Gazeta de Portugal

PRE proíbe propaganda eleitoral em igrejas

PRE proíbe propaganda eleitoral em igrejas
Fonte: g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2018/07/23/pre-recomenda-que-igrejas-nao-promovam-propaganda-eleitoral-no-maranhao.ghtml

PRE recomenda abstenção de propaganda eleitoral em templos religiosos

A Procuradoria Regional Eleitoral no Maranhão (PRE-MA) formalizou recomendação direcionada aos capelães, dirigentes de entidades religiosas e diretórios de partidos políticos do estado. O comunicado orienta qualquer representante de liderança religiosa a não promover ou participar de atividades caracterizadas como propaganda eleitoral em favor de candidaturas específicas, particularmente nos espaços destinados ao culto.

Esta determinação surge como medida preventiva para garantir a integridade do processo eleitoral e evitar conflitos entre as normas eleitorais e as atividades religiosas. A propaganda eleitoral em igrejas representa uma preocupação central para os órgãos responsáveis pela fiscalização eleitoral.

Entendimento do Tribunal Superior Eleitoral

O documento se fundamenta no entendimento consolidado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reconhece a possibilidade de propaganda eleitoral em igrejas constituir abuso de poder econômico. Nessa perspectiva, a instituição religiosa que promove tal atividade pode estar utilizando seus recursos de forma irregular para beneficiar determinados candidatos.

Padres, sacerdotes, clérigos, pastores, ministros religiosos, presbíteros, epíscopos, abades, vigários, reverendos, bispos e demais representantes religiosos recebem a recomendação institucional. Cada um desses líderes espirituais é responsável pelo cumprimento das normas que regulam a propaganda eleitoral em igrejas, independentemente da denominação religiosa.

Consequências do desequilíbrio eleitoral

De acordo com o procurador regional eleitoral Pedro Henrique Castelo Branco, a utilização dos recursos dos templos religiosos para fins eleitorais gera desequilíbrio significativo nas chances de igualdade entre candidatos. Esse desnivelamento compromete a normalidade e a legitimidade do processo eleitoral como um todo.

Sanções previstas pela legislação

As consequências jurídicas de infrações relacionadas à propaganda eleitoral em igrejas podem ser severas. Candidatos beneficiados por esse tipo de atividade irregular correm risco de cassação do registro ou do diploma, caso sejam eleitos. Essa medida busca desestimular práticas que violem as regras que regem o financiamento e a promoção de campanhas eleitorais.

O risco de cassação posterior à eleição representa uma sanção administrativa grave, afastando o candidato do exercício do mandato conquistado. Portanto, a prevenção constitui a melhor estratégia para líderes religiosos e candidatos interessados em manter a legitimidade do processo.

Abrangência da recomendação da PRE

A recomendação abrange tanto os representantes religiosos quanto os diretórios estaduais de partidos políticos e as lideranças partidárias. Essa múltipla abrangência reconhece que a propaganda eleitoral em igrejas envolve responsabilidades compartilhadas entre diferentes atores políticos e religiosos.

Os diretórios estaduais recebem orientação para instruir seus filiados a respeitarem os espaços religiosos como ambientes neutros durante períodos eleitorais. Candidatos e militantes partidários devem estar cientes de que a utilização de templos para promover suas candidaturas ultrapassa os limites legais permitidos.

Importância da separação entre religião e política eleitoral

A orientação emitida pela Procuradoria Regional Eleitoral reforça um princípio fundamental nas democracias modernas: a separação entre espaços religiosos e atividades político-eleitorais. Essa distinção protege tanto a liberdade religiosa quanto a integridade do processo de votação.

Templos religiosos exercem função essencial nas comunidades, servindo como espaços de reflexão espiritual e acolhimento. Quando esses ambientes são utilizados para fins eleitorais, comprometem-se tanto sua natureza quanto sua credibilidade perante os fiéis. A recomendação da PRE visa preservar essa função primordial.

Portanto, a orientação reforça a necessidade de que propaganda eleitoral em igrejas seja completamente evitada, permitindo que as instituições religiosas mantenham sua independência e que o processo eleitoral se desenvolva em condições de equidade para todos os candidatos envolvidos.

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