Gazeta de Portugal

PF conclui por crime de calúnia de Bolsonaro contra Lula

PF conclui por crime de calúnia de Bolsonaro contra Lula
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/26/pf-conclui-que-flavio-bolsonaro-caluniou-lula-atribuindo-crimes-como-trafico-de-drogas-e-lavagem-de-dinheiro.ghtml

Investigação da Polícia Federal conclui por crime de calúnia

A Polícia Federal concluiu suas investigações e apresentou conclusão ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, cometeu crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A acusação fundamenta-se em postagem publicada na rede social X (antigo Twitter) em 3 de janeiro de 2026, na qual o parlamentar atribuiu falsamente ao chefe do Executivo federal diversos ilícitos.

Segundo o parecer da corporação policial, fica comprovado o cometimento do crime tipificado nos artigos 138 e 141, inciso I, e parágrafo 2º do Código Penal. A conclusão representa o encerramento dos trabalhos de investigação inicial, cabendo agora ao STF remeter a documentação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para as providências subsequentes.

Conteúdo da postagem investigada

A postagem que motivou a abertura do inquérito continha associação entre imagens do presidente Lula e do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, recentemente preso. Acompanhando as imagens, Flávio Bolsonaro publicou texto afirmando que o presidente brasileiro "será delatado". A Polícia Federal interpretou que o senador insinuava que Maduro realizaria a delação, e que os crimes mencionados subsequentemente na postagem seriam aqueles dos quais Lula seria acusado.

Na composição da mensagem, o parlamentar elencou diferentes tipos penais que, segundo sua afirmação, seriam praticados pelo presidente. A estrutura da postagem deixava implícita a associação entre Lula e os crimes descritos, configurando, conforme análise policial, falsa imputação de delitos.

Crimes atribuídos falsamente ao presidente

Conforme documento da Polícia Federal, a postagem do senador atribuiu a Lula a suposta prática dos seguintes crimes: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, e fraudes em eleições. Cada um desses delitos foi mencionado de forma explícita na sequência da publicação investigada.

A Polícia Federal destacou em seu parecer que a característica vexatória dessas falsas imputações reforça o caráter criminoso da conduta. A atribuição de crimes graves ao presidente, sem qualquer fundamentação ou apresentação de provas, configura, segundo a corporação, clara violação do tipo penal de calúnia.

Processo na Polícia Federal e origem da investigação

O inquérito foi aberto por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em abril de 2026. A decisão atendeu a pedido da própria Polícia Federal e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A PGR havia argumentado que a conduta apresentava "indícios concretos" de atividade criminosa, justificando a abertura de investigação formal.

Durante o desenvolvimento dos trabalhos investigativos, a corporação policial colheu evidências e análise de documentos que sustentam a conclusão de que houve, efetivamente, prática do crime de calúnia. O relatório final apresenta fundamentação jurídica baseada na legislação penal vigente.

Próximos passos e competência da PGR

Com a conclusão dos trabalhos da Polícia Federal, o processo será encaminhado para análise pela Procuradoria-Geral da República. A PGR possui competência para decidir sobre diferentes caminhos: solicitar diligências adicionais, requerer arquivamento do caso ou oferecer denúncia formal contra o senador Flávio Bolsonaro ao Poder Judiciário.

O encaminhamento do relatório para a instituição ministerial representa etapa crucial do processo penal, onde análise jurídica mais aprofundada determinará se será formalizada acusação. Caso a PGR decida pela apresentação de denúncia, o senador será formalmente acusado e o caso seguirá para julgamento conforme regras processuais aplicáveis.

Contexto político da investigação

A investigação de crime de calúnia envolve figura de relevância política significativa. Flávio Bolsonaro, como pré-candidato à Presidência da República, mantém posição destacada no cenário político nacional. A conclusão da Polícia Federal sobre a suposta prática de delito adquire, neste contexto, maior repercussão pública e política.

O caso reflete tensões políticas existentes entre a coligação encabeçada pelo presidente Lula e a oposição representada pelos Bolsonaro. As investigações em andamento envolvendo membros dessa família política demonstram dinâmica complexa do ambiente político brasileiro atual.

Detalhes técnicos da tipificação legal

Conforme análise da Polícia Federal, a conduta enquadra-se especificamente nos artigos que tratam da calúnia qualificada. A qualificação ocorre quando a falsa imputação de crime é feita de forma pública, através de meio que amplifica a mensagem. A utilização de rede social de alcance massivo constitui agravante reconhecido pela legislação penal.

A Polícia Federal ressaltou ainda que a postagem publicada no dia 3 de janeiro de 2026 apresentava características que tornavam evidente a intencionalidade da falsa atribuição de crimes ao presidente. Não se tratava, segundo conclusão da corporação, de manifestação de opinião política ou crítica legítima, mas de imputação deliberada de práticas criminosas sem qualquer substância factual.

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