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Suprema Corte dos EUA nega indenização a rastafári

Suprema Corte dos EUA nega indenização a rastafári
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/23/justica-dos-eua-barra-indenizacao-para-preso-que-deixou-cabelo-crescer-por-20-anos-e-foi-algemado-para-ter-a-cabeca-raspada.ghtml

Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre caso de rastafári

A Suprema Corte dos EUA proferiu sentença que impede um detento rastafári de obter indenização junto a funcionários penitenciários após sofrer intervenção forçada em seus cabelos durante encarceramento. A Suprema Corte dos EUA, em votação realizada na terça-feira (23), decidiu por maioria que Damon Landor não possui direito legal de processar agentes do sistema penitenciário individualmente para reparação financeira pelos danos sofridos.

O caso envolveu questões centrais sobre liberdade religiosa, direitos constitucionais e responsabilidade de funcionários públicos. A corte americana se pronunciou mediante votação apertada, refletindo divisões internas sobre interpretação de proteções legais federais.

O caso de Damon Landor e seus dreadlocks

Damon Landor mantinha seus cabelos em crescimento há quase duas décadas, desenvolvendo dreadlocks que chegavam até seus joelhos. Como membro da fé rastafári, considerava o comprimento e formato dos cabelos fundamentais para suas práticas religiosas. Em 2020, durante as três últimas semanas de sua sentença de cinco meses por posse de substâncias controladas, sua situação se alterou drasticamente no sistema carcerário da Luisiana.

Durante esse período de encarceramento, Landor apresentou aos agentes penitenciários uma cópia de decisão judicial datada de 2017. Esse documento legal garantia explicitamente aos rastafáris o direito de manter seus dreadlocks conforme suas convicções religiosas. Apesar dessa comprovação legal, a resposta foi negligente e desrespeitosa.

O incidente na penitenciária e violação de direitos

De acordo com registros oficiais do processo judicial, um agente penitenciário descartou a documentação judicial no lixo. Subsequentemente, Landor foi contido mediante algema a uma cadeira, momento em que seu cabelo foi inteiramente raspado contra sua vontade. O procedimento representava violação flagrante de suas práticas religiosas e direitos fundamentais.

O estado da Luisiana posteriormente reconheceu publicamente que o tratamento dispensado a Landor foi "antitético à liberdade religiosa". Essa admissão levou a mudanças significativas nas políticas institucionais sobre aparência e apresentação pessoal de detentos no sistema penitenciário estadual. Entretanto, reconhecer o erro não resultou em compensação ao prejudicado.

Decisão judicial e votação na Suprema Corte

Um tribunal de apelações havia classificado previamente o incidente como "escandaloso" em sua essência. Contudo, essa mesma corte determinou que Landor não possuía direito de processar individualmente os funcionários responsáveis para solicitar indenização pelos prejuízos sofridos.

A Suprema Corte dos EUA confirmou esse entendimento mediante votação de seis votos contra três. A maioria concordou com a argumentação do estado de que legislação federal não autoriza o ajuizamento de ações indenizatórias contra funcionários estaduais quando processados em sua capacidade individual. Os três ministros liberais da corte discordaram dessa interpretação, formando a minoria dissidente.

Significado religioso dos dreadlocks rastafáris

Os rastafáris mantêm uma tradição de deixar o cabelo crescer naturalmente em forma de dreadlocks como expressão fundamental de suas crenças espirituais. Essa prática religiosa surgiu originariamente na Jamaica e ganhou alcance mundial através da popularidade do músico Bob Marley, que abraçava e difundia a filosofia rastafári globalmente.

A manutenção dos dreadlocks não constitui simples preferência estética, mas representa vínculo direto com identidade religiosa e espiritual. Proibir ou remover forçadamente esses cabelos viola princípios básicos de liberdade religiosa e dignidade pessoal.

Implicações da decisão para direitos constitucionais

A decisão da Suprema Corte dos EUA estabelece precedente significativo sobre responsabilidade de funcionários públicos. Embora o estado tenha reconhecido a violação de liberdade religiosa e implementado correções nas políticas, a vítima não receberá compensação legal. Essa conclusão reflete tensão entre reconhecer direitos violados e estabelecer mecanismos práticos para reparação.

A votação apertada indica continuação de debates profundos sobre interpretação constitucional, especialmente envolvendo proteção de minorias religiosas no sistema de justiça criminal americano. Os ministros dissidentes argumentavam que reparações individuais representam componente essencial para garantir accountability e proteção real de direitos fundamentais.

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