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Meta testa robôs para operações em data centers

Meta testa robôs para operações em data centers
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Meta investe em robôs para data centers

A Meta, empresa de tecnologia liderada por Mark Zuckerberg, encontra-se em fase avançada de testes com robôs para executar operações de manutenção em seus data centers. Segundo reportagem da revista norte-americana Wired, funcionários anônimos da companhia confirmaram que robôs em data centers já realizam tarefas específicas de cabeamento e monitoramento de infraestrutura. A iniciativa representa um marco significativo na automação de centros de processamento de dados, uma área que historicamente dependia exclusivamente de trabalho manual.

Tecnologia e especificações dos robôs testados

Entre os equipamentos avaliados pela Meta está o robô Kinova Gen3, equipado com braço robótico capaz de reiniciar servidores e gerenciar conexões de energia. Além da Kinova, a empresa utiliza soluções de fornecedores como Watney Robotics e ABB. Os testes incluem máquinas com dois braços dedicados ao trabalho de cabeamento e modelos com quatro rodas equipados com plataforma elevatória tipo tesoura e braço de seis eixos.

As funcionalidades em avaliação abrangem manipulação de servidores, conexão de cabos de rede e instalação de componentes. Segundo funcionários ouvidos pela Wired, um dos robôs testados poderia substituir até 80% da carga de trabalho de determinadas posições, evidenciando o potencial transformador dessa tecnologia nos data centers.

Locais de testes e expansão

O principal laboratório para testes com robôs em data centers localiza-se em Altoona, Iowa, nos Estados Unidos. No entanto, outras localidades como New Albany, Ohio, também implementam testes similares. Em Iowa, os robôs com dois braços executam especificamente trabalhos de cabeamento. Já em Ohio, máquinas com quatro rodas e braços de seis eixos realizam reinstalação de componentes, demonstrando a diversificação de aplicações dessa tecnologia em diferentes ambientes.

Justificativa técnica e mercado em transformação

Até recentemente, robôs eram considerados inadequados para operações em data centers devido aos altos custos e limitações técnicas. Contudo, o cenário mudou significativamente. Hardware mais acessível e avanços em inteligência artificial que alimentam os robôs aceleraram a adoção dessa tecnologia. O crescimento de startups especializadas em construção de robôs comerciais também contribui para essa transformação, oferecendo soluções capazes de substituir cabos, montar servidores e trocar componentes com eficiência.

Eric Xu, gerente sênior de robótica da Meta, afirmou em 2025 que os objetivos de longo prazo da empresa incluem inserção robusta de robôs em data centers. Segundo Xu, essas máquinas podem acelerar respostas a acidentes, monitorar ambientes e executar manutenção preventiva em espaços controlados.

Argumentos favoráveis à automação

Defensores da automação em data centers argumentam que robôs oferecem produção otimizada com custo inferior à mão de obra humana. Essa solução seria particularmente benéfica em regiões menos populosas onde data centers são abundantes, mas faltam trabalhadores qualificados. Além disso, entusiastas da tecnologia apontam que máquinas podem assumir tarefas repetitivas e perigosas, liberando técnicos humanos para desafios mais complexos e que exigem pensamento crítico.

Uma perspectiva futurista sugere que robôs em data centers possibilitariam instalação de infraestrutura em ambientes inóspitos como regiões subaquáticas, espaço ou áreas extremas, expandindo significativamente as possibilidades operacionais.

Preocupações de funcionários e impacto no emprego

Apesar dos argumentos técnicos, funcionários de data centers da Meta expressaram preocupações substanciais à Wired. Trabalhadores temem que empregos sejam substituídos ou precarizados pela automação. Um funcionário declarou: 'Pensávamos que nós, que realizávamos as tarefas físicas, estaríamos seguros por um tempo, mas não mais'. Outro comentou que a empresa busca 'mãos inteligentes', pessoas capazes apenas de seguir instruções de inteligência artificial sem erros, eliminando espaço para pensamento independente e soluções criativas.

Questões sobre incentivos fiscais

A implementação de robôs em data centers levanta questões sobre subsídios governamentais. A Meta recebe benefícios fiscais em troca de construir data centers e gerar empregos em determinados estados americanos. O data center de Altoona, inaugurado em 2014, proporcionou economias de milhões de dólares em impostos prediais à companhia, com a justificativa de geração de empregos locais.

Contudo, a automação crescente pode comprometer a contratação de novos funcionários humanos, potencialmente invalidando a razão original dos subsídios. O prefeito de Altoona, Dean O'Connor, reconheceu essa revolução como inevitável, declarando que a cidade lidará com as consequências conforme se desenvolverem.

Posicionamento oficial da Meta

A Meta recusou-se oficialmente a comentar os testes descritos na reportagem da Wired. O porta-voz Francis Brennan afirmou que a companhia investe fortemente em treinamento e contratação de funcionários para data centers. Segundo o comunicado: 'Os Estados Unidos vivenciam o maior boom de infraestrutura desde a Segunda Guerra Mundial, e há escassez de trabalhadores qualificados. Precisamos de mais trabalhadores, não menos'.

Essa declaração contrasta com relatos de funcionários e observações da Wired sobre os testes com robôs em data centers, levantando questões sobre a estratégia real da empresa em relação à automação versus contratação de pessoas.

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