Gazeta de Portugal

Senador Jaques Wagner recorre ao STF para anular operação da PF

Senador Jaques Wagner recorre ao STF para anular operação da PF
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/22/jaques-wagner-recorre-ao-stf-e-pede-anulacao-da-operacao-da-pf-que-teve-o-senador-como-um-dos-alvos.ghtml

Senador Jaques Wagner apresenta ação ao Supremo para anular operação da PF

O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado Federal e membro da bancada do PT pela Bahia, protocolou nesta segunda-feira (22) um recurso junto ao Supremo Tribunal Federal solicitando a anulação da decisão que permitiu buscas e apreensões em sua residência. A operação Polícia Federal foi executada na quinta-feira (18), sendo Wagner um dos principais investigados na 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça.

Acusações contra o senador e sua defesa

A Polícia Federal apontou que Jaques Wagner teria atuado para proteger interesses do Banco Master junto ao Congresso Nacional, recebendo em contrapartida diversas vantagens ilícitas. Entre os benefícios alegados estão um imóvel de luxo localizado em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, além de transferências bancárias destinadas a empresas vinculadas a membros da família do parlamentar. Também foi apreendido pela PF um montante de US$ 49 mil em dinheiro vivo descoberto em um endereço em Brasília relacionado ao senador.

A defesa jurídica de Jaques Wagner, representada pelo advogado Pablo Rodrigues, contesta veementemente as acusações, argumentando que existem "erros graves" que comprometem toda a ação investigativa. Segundo o posicionamento oficial da defesa, o senador jamais utilizou sua atuação no Congresso Nacional para beneficiar o Banco Master, afirmando que suas ações parlamentares demonstram o oposto.

Argumentação sobre atuação parlamentar

A defesa destaca que a única emenda de autoria de Jaques Wagner relacionada ao tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, tinha como objetivo estabelecer limites às taxas de juros e garantir proteção aos consumidores, justamente o inverso do que beneficiaria os interesses do Banco Master. Além disso, Wagner se posicionou publicamente contra a denominada "Emenda Master", proposta pelo senador Ciro Nogueira do Progressistas pelo Piauí, durante a discussão da Proposta de Emenda à Constituição que tratava da autonomia operacional do Banco Central.

Conforme consta no parecer do advogado, todos esses posicionamentos e ações do senador são registros públicos e verificáveis. O próprio relator da proposta, senador Plínio Valério do PSDB-AM, divulgou uma nota informando que jamais foi procurado pelo líder governista para debater qualquer assunto relacionado.

Explicações sobre recursos financeiros apreendidos

Quanto aos US$ 49 mil em espécie apreendidos em um endereço de Brasília vinculado ao senador, sua defesa sustenta que o dinheiro possui origem completamente lícita e comprovada. Conforme o documento assinado por Pablo Rodrigues, parte significativa desse montante é proveniente de diárias oficialmente declaradas e pagas pelo Senado Federal para missões internacionais, enquanto outra parcela foi adquirida através de operações oficiais junto a instituições financeiras, contando com registros regulares das transações.

A defesa reafirma que não existe nada a ser ocultado e destaca ainda que o Ministério Público Federal já havia considerado precipitada a apreensão desses bens, posição que corrobora o argumento de legalidade apresentado pelos advogados do senador.

Investigação sobre valores transferidos

A investigação conduzida pela Polícia Federal examina uma série de supostas vantagens indevidas, incluindo um imóvel em Salvador e a quantia de R$ 3,5 milhões. De acordo com as apurações, esse montante seria originário de transferência bancária realizada pela empresa "PKL One Participações S.A", dirigida por Andréa Lima Novaes (parente próxima de Augusto Lima) e integrada ao grupo empresarial do Banco Master/Credcesta, com destino à "BN Financeira Ltda.", companhia vinculada ao núcleo familiar de Jaques Wagner.

Evidências encontradas em aparelho celular de Augusto Lima, que seria enteado do senador, indicam mensagens onde Eduardo Mendonça Sodré Martins solicitava valores urgentes, afirmando: "Amanhã vence os boletos e são altos". Em resposta, Augusto Lima descreveu o cenário como "crítico" e atribuiu as dificuldades financeiras ao fracasso de uma operação entre o Banco Master e o Banco de Brasília.

Questão da ementa versus emenda

A defesa também levanta objeção técnica quanto à interpretação da PF sobre um documento parlamentar. Alega que aquilo que a instituição classificaria como emenda de Jaques Wagner à Medida Provisória do crédito consignado, originalmente assinada ainda durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, seria na realidade a ementa do próprio documento normativo.

É importante esclarecer a distinção: a ementa de um ato legal constitui um sumário conciso e expõe o objetivo central da medida; uma emenda apresentada em discussão no Congresso Nacional, por sua vez, destina-se a modificar, eliminar ou incluir disposições ao texto original, necessitando aprovação pelos legisladores responsáveis.

Segundo as conclusões da PF, a sugestão apresentada por Jaques Wagner ao texto, que originalmente ampliava a margem para concessão de empréstimos consignados a beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), produziria vantagens para o Banco Master. Contudo, a emenda de Wagner propunha estabelecer um limite máximo para juros cobrados em operações de crédito com desconto automático em folha, estipulando que "os juros para todas as modalidades de crédito consignado, independentemente do período de contratação, não poderão ultrapassar o limite de trezentos por cento da taxa média de juros dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI)".

Contexto da Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema de proporções bilionárias envolvendo fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. Além de Jaques Wagner, a PF também direcionou investigações para o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, que foi liquidado pelo Banco Central em fevereiro deste ano.

A defesa do senador expressa confiança de que o Supremo Tribunal Federal corrigirá os equívocos identificados e reafirma a tranquilidade do parlamentar em relação à legitimidade de sua conduta. Até o presente momento, a Polícia Federal não se pronunciou sobre as alegações específicas levantadas pela defesa de Jaques Wagner.

⏱ 6 min de leitura · 👁 1 leituras Partilhar 𝕏 X f Facebook ✈ Telegram in LinkedIn

Continuar a ler