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Tamara Klink se retrata após pedir não comprem livro

Tamara Klink se retrata após pedir não comprem livro
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Navegadora Tamara Klink reverte declaração sobre seu livro

A reconhecida navegadora e autora Tamara Klink modificou sua posição neste domingo (9) em relação ao livro "Bom Dia, Inverno", após enfrentar críticas generalizadas de profissionais do setor editorial. A retratação de Tamara Klink ocorreu através de manifestação nas redes sociais, onde reconheceu falhas em sua análise anterior.

Em comunicado direto aos seguidores, a escritora expressou remorso pela recomendação inicial: "Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores. Pequenos, grandes e independentes. Sou leitora antes de ser autora e não levei em conta toda a cadeia que alimenta as editoras", confessou na publicação.

Motivação inicial da recomendação questionável

Anteriormente, Tamara Klink havia incentivado o público a buscar alternativas ao invés de adquirir novos exemplares da obra. A navegadora sugeriu que leitores recorressem a empréstimos em bibliotecas, compartilhamento entre familiares e colegas de trabalho, bem como doações de livros usados.

A autora fundamentava sua posição em preocupações ambientais. Argumentava que a produção em larga escala de exemplares físicos demandava considerável consumo de papel e energia elétrica, resultando no aumento de emissões de gases poluentes na atmosfera.

"Se vocês puderem, se vocês têm acesso a uma biblioteca, pessoas da família, colegas do trabalho, façam os livros circularem", havia orientado inicialmente.

Repercussão negativa e reações do mercado

A declaração de Tamara Klink gerou imediata resposta crítica de jornalistas, escritores e profissionais do mercado literário brasileiro. Diversos nomes do setor ressaltaram as vulnerabilidades econômicas enfrentadas por autores e pequenas editoras no país, questionando o impacto prejudicial de tal recomendação.

Os críticos argumentavam que a posição desestimulava a compra de livros em um contexto já desafiador para a indústria editorial nacional, prejudicando especialmente profissionais que dependem das vendas para subsistência.

Reflexão e novo posicionamento

Após dois dias de repercussão intensa, Tamara Klink demonstrou mudança de perspectiva. Reconheceu a importância de diversos atores na engrenagem editorial, mencionando especificamente autores, editoras, livrarias, sebos e sistemas de bibliotecas como componentes essenciais do setor.

"Nesses dois dias soube de muita gente defendendo os livros, as editoras, os autores, as vendas, as bibliotecas, as livrarias, os sebos", escreveu na retratação pública.

Apesar de reverter sua recomendação anterior, Tamara mantém preocupações legítimas com sustentabilidade ambiental. Continuou ressaltando em publicações subsequentes que a fabricação de cada exemplar físico envolve consumo significativo de recursos naturais e energia.

Detalhes da obra que gerou controvérsia

O livro "Bom Dia, Inverno" foi lançado em maio e documenta uma experiência extraordinária vivida pela autora. A obra relata oito meses de permanência isolada no Ártico, entre outubro de 2023 e maio de 2024, quando Tamara Klink navegou solitariamente em um veleiro nas águas geladas da Groenlândia.

Durante este período de isolamento extremo, a navegadora manteve comunicação mínima com o mundo exterior. O livro combina narrativa de preparação para a expedição com descrições detalhadas dos meses passados em condições de isolamento na região polar, representando feito notável na história de explorações árticas.

Desempenho comercial impressionante

"Bom Dia, Inverno" conquistou posição privilegiada nas listas de mais vendidos nacionais. Na plataforma Amazon, a obra alcançou a terceira posição entre os títulos mais procurados, ficando atrás apenas de "A Metamorfose" de Franz Kafka e "Vidas Secas" de Graciliano Ramos.

Segundo informações fornecidas pela própria Tamara Klink, o livro mantinha-se entre as obras mais vendidas do país havia três meses consecutivos quando ela formulou a recomendação polêmica para evitar novas aquisições. Este contexto de sucesso comercial tornou sua declaração ainda mais controversa aos olhos da comunidade editorial.

A situação ilustra a tensão contemporânea entre preocupações ambientais legítimas e a viabilidade econômica do setor de publicações no Brasil, revelando necessidade de diálogo construtivo entre escritores, editoras e consumidores sobre sustentabilidade na indústria literária.

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