Verificação: Romeu Zema na GloboNews

Entrevista de Romeu Zema ao g1 e GloboNews: Verificação das Principais Declarações
O candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, foi entrevistado pelo g1 e pela GloboNews na quinta-feira, dia 6 de agosto. A entrevista faz parte de uma série de conversas realizadas com os principais candidatos presidenciáveis, selecionados conforme a pesquisa Datafolha mais recente divulgada em 24 de julho. O encontro foi conduzido pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery nos novos estúdios da GloboNews, no Rio de Janeiro. A equipe de verificação de fatos analisou as principais declarações do candidato Romeu Zema para averiguar sua precisão e contextualização adequada.
Oito Anos de Gestão: Aferição das Afirmações Sobre o Governo
Afirmação 1: Governo sem Escândalos ou Corrupção
A declaração de Romeu Zema de que realizou "um governo de sete anos e meio sem nenhum escândalo, sem nenhuma corrupção" foi classificada como falsa. A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em 2025, revelou um esquema bilionário envolvendo corrupção na mineração em Minas Gerais que atingiu diretamente o alto escalão do governo Zema. Pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais e de patrimônio foram exonerados ou afastados de seus cargos após serem mencionados nas investigações. O inquérito aponta a existência de um grupo criminoso composto por empresários, delegados e políticos que subornavam servidores públicos para obter licenças ambientais. Este esquema permitia a exploração e o manuseio de minério de ferro em diferentes regiões, incluindo áreas próximas a unidades de preservação ambiental. Funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente foram alvo direto dessas práticas irregulares.
Afirmação 2: Transição de Déficit para Superávit Orçamentário
A declaração sobre a mudança de um déficit de 11 bilhões em 2018 para um superávit de 5 bilhões em 2024 foi verificada como verdadeira. Segundo o Balanço Geral do Estado divulgado no final de 2018 pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, o déficit orçamentário foi de aproximadamente 11,4 bilhões de reais. Em 2024, o resultado registrou um saldo positivo de 5,1 bilhões de reais, impulsionado por receitas extraordinárias obtidas com os acordos de Mariana e Brumadinho. Os números apresentados por Zema correspondem aos registros oficiais encontrados nos documentos governamentais.
Afirmação 3: Envolvimento de Entidades Privadas no Banco Master
A declaração sobre a não-participação de bancos e fundos privados no esquema do Banco Master foi classificada como "não é bem assim". Embora as investigações não mencionem o envolvimento de bancos privados ou fundos de pensão privados, empresas privadas aparecem nas apurações. A Reag Investimentos é um exemplo significativo, com fundos administrados pela gestora sendo utilizados em operações para inflar o patrimônio do Banco Master. João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da empresa, é investigado por operações envolvendo esses fundos, embora as defesas neguem irregularidades. Adicionalmente, a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebeu recursos através de operações complexas envolvendo Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master.
Questões Administrativas e Sociais
Afirmação 4: Problemas Herdados do Governo Anterior
A declaração sobre 240.000 servidores com nome sujo no SPC e Serasa devido ao não-repasse de empréstimos consignados do governo Pimentel foi verificada como verdadeira. Em maio de 2020, a Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o ex-governador Fernando Pimentel por crime de peculato em um suposto desvio de 855 milhões de reais. As investigações indicaram que o governo retinha dinheiro destinado a instituições financeiras privadas para pagar despesas do estado, afetando aproximadamente 260 mil servidores cujos nomes foram inscritos em cadastros de inadimplentes.
Afirmação 5: Investigações Dentro do Partido Novo
A declaração de que não possui ninguém do seu partido sendo investigado foi classificada como falsa. O deputado estadual Elizeu Nascimento, do Novo de Mato Grosso, foi alvo de operação em 30 de abril. Além disso, o ex-ministro do Meio Ambiente e candidato ao Senado Ricardo Salles, também do Novo, responde no Supremo Tribunal Federal à Ação Penal originada de investigações da Polícia Federal sobre esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais.
