Gazeta de Portugal

Brasil e EUA buscam negociação para evitar tarifas

Proposta conjunta para evitar tarifas

Representantes do setor produtivo de Brasil e Estados Unidos apresentaram, na quinta-feira (9), uma declaração conjunta solicitando a abertura de uma nova rodada de negociação de tarifas Brasil EUA. A iniciativa partiu da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e da U.S. Chamber of Commerce, em resposta à ameaça de imposição de tarifas adicionais ao comércio bilateral.

Os Estados Unidos argumentam que o Brasil adota práticas comerciais consideradas prejudiciais e propõem a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O prazo para que o governo americano tome sua decisão vence em 15 de julho, criando urgência nas tratativas entre os dois países.

Diálogo contínuo entre ministérios

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mantêm conversas técnicas permanentes com representantes da administração Donald Trump. O ministro Márcio Elias Rosa, responsável pelo Mdic, realizou encontro virtual com Jamieson Greer, representante do escritório comercial da Casa Branca, reforçando o compromisso do Brasil em manter negociações ativas.

Segundo o ministro, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que a delegação brasileira nunca abandone a mesa de negociações, demonstrando disposição permanente para o diálogo sobre as questões comerciais pendentes.

Audiências públicas e participação política

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) realizou audiências públicas para que empresas, associações comerciais e governos pudessem apresentar seus argumentos relativos às possíveis tarifas. Este órgão é responsável por formular a política comercial americana e possui autoridade para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio e recomendar medidas como a imposição de barreiras tarifárias.

Durante as audiências, o pré-candidato à Presidência pela sigla PL, senador Flávio Bolsonaro, participou e apresentou críticas direcionadas ao Supremo Tribunal Federal e ao governo Lula, inserindo aspectos políticos no debate comercial.

Estratégia de negociação em duas etapas

A proposta apresentada pela CNI, Amcham Brasil e U.S. Chamber of Commerce sugere uma abordagem estruturada em duas fases para a negociação de tarifas Brasil EUA. Na primeira etapa, ambos os governos deveriam concentrar esforços em questões comerciais mais imediatas, enquanto a segunda fase contemplaria oportunidades estratégicas de longo prazo.

As organizações argumentam que este modelo "incremental" permitiria fortalecer a confiança mútua, aumentar a competitividade das empresas e estabelecer fundações mais sólidas para uma cooperação econômica duradoura entre os dois países.

Prioridades imediatas de curto prazo

No primeiro momento das negociações, as entidades recomendam que os governos concentrem atenção em: ampliar o acesso a mercados para produtos relacionados à segurança energética, desenvolvimento de data centers e infraestrutura de inteligência artificial; aprofundar a cooperação regulatória nos setores automotivo, farmacêutico, saúde animal e dispositivos médicos; e acelerar o exame de patentes para reduzir o acervo de solicitações pendentes no Brasil, especialmente nas áreas de saúde e biofarmacêutico.

Também consta da agenda de curto prazo o fortalecimento do combate à pirataria de propriedade intelectual e o avanço na cooperação sobre minerais críticos, com inclusão de mapeamento geológico conjunto entre os países.

Agenda de longo prazo e benefícios mútuos

Em segundo momento, CNI, Amcham Brasil e U.S. Chamber of Commerce sugerem a inclusão de outras áreas estratégicas, como economia digital, descarbonização industrial e transportes. A declaração conjunta ressalta que o avanço desses temas através da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a gerar resultados mais duradouros e evitar efeitos adversos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.

Esta abordagem busca transformar a atual tensão comercial em oportunidade para construir uma parceria econômica mais robusta e mutuamente benéfica, afastando cenários de guerra comercial que prejudicariam ambas as economias.

⏱ 4 min de leitura · 👁 1 leituras Partilhar 𝕏 X f Facebook ✈ Telegram in LinkedIn

Continuar a ler