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Imposto Seletivo: Governo Mantém Tributação em Transição até 2027

Imposto Seletivo: Governo Mantém Tributação em Transição até 2027
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/06/19/imposto-do-pecado-ideia-e-manter-em-transicao-o-atual-peso-de-tributos-para-bebidas-alcoolicas-e-cigarros-diz-ministro-da-fazenda.ghtml

Governo Reafirma Manutenção da Carga Tributária no Imposto Seletivo

O imposto seletivo, popularmente conhecido como imposto do pecado, será implementado mantendo a carga tributária atual durante o período de transição. Esta foi a confirmação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao detalhar os planos do governo federal para a nova sistemática de tributação que entrará em vigor em 2027.

O imposto seletivo representa uma estratégia de política fiscal voltada para desestimular o consumo de produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Durante o processo transitório, a intenção é manter os mesmos patamares de tributação que atualmente incidem sobre esses bens, permitindo um debate aprimorado com os setores afetados antes de qualquer majoração futura.

Detalhes da Implementação e Cronograma

Conforme declarações do ministro Durigan em entrevista ao Jota, a proposta será encaminhada ainda neste ano ao Congresso Nacional. "Ideia é que pactue com os setores afetados, mantendo a carga tributária que hoje eles têm no IPI, para que faça a transição, com debate aprimorado na sequência", explicou o titular da Fazenda.

Para que o imposto seletivo comece a valer efetivamente, é necessária aprovação legislativa no Congresso Nacional. Embora a regulamentação ainda não tenha sido formalmente enviada, o governo federal se comprometeu em entregar o documento até o final deste ano, garantindo tempo hábil para discussões parlamentares antes da implementação em 2027.

Produtos e Atividades Contemplados

A sistemática do imposto seletivo abrangerá diversos setores considerados de risco à saúde coletiva e ao ambiente. A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e produtos de cigarro, que constituem o núcleo principal dessa nova tributação. Além disso, a incidência se estenderá sobre determinados veículos conforme seu nível de poluição, extração de bens minerais, e ainda sobre loterias, apostas e jogos de fantasy sports, modalidades de competição online onde participantes criam equipes virtuais com atletas reais.

Justificativa Baseada em Dados de Saúde Pública

O governo federal fundamenta a implementação do imposto seletivo em pesquisas que demonstram os impactos negativos destes produtos sobre a saúde coletiva. Levantamento da Fiocruz, citado pelo Ministério da Saúde, revelou que em 2019 o consumo de álcool gerou custos de R$ 18,8 bilhões. Deste montante, R$ 1,1 bilhão refere-se a custos federais diretos com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS, enquanto R$ 17,7 bilhões correspondem à perda de produtividade motivada por mortalidade prematura, licenças e aposentadorias precoces relacionadas a doenças associadas ao álcool.

Relativamente ao tabagismo, dados do Ministério da Saúde indicam que as doenças relacionadas geram um custo indireto anual de R$ 86,3 bilhões, resultando em dispêndio total de R$ 153,5 bilhões ao governo, equivalente a 1,6% do PIB. Em contrapartida, a arrecadação de tributos federais na comercialização de cigarros atinge apenas R$ 8 bilhões anuais, evidenciando desequilíbrio entre gastos com saúde e recursos arrecadados.

Impacto das Bebidas Ultraprocessadas

No tocante às bebidas ultraprocessadas, categoria que inclui refrigerantes, isotônicos e refrescos, o governo estimou em estudo técnico que os custos para o Sistema Único de Saúde com tratamento de doenças associadas ao consumo desses produtos atingem aproximadamente R$ 3 bilhões anualmente. Este dado reforça a justificativa governamental para incluir essa categoria na sistemática do imposto seletivo.

Preocupações do Setor Produtivo

Produtores nacionais expressam preocupações quanto à implementação do imposto seletivo. Destacam que bebidas alcoólicas já possuem tributação elevada no Brasil, com carga tributária variando entre 40% e superior a 80% do preço final do produto. Avalia o setor que aumentos adicionais dos impostos cobrados poderão comprometer as margens de lucro, potencialmente gerando repasses aos preços finais, redução de postos de trabalho e estímulo ao mercado ilegal de produtos.

Transição Equilibrada e Debate Setorial

A estratégia governamental prioriza uma transição equilibrada durante o período em questão. O ministério pretende manter diálogo construtivo com os setores afetados, buscando consenso sobre a melhor forma de implementação do imposto seletivo sem desestabilizar a economia dos produtores nacionais. Este processo de debate será fundamental para refinar a proposta antes de sua entrada em vigor em 2027, garantindo que os objetivos de saúde pública sejam alcançados sem gerar impactos econômicos desproporcionais.

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