Caiado promete cortar emendas impositivas

Candidato apresenta plano fiscal na Avenida Paulista
O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) apresentou neste domingo (20) um ambicioso plano de contenção de despesas durante evento realizado na Avenida Paulista em São Paulo. O candidato à Presidência afirma que a eliminação das emendas parlamentares impositivas é apenas o primeiro passo de uma estratégia mais ampla para controlar os gastos governamentais e criar condições para a redução significativa da taxa de juros no Brasil.
Acompanhado pelo vice-presidenciável Gilberto Kassab, Caiado delineou medidas que incluem revisão de incentivos fiscais, auditoria de programas de governo e limitação de despesas em todos os poderes. O candidato argumenta que o endividamento público é a raiz dos problemas econômicos nacionais e que o combate a esse cenário depende de decisões estruturais imediatas.
Eliminação de emendas e controle de gastos
Dentre as principais propostas para reduzir despesas, Caiado destacou o corte de 100% das emendas parlamentares impositivas como prioridade absoluta. Essas emendas, que obrigam o governo a executar gastos determinados pelos parlamentares, representam um significativo volume de recursos que, segundo o candidato, poderia ser melhor alocado.
O presidenciável também anunciou a intenção de apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com vigência de 24 meses, estabelecendo como teto o crescimento máximo dos gastos governamentais em 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Essa medida buscaria criar um mecanismo automático de contenção de despesas para administrações futuras.
Revisão de incentivos fiscais
Na sequência das emendas parlamentares impositivas, Caiado citou a necessidade de revisar todos os incentivos fiscais concedidos ao longo dos anos no Brasil. O candidato acredita que muitos desses incentivos perderam sua efetividade original e consomem recursos públicos desnecessariamente, desviando investimentos de áreas prioritárias.
Auditoria com inteligência artificial
Uma das propostas inovadoras apresentadas envolve o uso de plataformas baseadas em inteligência artificial para auditar a distribuição de recursos em programas governamentais. Segundo Caiado, essa ferramenta permitirá identificar ineficiências, sobreposições e desvios, garantindo que cada real gasto cumpra sua função social.
Redução de gastos nos poderes
Caiado também propôs o corte de 25% dos gastos em todos os poderes e órgãos independentes do governo. Essa medida, segundo o candidato, demonstraria sua seriedade em reduzir despesas de forma equânime, aplicando os mesmos critérios ao Executivo, Legislativo, Judiciário e demais instituições autônomas.
O presidenciável enfatizou que essas medidas não representam ataques a nenhum segmento específico, mas uma necessária reorganização das prioridades fiscais do Estado brasileiro. Para ele, a responsabilidade fiscal é um pré-requisito para qualquer política econômica séria.
Impacto esperado nos juros e inflação
Conforme as projeções apresentadas por Caiado, a implementação desse pacote de medidas poderia resultar em uma redução da taxa de juros para aproximadamente 7%, bem como uma inflação entre 3,5% e 4%. Esses números, se concretizados, melhorariam significativamente o ambiente de negócios brasileiro.
O candidato argumenta que com juros menores e inflação controlada, os setores produtivos brasileiros ganhariam competitividade internacional, atraindo investimentos e gerando empregos. Essa dinâmica, segundo sua análise, criaria um círculo virtuoso de crescimento econômico sustentável.
Crítica ao modelo atual
Caiado atribui o cenário de juros elevados à falta de responsabilidade fiscal do governo atual. "A causa da taxa de juros alta é o governo irresponsável, que gasta mais do que pode", afirmou o candidato durante o evento. Para ele, a culpa não recai sobre o Banco Central, mas sobre as decisões de gastos anteriores.
O presidenciável reconhece a importância da independência do Banco Central, porém argumenta que a autoridade monetária apenas reage aos desequilíbrios fiscais criados pelos gastos governamentais excessivos. Nesse sentido, controlar despesas seria a forma mais eficaz de pressionar para baixo os juros praticados no país.
Agenda de segurança pública
Durante a entrevista, Caiado também abordou questões de segurança pública, propondo a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. O candidato criticou o governo do PT, alegando conivência com grupos criminosos, e afirmou que o Brasil possui capacidade estrutural para combater o crime organizado sem depender de decisões externas.
Essa abordagem integra a visão mais ampla de Caiado sobre governança responsável, que combina austeridade fiscal com segurança pública como pilares de uma administração efetiva. O candidato segue sua agenda de campanha reforçando mensagens de controle de gastos e ação contra criminalidade.
