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Israel escolhe Eisenkot para formar governo após eleição sem maioria clara

Israel escolhe Eisenkot para formar governo após eleição sem maioria clara
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Presidente de Israel designa Eisenkot para missão de formar novo governo

O presidente israelense Isaac Herzog nomeou oficialmente neste sábado (7) Gadi Eisenkot, principal rival político de Benjamin Netanyahu, para encabeçar as negociações visando à constituição de um novo governo Israel Eisenkot. A decisão emerge após processo eleitoral inconclusivo realizado em 27 de outubro, que não conferiu a nenhum dos principais blocos políticos a maioria parlamentar necessária para assumir o comando executivo.

Cronograma e prazos para formação do gabinete

Conforme informações do jornal "Times of Israel", a cerimônia formal de designação ocorrerá domingo (8) às 17h, horário local (12h em Brasília). A partir dessa data, Gadi Eisenkot Netanyahu dispõe de 28 dias para negociar e consolidar uma coalizão governamental viável. Caso necessário, o presidente Herzog possui autoridade para conceder uma extensão adicional de até 14 dias ao negociador.

Imediatamente após o anúncio, Eisenkot divulgou mensagem pela rede social X afirmando: "Este é o momento de formar um governo de emergência nacional. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que estejamos à altura da responsabilidade".

Apoio parlamentar e números da coalizão

O ex-comandante militar recebeu endosso decisivo dos principais partidos representantes da população árabe-israelense na sexta-feira (6). Com os votos consolidados, o bloco de oposição liderado por Eisenkot assegurou o apoio declarado de 67 deputados no Knesset, parlamento nacional. O limiar mínimo requerido para governar estabelece-se em 61 das 120 cadeiras legislativas.

As duas principais organizações políticas árabes contribuem significativamente para essa coalizão emergente:

  • Lista Conjunta: 11 cadeiras parlamentares
  • Partido Ra'am: 8 deputados

Notavelmente, a eleições Israel 2026 registrou participação recorde da comunidade árabe, representando aproximadamente 21% do eleitorado nacional, com essas duas legendas conquistando conjuntamente 19 assentos, marca histórica para essas organizações políticas.

Resultados eleitorais e distribuição de forças

O escrutínio de 27 de outubro produziu um cenário fragmentado no qual nenhum bloco conquistou predominância decisiva. O Likud, partido do atual primeiro-ministro Netanyahu, emergiu como força mais votada com 27 cadeiras, contudo sua aliança ampliada contemplando partidos de orientação conservadora e religiosa alcançou apenas 53 assentos legislativos.

Paralelamente, o bloco oposicionista liderado pelo partido Yashar, sob direção de Eisenkot, obteve 48 cadeiras. Embora Eisenkot tenha assegurado o apoio formal dos partidos árabes-israelenses, reafirmou sua posição de que essas organizações não integrarão eventual composição governamental.

Perfil e trajetória política de Gadi Eisenkot

Experiência militar e entrada na política

Eisenkot, com 66 anos, é descendente de imigrantes marroquinos, posicionando-se potencialmente como primeiro premiê israelense integrante da comunidade mizrahi, composição étnico-cultural reunindo judeus cujas raízes familiares situam-se no Oriente Médio e norte africano. Sua entrada no cenário político ocorreu apenas em 2022, mantendo perfil discreto e historicamente avesso à visibilidade midiática.

Durante o conflito iniciado com ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, Eisenkot participou transitoriamente do gabinete de segurança nacional sob liderança Netanyahu, porém posteriormente retornou à posição oposicionista.

Críticas e posicionamentos políticos

Na condição de opositor, Eisenkot direcionou críticas incisivas às decisões de Netanyahu, particularmente quanto à condução militar na Faixa de Gaza. Durante campanha eleitoral, destacou sua expertise em questões de segurança, referenciando a denominada "Doutrina Dahiya", estratégia militar que preconiza respostas desproporcionais a confrontações adversárias. Eisenkot implementou essa abordagem quando comandava operações no conflito 2006 entre Israel e Hezbollah, organização libanesa patrocinada pelo Irã.

O candidato também pronunciou-se contra manifestações violentas de colonos israelenses direcionadas a palestinos, fenômeno intensificado desde 2023 e que provocou tensionamentos nas relações internacionais de Israel com democracias ocidentais.

Oposição aos aliados extremistas

Eisenkot mantém posicionamento crítico frontal contra os associados de extrema-direita de Netanyahu, especificamente Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, ambos submetidos a sanções de governos ocidentais por pronunciamentos caracterizados como instigação à violência contra palestinos.

Impacto pessoal da situação bélica

A trajetória recente de Eisenkot marca-se por perdas familiares significativas decorrentes dos conflitos. Um filho e dois sobrinhos do ex-general faleceram em operações combativas na Faixa de Gaza desde 2023, experiência que consolidou seu engajamento nas questões de segurança nacional e política externa.

Perspectivas para negociações governamentais

Os próximos 28 dias constituem período crítico para Knesset parlamento Israel, durante o qual Eisenkot deverá harmonizar interesses variados de sua coalizão parlamentar. Embora tenha obtido respaldo formal dos partidos árabes, sua exclusão de eventual gabinete representa ponto de potencial tensão nas negociações futuras, assim como a integração ou exclusão de outras organizações políticas menores que integram seu bloco oposicionista inicial.

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