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Mercosul-UE: agronegócio cresce 14,8% em seis meses

Mercosul-UE: agronegócio cresce 14,8% em seis meses
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Acordo Mercosul-UE marca seis meses com resultados expressivos no agronegócio

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia atinge a marca de seis meses de implementação provisória com números animadores. O agronegócio crescimento Mercosul UE apresenta expansão de 14,8% em valor, demonstrando o impacto positivo da redução de tarifas para produtos brasileiros. Entre maio e setembro de 2026, as exportações do setor agropecuário e agroindustrial somaram US$ 12,21 bilhões, superando significativamente o desempenho registrado no mesmo período do ano anterior.

A negociação entre os dois blocos econômicos perdurou por mais de 25 anos, com documentos formais assinados em 17 de janeiro de 2026. A aplicação provisória das disposições comerciais iniciou em 1º de maio, permitindo que compromissos de redução tarifária entrassem em vigor antes da entrada definitiva do tratado. Esse bloco econômico unifica cerca de 720 milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões.

Desempenho geral das exportações brasileiras

Os resultados iniciais revelam crescimento robusto em múltiplos setores. Considerando diferentes segmentos econômicos, as exportações brasileiras beneficiadas pelo tratado avançaram 21% nos cinco primeiros meses de aplicação provisória, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O Brasil embarcou 17,74 milhões de toneladas de produtos do agronegócio para os 27 países da União Europeia durante esse período, volume 8,1% superior ao registrado entre maio e setembro de 2025. Essa expansão não se limita apenas ao setor primário, atingindo também segmentos industriais como ferrossilício-manganês, alumínio em bruto, óleos combustíveis e etanol. As exportações de transformadores elétricos exemplificam essa diversificação, passando de zero para US$ 39 milhões.

Crescimento por segmento do agronegócio

Os produtos apícolas apresentaram o desempenho mais espetacular entre os segmentos destacados. O mel registrou expansão de 367% em valor, consolidando-se como principal destaque. Esse crescimento reflete tanto a redução de barreiras tarifárias quanto a demanda europeia por produtos de qualidade brasileira.

Os produtos oleaginosos, excetuando a soja, demonstraram crescimento de 161% em valor. Já o segmento de carnes exibiu resultados ainda mais expressivos: avanço de 103,5% em valor e 170% em volume, elevando as exportações de 101 mil toneladas para 272 mil toneladas. Esse desempenho reflete a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu e as oportunidades abertas pelo acordo.

Complexo soja mantém liderança nas exportações

O complexo soja permanece como o principal grupo de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia, apesar das altas expressivas registradas em outros segmentos. As vendas de soja em grãos cresceram 49% em valor e 35,1% em volume, passando de aproximadamente US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões. As exportações de farelo de soja avançaram 22,5% em valor e 10,6% em volume.

Outros segmentos também apresentaram desempenho positivo durante o período analisado. Os produtos florestais cresceram 23%, passando de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,48 bilhão. Frutas, nozes e castanhas tiveram avanço de 15%, elevando-se de US$ 274 milhões para US$ 315 milhões. Demais produtos de origem animal registraram aumento de 55,5% em valor.

Destaque para produtos individuais de maior expansão

O abacate tornou-se um dos principais destaques entre produtos individuais, evidenciando novas oportunidades criadas pela redução tarifária. As exportações passaram de US$ 3,81 milhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 19,87 milhões no mesmo período de 2026, representando alta de 421,2%. O volume embarcado também aumentou substancialmente, com crescimento de 433,7%, demonstrando tanto expansão de preço quanto de quantidade.

O óleo de milho bruto registrou expansão igualmente notável, com vendas crescendo 266,3% em valor, passando de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões. Em volume, a alta alcançou 205,8%, indicando aumento significativo na demanda europeia por esse produto. Outras frutas também ampliaram presença no mercado europeu: manga cresceu 31,2% em valor e 23,6% em volume, enquanto maçã avançou 28,8% em valor e 33,7% em volume.

No setor cafeeiro, as vendas de café torrado tiveram alta de 91,6% em valor e 116,5% em volume. As exportações de café solúvel cresceram 19% em valor e 38,2% em volume, reforçando a posição do Brasil como importante fornecedor de café para o mercado europeu.

Cronograma de reduções tarifárias implementadas

A aplicação provisória das regras comerciais do acordo iniciou em 1º de maio de 2026, estabelecendo cronogramas específicos para redução de tarifas. Determinados produtos agropecuários brasileiros passaram a contar com reduções escalonadas conforme negociado entre os blocos.

Para café torrado e café solúvel, a redução das tarifas será gradual, com previsão de eliminação completa em 2030. No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base, com liberalização total também prevista para 2030. O acordo prevê ainda condições de acesso para produtos importantes da pauta exportadora brasileira, como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Em diversos casos, os benefícios encontram-se vinculados a cotas de importação, com limites de volume e condições específicas para cada mercadoria.

Balança comercial favorável ao Brasil

As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, representando alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando chegaram a US$ 1,62 bilhão. Mesmo com o aumento das compras no mercado europeu, o Brasil ampliou expressivamente o superávit comercial do agronegócio com o bloco.

O saldo positivo passou de US$ 9,01 bilhões nos cinco primeiros meses de 2025 para US$ 10,54 bilhões em 2026, representando crescimento de 17%. Essa expansão do superávit demonstra que o acordo beneficia especialmente o agronegócio brasileiro, fortalecendo a posição comercial do país na União Europeia.

Desafios regulatórios e requisitos sanitários

Apesar dos resultados positivos, exportadores brasileiros precisam cumprir exigências rigorosas estabelecidas pela União Europeia. Requisitos sanitários, ambientais e de rastreabilidade constituem pontos de atenção que demandam adaptação da cadeia produtiva. O Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) estabelece requisitos ambientais para entrada de determinadas mercadorias no bloco, exigindo documentação específica de rastreabilidade e comprovação de sustentabilidade.

A implementação do acordo ocorre de forma gradual, e os exportadores brasileiros devem manter conformidade com essas exigências para manter e expandir sua presença no mercado europeu. Essa adequação regulatória representa tanto desafio quanto oportunidade para modernização do setor.

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