Gazeta de Portugal

Mendonça determina apreensão de passaporte de publicitário investigado

Mendonça determina apreensão de passaporte de publicitário investigado
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/11/mendonca-manda-apreender-passaporte-de-publicitario-ligado-a-daniel-vorcaro.ghtml

Ministro ordena apreensão de passaporte em investigação do Banco Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a apreensão de passaporte do publicitário Thiago Miranda, que mantém ligações diretas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A medida foi confirmada pela assessoria do Supremo Tribunal Federal neste sábado, como parte das investigações relacionadas à fraude envolvendo a instituição financeira. Mendonça atua como relator das ações conexas ao caso Master no tribunal.

A decisão sobre a apreensão de passaporte permanece sigilosa e ainda não foi tornada pública em seus detalhes. O documento judicial que fundamenta essa determinação segue sob proteção legal, conforme os procedimentos adotados em investigações dessa magnitude. A medida representa um aprofundamento nas investigações que cercam os principais suspeitos envolvidos nesse esquema complexo.

Miranda é alvo da Operação Compliance Zero

Thiago Miranda foi um dos alvos identificados durante a décima fase da Operação Compliance Zero, realizada na quinta-feira anterior. Ele é investigado por suspeita de coordenar atividades estratégicas em redes sociais destinadas a comprometer a credibilidade institucional e a atuação operacional do Banco Central do Brasil.

Os investigadores estão apurando a possível existência de uma organização criminosa estruturada com objetivos específicos: intimidação sistemática de profissionais da imprensa, monitoramento direcionado de pessoas com vínculos com autoridades públicas e obtenção irregular de informações classificadas como sigilosas. Essas práticas teriam sido coordenadas de forma estruturada dentro da organização suspeita.

Quem é Thiago Miranda e seu perfil profissional

Thiago Miranda é proprietário da Miranda Comunicação, também identificada comercialmente como Agência MiThi. Nas plataformas digitais, o publicitário se apresenta como fundador e sócio do portal informativo Léo Dias, mantendo presença ativa nos ambientes virtuais.

A Polícia Federal investiga Miranda por suspeita de ter contratado criadores de conteúdo digital para realizar campanhas coordenadas de defesa do Banco Master e ataques simultâneos contra o Banco Central. Essas ações ocorreram durante o período crítico que precedeu a liquidação da instituição financeira.

Contratação de influencers para campanha contra autoridades

Durante depoimento à Polícia Federal em março, Thiago Miranda negou categoricamente ter contratado influenciadores para efetuar ataques contra autoridades ou instituições estatais. Conforme sua versão dos fatos, o trabalho realizado tinha como propósito exclusivo a "reconstrução reputacional da imagem" do proprietário do Banco Master.

Porém, investigações jornalísticas reveladas em janeiro demonstraram a existência de um esquema estruturado de contratação de influenciadores. Um criador de conteúdo digital baseado em São Paulo, que manteve identidade confidencial, relatou ter recebido R$ 7,8 mil por uma única publicação contendo críticas direcionadas ao Banco Central, veiculada em dezembro anterior.

Segundo o relato desse influenciador, o pagamento foi efetivado através da empresa de Thiago Miranda. Posteriormente, o mesmo criador de conteúdo recusou uma proposta de contrato com duração de três meses para manutenção da divulgação de conteúdos semelhantes. O contrato proposto previa a produção mensal de oito vídeos e, ao término do período, descontadas comissões aplicáveis, o influenciador receberia montante de R$ 188 mil.

Detalhes da décima fase da operação investigativa

Conforme informações divulgadas pela Polícia Federal, estão sendo executados dois mandados de busca e apreensão localizados em Brasília, ambos determinados pelo Supremo Tribunal Federal em decisão fundamentada.

De acordo com a decisão proferida pelo ministro André Mendonça, que atua como relator do inquérito relacionado ao caso Master no STF, Thiago Miranda é apontado como principal articulador coordenador do esquema investigado. O propósito alegado seria descredibilizar órgãos e instituições públicas, executar ataques contra a atuação operacional do Banco Central e manipular a opinião pública através de campanhas estruturadas.

As apurações indicam que o grupo investigado utilizava informações obtidas ilicitamente, incluindo quebra de sigilo financeiro, bancário e cadastral, além de acesso indevido a dados de familiares de jornalistas e concorrentes, para coagir e intimidar indivíduos que resistiam aos interesses do esquema.

Medidas judiciais e crimes investigados

Na decisão que ordenou a apreensão de passaporte, o ministro André Mendonça autorizou adicionalmente a apreensão de documentação física e eletrônica, dispositivos destinados ao armazenamento de dados, mídias de suporte informático, além de bens classificados como de alto valor e dinheiro em espécie que ultrapasse o montante de R$ 20 mil.

Os policiais federais igualmente investigam a possível adoção de medidas voltadas à interferência em procedimentos criminais em andamento. Segundo a Polícia Federal, os fatos sob investigação podem configurar, em tese, os seguintes crimes: crime perpetrado contra o sistema financeiro nacional; constituição ou participação em organização criminosa; embaraço ou obstrução de investigação de organização criminosa; além de outros delitos potenciais, como possíveis violações de dados pessoais e de dispositivos informáticos utilizados na operação criminosa.

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