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Quatro processos nos EUA que podem transformar as redes sociais

Quatro processos nos EUA que podem transformar as redes sociais
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/06/28/os-4-processos-judiciais-nos-eua-que-podem-mudar-a-forma-como-as-redes-sociais-operam.ghtml

Redes sociais enfrentam onda de processos que pode redefinir seu funcionamento

Os processos judiciais contra as principais plataformas de redes sociais nos Estados Unidos representam um momento crucial para a indústria. Meta, Google, TikTok, Snapchat e outras empresas estão envolvidas em litígios complexos que podem transformar radicalmente a forma como operam, especialmente no que diz respeito à proteção de menores de idade. Esses processos judiciais redes sociais não se limitam a indenizações financeiras, mas questionam os modelos de negócio fundamentais dessas gigantes tecnológicas.

Quando as plataformas de redes sociais emergiram há duas décadas, foram amplamente celebradas como inovações revolucionárias capazes de conectar pessoas de diferentes origens e democratizar o acesso à informação. Contudo, essa perspectiva otimista contrasta drasticamente com a realidade atual, onde milhares de ações judiciais acusam essas empresas de causar danos significativos, particularmente a crianças e adolescentes.

O cenário jurídico em transformação

Eric Talley, professor da Faculdade de Direito de Columbia e especialista em questões tecnológicas, afirma que esse contexto de intensa litigância vai muito além do escrutínio jurídico tradicional. Reguladores, legisladores e observadores políticos acompanham atentamente os resultados desses processos, reconhecendo seu potencial de influenciar a formulação de novas políticas e regulações. A forma como esses casos se desenrolam pode determinar o futuro da regulação digital em todo o país.

Alexis Shore Ingber, especialista em direito da comunicação pela Universidade de Syracuse, destaca que vivemos um ponto de inflexão crítico. Segundo ela, não é mais possível negar a existência de problemas graves com a segurança infantil nas plataformas digitais. Os casos em andamento representam marcos significativos que demonstram a seriedade das alegações contra essas empresas.

A maioria desses processos tramita em tribunais da Califórnia, sede das principais corporações de mídia social. Esse fato é particularmente relevante devido ao chamado "efeito Califórnia", fenômeno pelo qual mudanças legais e políticas implementadas no Estado frequentemente replicam-se em jurisdições por toda a nação.

Derrotas significativas em 2024

Este ano marcou momentos decisivos para as plataformas. Meta e YouTube sofreram uma derrota inédita quando um júri condenou ambas as empresas a pagar seis milhões de dólares (aproximadamente 31 milhões de reais) a uma jovem que alegou ter desenvolvido vício em mídias sociais durante a infância, resultando em problemas significativos de saúde mental e emocional. Ambas as corporações anunciaram planos de recorrer da sentença.

Além disso, a Meta enfrentou uma derrota adicional em caso movido pelo procurador-geral do Novo México. O estado acusou a empresa de enganar o público ao afirmar que suas plataformas eram seguras para crianças, apesar de conhecer problemas comprovados de exploração sexual de menores em suas redes. A empresa anunciou sua intenção de recorrer dessa decisão também.

Litígio dos distritos escolares: O caso mais abrangente

Um dos processos mais amplos envolve mais de mil distritos escolares em toda a Califórnia. Este litígio multidistrital acusa Instagram, YouTube, Snapchat e TikTok de serem intencionalmente projetados para criar dependência, prejudicando o bem-estar mental e emocional das crianças através do uso excessivo.

As escolas argumentam que os efeitos nocivos das mídias sociais lhes impuseram custos financeiros consideráveis e consumiram recursos significativos. Segundo suas alegações, as plataformas devem ser consideradas um "incômodo público" e responsabilizadas pelos impactos negativos na saúde mental dos menores.

Embora julgamentos com júri estejam marcados para começar em fevereiro de 2025, especialistas estimam que a resolução completa de todos os casos pode levar vários anos adicionais. Uma derrota para as plataformas nesse caso poderia resultar em mudanças fundamentais, desde como as empresas exibem métricas de engajamento até quem é permitido acessar essas plataformas.

