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Rússia auxilia Irã em desenvolvimento de mísseis supersônicos

Rússia auxilia Irã em desenvolvimento de mísseis supersônicos
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Colaboração secreta em programa de armamento avançado

Uma investigação do renomado jornal britânico Financial Times divulgada na terça-feira (1º) expõe um programa encoberto através do qual a Rússia fornece assistência técnica ao Irã para a criação de mísseis supersônicos de última geração. A iniciativa envolve um conjunto de especialistas russos na área de propulsão de mísseis e empresas estatais vinculadas ao complexo industrial-militar russo, representando um avanço significativo nas capacidades bélicas iranianas.

O programa de mísseis supersônicos teve seu ponto de partida em 2023, conforme apurado pela investigação jornalística. Desde então, centenas de profissionais e instituições especializadas têm participado do desenvolvimento de tecnologias críticas para o aprimoramento do arsenal militar iraniano, especialmente aquelas relacionadas a sistemas de propulsão revolucionários.

Tecnologia ramjet como foco central da parceria

O cerne dessa colaboração reside no desenvolvimento de um sistema de propulsão denominado "ramjet", uma tecnologia sofisticada que permite ao míssil manter velocidades várias vezes superiores à barreira sonora. Essa capacidade representa um salto qualitativo significativo nas armas aéreas iranianas, proporcionando vantagens operacionais e defensivas em cenários de confronto regional.

Especialistas em sistemas de mísseis e questões de segurança internacional consultados pelo Financial Times indicam que a tecnologia ramjet será integrada em mísseis de cruzeiro com capacidade de ataque tanto a alvos navais quanto a objetivos terrestres. A aplicação prática desses armamentos poderia colocar em risco frotas navais americanas posicionadas no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã, incluindo porta-aviões e navios de combate de grande porte.

Evidências e investigação jornalística

A publicação do Financial Times baseou-se em múltiplas fontes e evidências concretas para fundamentar suas alegações. O jornal utilizou correspondências diplomáticas russas que foram expostas publicamente, registros de deslocamentos de pessoal especializado entre os países, além de análises detalhadas de patentes registradas no setor militar russo. Essa triangulação de dados permitiu mapear com clareza a dimensão e cronologia da cooperação bilateral.

Notavelmente, as atividades de desenvolvimento dos mísseis supersônicos persistiram durante todo o período de escalada das hostilidades entre Irã e Israel que teve início no ano anterior. Essa continuidade demonstra o caráter prioritário do projeto para ambas as nações envolvidas na parceria, independentemente da volatilidade das dinâmicas de conflito regional.

Contexto de suspeitas anteriores sobre cooperação militar

Essa revelação não constitui a primeira indicação de colaboração militar entre Moscou e Teerã. Em julho do corrente ano, a agência de notícias Reuters reportou que agências de inteligência americanas investigavam possível transferência de tecnologia russa relativa a sistemas de direcionamento de tiro e componentes avançados para plataformas de drones iranianos. Esses equipamentos teria sido utilizados em operações ofensivas contra instalações da Agência Central de Inteligência (CIA) em várias regiões do Oriente Médio.

Relatos anteriores confirmados por autoridades governamentais dos Estados Unidos mencionam que a Rússia forneceu informações de orientação de tiro e apoio operacional ao Irã em campanhas ofensivas direcionadas contra instalações militares e de inteligência americanas na zona do Golfo Pérsico e adjacências. Esses ataques, de acordo com comunicados das autoridades ocidentais na época, ocorreram durante o mês de março e incluíram operações contra uma estação da CIA integrada à embaixada americana localizada em Riad, capital da Arábia Saudita, bem como outra unidade posicionada no território iraquiano.

Drones aprimorados e potencial ofensivo crescente

Duas fontes do governo ocidental declararam à Reuters que analistas de inteligência acreditavam que o ataque perpetrado contra objetivo na Arábia Saudita havia empregado duas variantes melhoradas dos sistemas de drones iranianos modelo Shahed, que teriam recebido upgrades tecnológicos realizados por engenheiros e técnicos russos. Essa modernização representaria aumento significativo na efetividade operacional dessas plataformas autônomas.

A progressão desse padrão de colaboração, que iniciou com o aprimoramento de drones e agora inclui mísseis supersônicos avançados, indica uma trajetória de aprofundamento das relações militares entre Rússia e Irã. Tal desenvolvimento tende a intensificar preocupações entre potências ocidentais e aliados regionais acerca do equilíbrio de forças no Oriente Médio.

Implicações para o cenário geopolítico regional

A consolidação de programas de armamento de natureza tão sensível representa um marco expressivo na reconfiguração das alianças e capacidades militares na região. A transferência de conhecimento tecnológico de ponta para sistemas de mísseis supersônicos posiciona o Irã em patamar superiormente mais competitivo em eventuais confrontações militares, alterando significativamente as condições de segurança estabelecidas.

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