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Kiko Dinucci lança Medusa com guitarras e ruídos

Kiko Dinucci lança Medusa com guitarras e ruídos
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Kiko Dinucci apresenta terceiro disco solo com experimentação radical

Nesta quarta-feira, 9 de setembro, chega ao mercado o novo trabalho do artista paulistano. O álbum Medusa Kiko Dinucci marca o retorno do compositor às gravações em estúdio após quatro anos, representando uma evolução significativa em sua proposta sonora. Lançado pela editora Risco, o disco traz dez faixas inteiramente autorais que consolidam Kiko Dinucci como um dos pilares fundamentais da cena indie contemporânea de São Paulo.

O trabalho foi produzido sob direção artística de Juçara Marçal, colaboradora recorrente ao longo das composições. A capa, desenvolvida pela artista plástica Tatiana Blass com inspiração na música "Faca da palavra", reflete visualmente a proposta experimental do álbum. Este projeto representa uma continuação natural da trajetória estabelecida em "Rastilho" (2020), seu anterior disco de estúdio, aprofundando ainda mais os elementos que definem a identidade sonora do artista.

Exploração sonora entre guitarras, samplers e experimentação

O álbum Medusa Kiko Dinucci estrutura-se em torno da utilização criativa de guitarras, fitas magnéticas e samplers, criando texturas que dialogam tanto com a tradição quanto com a vanguarda. A abertura ocorre com "Cão perdido", faixa gravada em colaboração com o guitarrista Lello Bezerra nos arranjos e na produção. A canção funciona como porta de entrada para o universo poético do disco, onde a figura de um animal desgarrado pela selva urbana de São Paulo estabelece o tom melancólico que permeia a obra.

Na sequência, "Água viva" apresenta uma parceria entre Dinucci e Sophia Chablau, contando com a participação da produtora carioca Podeserdesligado. Esta faixa exemplifica como o disco equilibra elementos experimentais com estruturas reconhecíveis, criando um espaço onde a melodia convive com ruídos e texturas inusitadas.

Parcerias que enriquecem a proposta artística

Kiko Dinucci reuniu colaboradores significativos para compor o álbum Medusa. Entre as contribuições mais notáveis encontra-se "Como foi?", uma balada de coração partido coescrita com Romulo Fróes. A composição apresenta uma arquitetura melódica refinada que, em sua primeira metade, poderia remeter ao trabalho de compositores como Roberto Carlos ou Nando Reis. Contudo, na interpretação de Dinucci, a canção é atravessada por ruídos experimentais que a ancram firmemente na proposta conceitual do álbum.

"Segundo eterno" surge como samba composto para a trilha sonora da peça teatral "Avenida Paulista" (2025), encenada por Felipe Hirsch. Nesta composição, Dinucci reflete sobre sua cidade natal, utilizando a imagem da calçada e das pessoas correndo rumo à morte para articular uma crítica poética sobre a existência urbana. A gravação mantém elementos tradicionais do samba, porém revestidos pela atmosfera contemporânea que caracteriza o trabalho.

Collaborações que expandem horizontes

A presença de Maria Beraldo em "Cascuda" traz uma dimensão vocal complementar ao disco. Gravada em uma atmosfera melancólica, a faixa utiliza a metáfora do som da ferragem rasgando a cidade, criando uma ponte poética entre o universo sonoro experimental e a realidade urbana de São Paulo. A artista plástica Tatiana Blass, responsável pela capa visual, parece dialogar harmoniosamente com essas escolhas composicionais.

"Claudia, Frota e eu" funciona como uma samba-noise elaborada em parceria com Negro Leo, relembrando atmosferas presentes no primeiro trabalho solo de Dinucci, "Cortes curtos" (2017). Aquele álbum, lançado há nove anos, estabeleceu as bases para uma carreira solo marcada por experimentação punk e ambiência inovadora que se desenvolvem agora em "Medusa".

"Casca do olho" emerge como samba industrial, contando com contribuições de Podeserdesligado e Gustavo Infante. A composição evoca elementos da estética industrial alemã de Einstürzende Neubauten, demonstrando como Kiko Dinucci absorve influências variadas para criar algo genuinamente original.

Dimensões estéticas e poéticas do disco

"Loira Palmer" apresenta alto teor erótico e surrealista, resultado da colaboração entre Dinucci e Crystal Duarte da banda fluminense Vera Fisher Era Clubber. A faixa remete ao universo visual dos filmes do cineasta David Lynch, criador de atmosferas ambíguas que equilibram beleza e perturbação, características presentes na proposta geral do álbum Medusa Kiko Dinucci.

O álbum se move através de angústias, prazeres e ecos do Sonic Youth, estabelecendo um diálogo contínuo entre a tradição rock experimental e as possibilidades sonoras contemporâneas. Kiko Dinucci atravessa a selva da cidade de São Paulo sem paz e sem destino, como um cão perdido, mas armado de guitarras e ruídos que transformam essa travessia em experiência estética significativa.

Contexto na cena indie paulistana

Kiko Dinucci integra uma geração fundamental da cena indie paulistana do século XXI, ao lado de nomes como Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Juçara Marçal. Este álbum Medusa reafirma a importância do artista na construção de uma linguagem musical própria que dialoga com referências internacionais sem perder autenticidade local. A produção cuidadosa, as colaborações estratégicas e a coerência conceitual do trabalho indicam um compositor em pleno controle de sua expressão artística, pronto para novos desafios e experimentações que continuem expandindo as fronteiras do que se entende por música experimental brasileira contemporânea.

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