Lúcia Viveiros, pioneira na Câmara, falece aos 91 em Belém

Falecimento de Lúcia Viveiros marca fim de trajetória histórica
Lúcia Daltro Viveiros, reconhecida como primeira mulher deputada federal eleita pelo Pará e personalidade notável na história legislativa brasileira, faleceu no dia 11, em Belém, aos 91 anos. A família confirmou o falecimento, com o sepultamento realizado na data seguinte. A morte da política representa o encerramento de uma vida dedicada à representação parlamentar e à defesa dos direitos femininos no país.
De acordo com registros da Câmara dos Deputados, Lúcia Viveiros conquistou um lugar único na história do Parlamento brasileiro ao tornar-se a primeira mulher a presidir sessões da instituição, demonstrando sua relevância no cenário político nacional durante décadas de atuação.
Carreira política de duas décadas na esfera federal
A trajetória de Lúcia Viveiros na política foi marcada por elegibilidade em dois momentos distintos para o cargo de deputada federal. Sua primeira eleição ocorreu em 1979 pelo MDB, seguida por nova eleição em 1983 pelo PDS. Paralelamente à atuação federal, exerceu também dois mandatos na Assembleia Legislativa do Estado do Pará entre 1979 e 1987, consolidando sua presença política em diferentes níveis de representação.
Essa permanência consistente na vida pública demonstra o reconhecimento que recebia de seus eleitores e a importância que suas ações representavam para a população paraense durante o período de transição democrática do Brasil.
Atuação na defesa dos direitos das mulheres
Durante a década de 1970, Lúcia Viveiros dedicou-se intensamente à luta pela garantia e expansão dos direitos das mulheres brasileiras. Seu compromisso com a causa feminina materializou-se em 1975, quando fundou e presidiu a Legião da Mulher Paraense, entidade que se destacava por oferecer assistência jurídica e social às mulheres paraenses necessitadas.
A Legião da Mulher Paraense tornou-se uma instituição relevante no contexto do Pará, proporcionando apoio legal e serviços sociais em um período quando poucos recursos e estruturas existiam para apoiar mulheres enfrentando dificuldades. Esse trabalho reforçou a posição de Lúcia Viveiros como defensora de causes progressistas e preocupada com questões sociais.
Símbolo de ousadia no contexto social dos anos 70
Além de suas realizações políticas, Lúcia Viveiros tornou-se conhecida por um gesto considerado ousado para os padrões conservadores de Belém na década de 1970. Ela foi a primeira mulher a ingressar no plenário da Câmara dos Deputados utilizando calças compridas, atitude que desafiava as convenções sociais e os códigos de vestuário tradicionalmente impostos às mulheres naquele período.
Esse ato simbólico refletia sua postura independente e seu desejo de questionar normas estabelecidas, consolidando Lúcia Viveiros não apenas como política, mas como figura que representava transformação e progressismo na sociedade brasileira.
Múltiplas profissões e contribuições diversas
Lúcia Viveiros não se limitou exclusivamente à carreira política. Era também engenheira de formação, exercendo a profissão em projetos diversos. Além disso, trabalhou como professora universitária, transmitindo conhecimento às gerações subsequentes. Sua atuação como comunicadora no rádio e na televisão ampliou seu alcance junto ao público paraense, permitindo-lhe compartilhar suas ideias e mensagens políticas através de meios de comunicação de massa.
Essa versatilidade profissional demonstra a amplitude da contribuição que Lúcia Viveiros ofereceu à sociedade, não se restringindo a um único campo de atuação, mas buscando sempre expandir sua influência positiva em diferentes esferas.
Legado institucional reconhecido
Após seu falecimento, a Assembleia Legislativa do Estado do Pará emitiu nota manifestando pesar pela perda e reconhecendo o legado histórico deixado por Lúcia Viveiros. A instituição enfatizou sua importância como primeira deputada federal eleita pelo estado, sublinhando o impacto duradouro que sua vida e carreira tiveram para a política paraense e para a representação feminina nas estruturas de poder.
O reconhecimento institucional reafirma a importância de Lúcia Viveiros não apenas como figura histórica, mas como símbolo de persistência, inovação e compromisso com a transformação social que transcende as décadas e continua influenciando futuras gerações de políticos e cidadãos.