O YouTube afirmou que as alegações "simplesmente não são verdadeiras", enquanto o Snapchat discordou fundamentalmente das acusações, negando que direcionem crianças ou escolas. A Meta recusou-se a comentar, e o TikTok não respondeu às solicitações de declaração.

Questão de privacidade infantil com 29 estados

Advogados da Califórnia e Colorado lideraram um grupo de 29 estados em ação judicial contra a Meta em 2023, com julgamento marcado para agosto. Os estados acusam a empresa de violar a Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças (COPPA), regulamentação federal promulgada em 2000.

A COPPA foi especificamente criada para proteger crianças menores de 13 anos contra segmentação comercial de empresas operando na internet. Os estados exigem que a Meta implemente mecanismos de controle mais robustos para impedir que menores de idade acessem suas plataformas e remova dados previamente coletados de usuários menores.

Essa ação é particularmente significativa porque a Meta utiliza esses dados para práticas comerciais críticas, incluindo segmentação de anúncios e treinamento de sistemas de inteligência artificial. A Meta forneceu mais de dois milhões de documentos relacionados a este processo, demonstrando a amplitude da investigação.

Caso de aliciamento: Roblox e Discord sob pressão

Um menor de idade não identificado moveu ação contra Roblox e Discord em tribunal estadual em San Mateo, Califórnia. O jovem alega ter sido aliciado por predador sexual através de ambas as plataformas, crime que resultou na prisão do perpetrador por ofensas contra aproximadamente duas dúzias de crianças.

O processo argumenta que ambas as empresas implementaram designs deficientes e engajaram-se em marketing enganoso sobre segurança para usuários jovens. As alegações solicitam responsabilização pelos danos sofridos pelo menor. Embora Roblox e Discord tenham tentado remover o caso para arbitragem privada, o tribunal recusou. O caso aguarda atual mente decisão sobre recursos das empresas contra essa determinação.

Caso as plataformas percam seus recursos, o julgamento poderá ocorrer ainda em 2025. Uma sentença desfavorável poderia forçar mudanças significativas nas políticas de restrição de idade e nos protocolos que governam interações entre estranhos e usuários menores através de mensagens diretas e salas de chat.

O caso bilionário contra publicidade fraudulenta

Andrew Forrest, bilionário australiano, processou a Meta na Califórnia em 2022 pelo suposto fracasso em combater anúncios fraudulentos que enganaram australianos em investimentos falsos. Esses anúncios supostamente utilizavam seu nome e imagem sem autorização no Facebook.

As alegações incluem uso indevido de identidade e enriquecimento ilícito, uma vez que a Meta lucra com publicidade independentemente de sua legitimidade. Este caso pode ser um dos mais consequentes porque Forrest está desafiando a aplicabilidade da Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações como defesa para a Meta.

A Seção 230, promulgada em 1996, essencialmente concede imunidade legal às plataformas por atividades que ocorrem em seus servidores. Se um tribunal concordar com Forrest, poderia desmantelar décadas de proteção jurídica para plataformas online, com implicações transformadoras para toda a indústria tecnológica.

Perspectivas futuras e impacto esperado

Entre 2025 e 2026, Meta e outras grandes plataformas de mídia social enfrentarão múltiplos julgamentos envolvendo alegações de jovens usuários, pais, distritos escolares e procuradores estaduais. Esses processos judiciais redes sociais cumulativamente poderão forçar redesenhos fundamentais nas operações comerciais e modelos de negócio das gigantes tecnológicas.

Adam J. Schwartz, advogado e desenvolvedor de ferramentas online de revisão de documentos, identifica esses processos como "casos emblemáticos que definirão o tom para moldar a lei no futuro". Os veredictos e acordos resultantes provavelmente estabelecerão precedentes que orientarão regulação e legislação em jurisdições além dos Estados Unidos, influenciando como plataformas globais operam em todo o mundo.

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