Haddad defende investigação da PF contra Wagner e apela pela imparcialidade

Haddad reafirma papel da Polícia Federal na investigação Jaques Wagner
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira (19) a condução das apurações da Polícia Federal, ao comentar a investigação Jaques Wagner que envolve o senador petista baiano. Em entrevista à BandNews TV, Haddad ressaltou que a instituição "está no papel dela de investigar" e que todos os envolvidos devem ter oportunidade de se explicar perante as autoridades competentes.
Posição do governo sobre a investigação Jaques Wagner
Durante a sabatina, o ex-ministro da Fazenda do governo Lula afirmou que as apurações devem avançar "doa a quem doer", reafirmando o compromisso da administração com a transparência. Segundo Haddad, desde o início do processo investigativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que as instituições responsáveis atuassem com total independência.
"Desde o começo de toda essa história, Lula chamou Ministério Público, STF, Polícia Federal, Banco Central e Ministério da Fazenda e falou: 'Eu quero tudo a limpo, doer a quem doer. Não interessa. Quero a limpo, porque estamos diante da maior fraude bancária do Brasil'", declarou Haddad durante a entrevista.
Direitos dos investigados na Operação Compliance Zero
O petista também frisou que ser alvo de investigação não representa condenação prévia. Para Haddad, quanto mais exposição uma pessoa tiver aos procedimentos das autoridades, melhor para ela, especialmente se estiver segura de seus atos e se colocar à disposição para prestar esclarecimentos. Ele enfatizou que o desfecho correto é aquele em que "quem errou tem que ser punido; quem se explicou é absolvido, nem é processado".
Detalhes da investigação contra o senador Wagner
Jaques Wagner tornou-se alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18). A investigação apura um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro vinculado ao Banco Master. Segundo as autoridades, o senador teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política favorável aos interesses da instituição financeira.
Entre os fatos sob apuração estão a aquisição de um imóvel de luxo em Salvador, ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift, repasses financeiros e viagens ao exterior, todas supostamente custeiadas por ligados ao Banco Master. Além disso, a Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie em um endereço em Brasília relacionado ao senador.
Resposta de Wagner às acusações
Em sua própria entrevista à BandNews, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e esclareceu que os recursos apreendidos têm origem em diárias recebidas pelo Senado para viagens internacionais realizadas em sua função de parlamentar. O senador também negou manter relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master atualmente preso.
Wagner mencionou que o presidente Lula entrou em contato para expressar solidariedade após a execução da operação policial. O senador afirmou ainda que, desde 2019, tem recebido aproximadamente US$ 70 mil em diárias de viagens ao exterior e que frequentemente adquire moeda estrangeira através do Banco do Brasil para financiar deslocamentos internacionais.
Relação entre Wagner e Augusto Lima sob escrutínio
O foco central da investigação Jaques Wagner concentra-se na proximidade entre o senador e o ex-banqueiro Augusto Lima, dono do Banco Pleno e apontado como aliado estratégico de Vorcaro. Conforme os autos obtidos pela TV Globo, a relação entre os dois seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, ambiente propício para supostas tratativas reservadas em defesa dos interesses do Banco Master.
Transações financeiras sob análise
A documentação da Polícia Federal detalha que R$ 3,5 milhões foram repassados à BN Financeira Ltda., empresa vinculada ao núcleo familiar do senador, através de transferência bancária da empresa "PKL One Participações S.A", dirigida por Andréa Lima Novaes (prima de Augusto Lima). A operação foi completada em outubro de 2025, segundo a decisão do ministro André Mendonça.
Viagens e benefícios investigados
Conforme os investigadores, Augusto Lima disponibilizou uma aeronave particular ao senador para uma viagem à Ilha da Paixão, localizada em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. As comunicações extraídas do celular de Augusto indicam que os dois combinaram um encontro no local entre 11 e 13 de outubro de 2023.
Além disso, foram adquiridos ingressos para apresentação de Taylor Swift em São Paulo no dia 25 de novembro de 2023, durante a turnê "The Eras Tour", por valor aproximado a R$ 63.339. A Polícia Federal afirma que os bilhetes foram destinados a familiares do parlamentar.
Atuação política de interesse do Master
A investigação apura ainda se o senador atuou diretamente em favor de projetos legislativos de interesse do grupo financeiro. Entre as medidas citadas estão a chamada "Emenda Master" e uma proposta que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor em que o grupo de Vorcaro possui forte atuação por meio do Credcesta.
Os temas específicos sob investigação incluem elevação da margem consignável da remuneração para trabalhadores regidos pela CLT e beneficiários de programas federais de transferência de renda, aprovação da PEC nº 65/2023 com impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de atuação parlamentar voltada à fiscalização da potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Contexto geral da Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero iniciou-se em novembro de 2025 e investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master sob liderança de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal estimou um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões resultante da emissão de títulos de investimento sem garantias suficientes.
Nas fases subsequentes, a investigação expandiu-se para incluir suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, espionagem, uso indevido de informações sigilosas e corrupção. Outros alvos da operação incluem o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por supostos pagamentos relacionados aos interesses do banco, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em apuração sobre investimentos do Rioprevidência em fundos ligados ao Master.
Posicionamento de Haddad sobre imparcialidade
Haddad encerrou sua entrevista reafirmando que a lei deve ser aplicada com independência, independentemente de convicções políticas. O pré-candidato petista citou também o senador Flávio Bolsonaro (PL) como exemplo de que a investigação abrange políticos de diferentes espectros ideológicos, demonstrando, em sua visão, o caráter imparcial das apurações da Polícia Federal em relação à investigação Jaques Wagner e aos demais casos correlatos.
