localizaram correspondência entre Luís Pablo e Diogo Lima, ex-secretário municipal de Urbanismo e Habitação de São Luís, além de uma transação bancária de R$ 100 mil ao jornalista.

Etapas anteriores da investigação

Em março deste ano, o próprio jornalista havia sido alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal. Na ocasião, agentes apreenderam seu dispositivo móvel e computador pessoal, ações que segundo as autoridades geraram evidências contra Cutrim e um profissional do direito ligado ao comunicador.

Apreensão de equipamentos

A confiscação do material tecnológico do jornalista forneceu subsídios para ampliar a investigação, incluindo evidências que fundamentaram posteriormente as buscas contra o ex-secretário maranhense.

Posicionamento das entidades

As associações profissionais condenam procedimentos que comprometem o sigilo jornalístico. Conforme expressa a nota oficial, "Ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedentes que ameaçam a liberdade de imprensa, amparada pela Constituição de 1988". As entidades fundamentam sua crítica no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que garante explicitamente a proteção do sigilo da fonte quando necessário para o exercício profissional jornalístico.

Os organismos representativos da imprensa reforçam que eventuais questionamentos sobre publicações deveriam ser solucionados por mecanismos previstos na legislação, como o direito de resposta e ações indenizatórias, não mediante operações que violem a confidencialidade profissional.

Implicações para o Estado Democrático

A manifestação conclui enfatizando que a violação do sigilo profissional e das fontes jornalísticas representa intimidação incompatível com os princípios do Estado Democrático de Direito. De acordo com as associações, procedimentos dessa natureza prejudicam o exercício livre do jornalismo e estabelecem precedentes perigosos para a atuação da imprensa independente no país.

As entidades sustentam que medidas que ameaçam a confidencialidade das fontes criam obstáculos ao trabalho investigativo legítimo, desestimulando fontes de informação de públicos interesse de colaborarem com profissionais da imprensa, o que compromete a capacidade de apuração e divulgação de assuntos relevantes para a sociedade.

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