Afirmação 6: Criação de Empregos em Minas Gerais
A declaração sobre a criação de mais de 1 milhão de empregos foi verificada como verdadeira. Em 2018, a taxa de desemprego em Minas era de 10,8%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a taxa ficou em 5%, representando uma queda de 5,7 pontos percentuais. Considerando que Minas tem 16.627.121 pessoas com 15 anos ou mais, essa redução corresponde a aproximadamente 947.745 pessoas que deixaram a condição de desemprego.
Segurança, Meio Ambiente e Estrutura de Governo
Afirmação 7: Segurança de Barragens e Descaracterizações
A declaração sobre as ações após Brumadinho foi classificada como "não é bem assim". O rompimento da barragem B-I ocorreu em 25 de janeiro de 2019, no primeiro mês de gestão. Minas sancionou a Lei nº 23.291 em 25 de fevereiro de 2019, instituindo a Política Estadual de Segurança de Barragens. No entanto, parte das normas de segurança já existia antes de Brumadinho, como a Política Nacional criada em 2010. Além disso, o número de 18 barragens descomissionadas está desatualizado. De acordo com o painel do Ministério Público de Minas Gerais atualizado em 23 de julho de 2026, 23 estruturas foram descaracterizadas e 30 seguem em processo de descaracterização.
Afirmação 8: Multa Ambiental de Brumadinho
A declaração sobre a aplicação da "maior multa ambiental da história" foi classificada como "não é bem assim". A primeira multa estadual aplicada pela Semad contra a Samarco em Mariana foi de 112 milhões de reais em 18 de novembro de 2015. A multa inicial de Brumadinho não superou esse valor inicial. Posteriormente, o montante de 37 bilhões mencionado por Zema não se refere à multa em si, mas ao valor global do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho assinado em 4 de fevereiro de 2021, que envolveu múltiplas instituições além do governo estadual.
Afirmação 9: Presença de Mulheres em Postos de Comando
A declaração sobre Minas Gerais ser o único estado com mulheres ocupando os cargos de coronel do Corpo de Bombeiros, coronel da Polícia Militar e delegada geral da Polícia Civil foi verificada como verdadeira. Os cargos são ocupados por Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan, Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues e Letícia Baptista Gamboge Reis, respectivamente. A verificação consultou os comandos em todos os 26 estados e Distrito Federal, confirmando que nenhum outro ente federativo tem mulheres nesses três cargos simultane.
Afirmação 10: Processo Envolvendo Ministro Gilmar Mendes
A declaração sobre responder um processo de calúnia do ministro Gilmar Mendes foi verificada como verdadeira. O caso tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça e diz respeito a um vídeo postado por Zema no Instagram em 5 de março, no qual Gilmar Mendes e Dias Toffoli foram retratados de forma irônica através de fantoches em conteúdo sobre o Banco Master.
Afirmação 11: População em Áreas Controladas por Facções
A declaração sobre "60 milhões de brasileiros não morarem no Brasil, mas em áreas controladas pelo PCC e Comando Vermelho" foi verificada como verdadeira, com ressalvas numéricas. Pesquisa do Datafolha contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicada em maio estima que 68 milhões de brasileiros percebem a presença de grupos criminosos no seu bairro, equivalente a 41% da população. Estudo de Cambridge publicado em agosto apontou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivem em locais com regras impostas por facções criminosas.
Metodologia da Verificação
A verificação das declarações de Romeu Zema foi realizada pela equipe de Fato ou Fake, que analisou documentos oficiais, pesquisas de institutos especializados, inquéritos policiais e decisões judiciais. O processo envolveu consultoria junto a órgãos governamentais, instituições de pesquisa e bases de dados públicas para garantir a precisão das informações verificadas. As conclusões refletem o estado das investigações e dados públicos disponíveis até a data da entrevista.
