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Primeira inscrição alfanumérica: CNPJ com letras é realidade

Primeira inscrição alfanumérica: CNPJ com letras é realidade
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Primeira inscrição alfanumérica já foi emitida pela Receita

A Receita Federal oficializou na última sexta-feira (31) a emissão da primeira inscrição de CNPJ alfanumérico registrada no país. O documento foi atribuído a uma filial do Banco do Brasil S.A., identificada sob o número 00.000.000/E08G-12, marcando o início dessa nova era de identificação de pessoas jurídicas no Brasil.

Desde julho deste ano, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica iniciou sua transição para o formato alfanumérico, combinando letras (A a Z) e números (0 a 9) em um total de 14 caracteres. Essa transformação representa um passo significativo na modernização do sistema tributário brasileiro e na preparação da infraestrutura para futuras mudanças regulatórias.

Como funciona a nova estrutura do CNPJ alfanumérico

O novo CNPJ alfanumérico mantém a mesma quantidade de posições do formato anterior, porém com uma distribuição diferente. As oito primeiras posições identificam a raiz do número, utilizando letras e números combinados. As quatro posições seguintes representam a ordem do estabelecimento, também em formato alfanumérico. As duas últimas posições continuam sendo exclusivamente numéricas, correspondendo aos dígitos verificadores.

A estrutura visual permanece semelhante à atual, facilitando o reconhecimento imediato pelos contribuintes. A principal mudança está na composição interna, que agora permite uma quantidade significativamente maior de combinações possíveis. Segundo a Receita Federal, o sistema numérico anterior estava próximo de atingir seu limite máximo de combinações.

Por que a mudança era necessária

Com o crescimento contínuo do número de empresas e filiais registradas no Brasil, a Receita Federal identificou a necessidade de expandir a capacidade do sistema de identificação. A inclusão de letras amplia exponencialmente as possibilidades de combinações, garantindo a viabilidade da estrutura tributária a longo prazo sem necessidade de reformulações futuras.

Quem receberá CNPJ com letras

Apenas os novos registros solicitados a partir de julho receberão o CNPJ com letras. Isso inclui empresas recém-criadas, novas filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais que se inscrevam no cadastro nacional. Implementação será gradual e progressiva, conforme informado pela Instrução Normativa RFB nº 2.229.

As empresas já existentes mantêm seus CNPJs no formato exclusivamente numérico. Não há obrigatoriedade de alteração para contribuintes que já possuem inscrição, e nenhum procedimento adicional é requerido junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais.

Impactos para empresas e sistemas

Embora o procedimento de abertura de empresas permaneça inalterado, as organizações que trabalham com emissão de notas fiscais, controle tributário ou gestão de dados tributários precisarão realizar adaptações técnicas. Softwares de emissão de documentos fiscais, bancos de dados e rotinas internas devem ser atualizados para reconhecer e processar corretamente o novo formato.

A Receita Federal informou que disponibilizará ferramentas e rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa adaptação. Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato anterior quanto o novo, permitindo uma transição transparente para a maioria dos contribuintes.

Cálculo do Dígito Verificador

O Dígito Verificador continua sendo calculado pelo método do Módulo 11, porém adaptado para incluir letras. Cada caractere alfanumérico será convertido em valor numérico utilizando a tabela ASCII, subtraindo 48 do resultado. A letra A, por exemplo, corresponde a 65 na tabela ASCII, resultando em 17 para fins de cálculo (65 menos 48).

Relação com a reforma tributária

O CNPJ alfanumérico está inserido no contexto maior de modernização do sistema tributário brasileiro. A mudança prepara o caminho para implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que objetivam unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor.

Essa modernização contribui para facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais, automatizar processos como a recuperação de créditos tributários e integrar melhor os sistemas de arrecadação em nível federal, estadual e municipal.

Custos e orientações finais

As empresas que utilizam sistemas de gestão tributária devem se preparar para custos relacionados à atualização de softwares, especialmente aqueles dedicados à emissão de notas fiscais e gerenciamento de bases de dados. A Receita Federal oferece suporte técnico para facilitar essas implementações.

A implementação do CNPJ alfanumérico visa garantir a continuidade das políticas públicas, assegurar a disponibilidade de números de identificação para futuras gerações de empresas e evitar impactos técnicos significativos para a sociedade brasileira. A transição ocorre de forma planejada, respeitando os prazos estabelecidos pela autoridade tributária.

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