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Trump anuncia tarifas e intensifica guerra comercial com Canadá

Trump anuncia tarifas e intensifica guerra comercial com Canadá
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Escalada das tensões comerciais entre EUA e Canadá

A guerra comercial Trump Canadá atingiu novo patamar neste domingo (23), quando o presidente norte-americano elevou significativamente o tom contra o país vizinho. A deterioração das relações ocorre após o fracasso das negociações comerciais que buscavam estabelecer um acordo bilateral mais favorável aos interesses americanos. A situação evidencia o quanto a guerra comercial Trump Canadá se intensificou nos últimos dias.

No sábado (22), o governo dos Estados Unidos ativou tarifas de 50% sobre produtos importados do Canadá, impactando aproximadamente US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) em mercadorias canadenses. Esta decisão ocorreu após as negociações não resultarem em um acordo que, na perspectiva americana, teria reduzido substancialmente as tarifas e criado condições mais favoráveis para o acesso ao mercado dos Estados Unidos.

Resposta canadense à imposição de tarifas

Em resposta direta à medida americana, o primeiro-ministro canadense Mark Carney anunciou tarifas de retaliação sobre produtos americanos com implementação programada para 8 de setembro. Carney adotou um tom desafiador ao comunicar a decisão, afirmando que o Canadá estava em posição de guerra após ser atacado comercialmente pelos Estados Unidos.

O premiê canadense declarou que nos próximos dias divulgaria detalhes dessas novas medidas tarifárias, com aplicação dólar por dólar em relação aos produtos americanos. Esta abordagem representa uma resposta proporcional à estratégia de Trump, demonstrando que o Canadá não pretende aceitar passivamente a imposição unilateral de barreiras comerciais.

Cronologia da negociação e seu colapso

As negociações comerciais entre os dois países seguiram um trajeto tumultuado. Na terça-feira (18), Trump havia suspendido temporariamente a aplicação das tarifas de 50% pelo período de três dias, alegando que ambos os países tinham alcançado um entendimento preliminar promissor. O primeiro-ministro canadense confirmou na ocasião que havia progressos substanciais nas conversas.

Porém, esta trégua mostrou-se breve. As negociações colapsaram na noite de sexta-feira (21), levando à entrada em vigor das tarifas americanas à 0h01 de sábado (22), no horário de Washington. Este desenvolvimento abrupto transformou esperanças de acordo em confronto comercial aberto.

Críticas de Trump ao Canadá

Na plataforma Truth Social, Trump expressou sua frustração com posição canadense através de mensagem agressiva. O presidente americano afirmou que o Canadá queria desfrutar benefícios de ser um estado sem sê-lo completamente. Criticou também o sistema tarifário canadense, acusando o país de cobrar enormes quantias em tarifas dos agricultores americanos durante muitos anos, justificando sua decisão como reação às práticas comerciais desleais.

Posicionamento da administração Trump

Sean Duffy, secretário dos Transportes dos Estados Unidos, reforçou a mensagem do presidente em entrevista ao programa Fox News Sunday. Duffy caracterizou como insensata a perspectiva canadense de entrar em conflito comercial com Donald Trump, sugerindo que o Canadá não teria capacidade para vencer uma guerra contra os Estados Unidos.

Razões do fracasso das negociações

Segundo Mark Carney, os avanços obtidos durante as negociações não foram suficientes para atender aos objetivos estratégicos do Canadá. O premiê ressaltou que Washington tentou incluir cláusulas que limitariam significativamente a capacidade canadense de negociar acordos comerciais futuros com outros parceiros internacionais.

As negociações abrangeram numerosos pontos de divergência, refletindo a complexidade das relações comerciais bilaterais. Tarifas sobre automóveis, aço e alumínio figuraram entre os temas centrais, assim como o acesso ao mercado canadense de leite, aves e ovos. Também foram discutidas questões de compras governamentais, bebidas alcoólicas, serviços digitais, propriedade intelectual, agricultura, trabalho forçado, energia e políticas de preços de medicamentos.

Questões culturais e linguísticas em disputa

Carney destacou que algumas exigências americanas representariam ameaça direta à língua francesa e à identidade cultural de Quebec. Entre os temas controversos estavam subsídios à produção cultural francófona, a obrigação de presença de meios de comunicação em francês nas plataformas digitais e a necessidade de rotulagem bilíngue de produtos comercializados no Canadá.

Vulnerabilidade econômica do Canadá

A escalada comercial coloca o Canadá em posição particularmente delicada, considerando que aproximadamente 70% das exportações canadenses têm como destino o mercado americano. Esta dependência econômica limita as opções de retaliação e amplifica os riscos para a economia canadense. A disputa comercial também ameaça o futuro do acordo trilateral que envolve Estados Unidos, Canadá e México.

Principais pontos de discordância comercial

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) identificou em seu relatório de 2026 sobre o Canadá múltiplas áreas de conflito. Os críticos americanos apontam para o sistema canadense de controle de produção de leite, aves e ovos, que estabelece limites de produção e cotas de importação consideradas restritivas.

Washington também contesta a iniciativa Buy Canadian, que oferece prioridade a empresas canadenses e ao uso de materiais produzidos internamente em grandes contratos públicos. Questiona ainda o controle da distribuição de bebidas alcoólicas por órgãos públicos provinciais, argumentando que cria barreiras relacionadas a produtos, preços e regras de distribuição.

Adicionalmente, os Estados Unidos acompanham o imposto canadense sobre serviços digitais cobrado de grandes empresas de tecnologia e contestam regras que exigem contribuições financeiras de plataformas de streaming para o sistema de radiodifusão canadense. O sistema canadense de registro de sementes também é criticado por ser lento e burocrático, dificultando a entrada de sementes e grãos americanos no mercado canadense.

Perspectivas futuras

A disputa marca deterioração significativa nas relações comerciais entre os dois países do continente americano, com consequências potencialmente amplas para o comércio regional. A situação permanece em evolução, com ambos os lados adotando posturas inflexíveis que sugerem prolongamento do conflito nos próximos períodos.

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