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Historiadores denunciam censura em livro sobre Independência

Historiadores denunciam censura em livro sobre Independência
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Historiadores denunciam censura em publicação sobre Independência

Um coletivo de especialistas em história brasileira acusa a comissão responsável pelos 200 anos do Congresso Nacional de impor restrições ao conteúdo de uma obra dedicada à Independência. A censura em livro sobre Independência teria afetado a publicação "Independências do Brasil", que seria lançada pela Editora da Câmara dos Deputados com coordenação dos reconhecidos pesquisadores André Roberto de A. Machado, Andréa Slemian e Cláudia M. G. Chaves.

Alterações e vetos solicitados pela comissão

De acordo com os organizadores da obra, a comissão exigiu transformações significativas no texto original. Entre as principais modificações solicitadas está a substituição da expressão "ditadura militar" por "regime militar" nas passagens que fazem referência ao período iniciado em 1964. Esta mudança terminológica representa uma das questões mais controversas levantadas pelos historiadores.

Além dessa alteração fundamental, a comissão também determinou a exclusão ou reformulação de diversos fragmentos da obra. Os trechos censurados incluem conteúdos sobre o papel histórico dos povos originários, discussões acerca de direitos constitucionais, questões relacionadas ao marco temporal e menções ao Haiti como referência histórica. Igualmente atingido foi um trecho que fazia citação ao samba-enredo apresentado pela escola de samba Mangueira no ano de 2019.

Detalhes dos trechos suprimidos

Em relação ao protagonismo dos povos indígenas na história brasileira, o conselho solicitou a retirada da expressão que caracterizava o marco temporal como uma "aberração jurídica". Conforme apresentado em documentação encaminhada pelos coordenadores, este veto representa uma supressão de análise crítica sobre questões indígenas contemporâneas.

Outro fragmento afetado dizia respeito aos direitos constitucionais das populações originárias, onde constava a afirmação de que tais direitos são "vergonhosamente negados pelo Estado brasileiro". A exclusão desta sentença também foi determinada pela comissão, provocando questionamentos sobre liberdade intelectual e autonomia editorial.

O trecho que fazia menção ao samba-enredo de 2019 da Mangueira, cujo tema buscava contar "a história que a história não conta", também recebeu marcação para supressão, segundo documentação disponibilizada aos pesquisadores.

Posicionamento da Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados divulgou comunicado esclarecendo sua perspectiva sobre a situação. Segundo a instituição, a coletânea "Independências do Brasil" foi apresentada por solicitação externa para eventual divulgação pela Edições Câmara. Durante o processo de análise editorial, conforme destacou a Casa, foram discutidos ajustes textuais com objetivo de adequação aos critérios internos.

O órgão legislativo ressaltou que a apresentação de trabalhos à editora não gera automaticamente compromisso de publicação. A instituição enfatizou que a seleção de obras segue rigorosamente critérios e normas editoriais estabelecidas internamente pela Câmara.

Contexto atual e decisão final

Conforme informado pela Câmara, com a conclusão das comemorações do Bicentenário da Independência Brasileira e considerando as atuais prioridades no plano editorial institucional, a publicação da coletânea não consta nos planos para o futuro próximo. Esta decisão encerraria, ao menos temporariamente, o processo de negociação sobre a publicação da obra pelos historiadores brasileiros.

O episódio levanta discussões relevantes sobre autonomia acadêmica, liberdade editorial e o papel de instituições públicas na preservação e disseminação do conhecimento histórico. A questão da censura em livro sobre Independência permanece como tema de debate entre historiadores e estudiosos da gestão pública de conteúdo cultural no Brasil.

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