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Gigantes de tecnologia comprometem US$ 1,09 trilhão em IA

Gigantes de tecnologia comprometem US$ 1,09 trilhão em IA
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Qual é o montante comprometido pelas gigantes em inteligência artificial?

As cinco principais empresas de tecnologia do mundo - Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e Alphabet - já assumiram compromissos financeiros relacionados à inteligência artificial que totalizam aproximadamente US$ 1,09 trilhão (R$ 5,6 trilhões). Conforme dados levantados pela agência Reuters, esses recursos foram designados para pagamentos futuros, principalmente destinados ao aluguel e construção de centros de processamento de dados, conhecidos tecnicamente como data centers, que servirão como base para a expansão acelerada de serviços de inteligência artificial.

O significado desse volume é bastante representativo quando se considera que essas obrigações financeiras ainda não geraram impactos diretos nos balanços contábeis das corporações. Os contratos de aluguel de infraestrutura para inteligência artificial, neste caso, encontram-se em estágio preliminar, uma vez que a maioria das instalações ainda não foi disponibilizada para operação comercial efetiva.

Por que os investimentos em inteligência artificial não aparecem nos balanços das empresas?

A razão pela qual esses investimentos expressivos em inteligência artificial não constam como obrigações de curto prazo nos balanços financeiros está fundamentada em regras contábeis internacionalmente reconhecidas. De acordo com essas normas, uma empresa que assina um contrato de aluguel de propriedade ou instalação só registra essa obrigação como dívida contábil no momento exato em que o imóvel ou a estrutura fica pronta e disponível para ser utilizada operacionalmente.

Antes dessa disponibilização, as companhias informam apenas os compromissos de pagamento futuro nas notas explicativas que acompanham as demonstrações financeiras oficiais. Essa prática contábil, embora reconhecida como transparente e já considerada por agências de classificação de risco, não impede que o volume de compromissos em inteligência artificial chame atenção. O montante revela a dimensão real da expansão de infraestrutura destinada a IA que ainda permanece invisível nas principais métricas financeiras divulgadas pelas corporações.

O valor de US$ 1,09 trilhão em contratos futuros é aproximadamente quatro vezes maior que os US$ 285 bilhões em contratos de aluguel que já aparecem registrados nos balanços das cinco gigantes. Essa disparidade não significa que os números possam ser somados diretamente à dívida das empresas, pois o montante representa pagamentos distribuídos ao longo de muitos anos, diferentemente das dívidas já registradas, que são calculadas conforme critérios contábeis que consideram o valor presente desses comprometimentos.

Qual empresa apresenta maior concentração de riscos em inteligência artificial?

Entre as cinco corporações analisadas, a Oracle destaca-se pela maior concentração de compromissos futuros relacionados a inteligência artificial. A companhia informou US$ 260 bilhões em contratos que ainda não começaram a valer - um montante praticamente sete vezes superior aos US$ 37,9 bilhões já registrados em seu balanço contábil oficial.

A maioria desses contratos vinculados a infraestrutura para inteligência artificial está programada para que os data centers entrem em operação entre os anos fiscais de 2027 e 2029, com durações contratuais que variam entre 15 e 19 anos. A própria Oracle reconheceu publicamente a existência de riscos significativos associados a esses compromissos: os prazos, preços e condições desses contratos podem divergir substancialmente dos acordos que a companhia estabeleceu com seus respectivos clientes de serviços em nuvem.

Se uma parcela relevante desses clientes deixar de renovar seus contratos de serviços ou não cumprir com os pagamentos previstos, a Oracle continuará obrigada a arcar com os custos operacionais e de manutenção dos data centers. De acordo com análises da Reuters, a dívida da Oracle equivalia a cerca de 4,4 vezes seu Ebitda - indicador que mede a capacidade de geração de caixa operacional - no fim de maio. Quando se incluem também os contratos de aluguel já registrados no balanço, esse índice aumenta para aproximadamente 5,7 vezes.

A agência S&P Global Ratings informou que já incorporou os US$ 260 bilhões em contratos futuros da Oracle em sua análise sobre endividamento da empresa, esperando que esse indicador de alavancagem fique em torno de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027.

Como se distribuem os investimentos em inteligência artificial entre as empresas?

A liderança em compromissos futuros relacionados a inteligência artificial cabe à Microsoft, que informou US$ 329 bilhões em contratos não iniciados, superior aos US$ 88,5 bilhões já registrados em seu balanço. Esse montante reflete a estratégia agressiva da companhia em expandir sua infraestrutura de data centers para sustentação de serviços em nuvem e aplicações de inteligência artificial.

A Meta, por sua vez, comunicou US$ 279 bilhões em contratos ainda não iniciados, com adição de mais US$ 68 bilhões em acordos assinados em julho especificamente para novos data centers dedicados a inteligência artificial. Com essa soma, o total conhecido de compromissos da Meta chega a um montante expressivo dentro do setor.

A Alphabet informou US$ 85,2 bilhões em contratos futuros relacionados a infraestrutura para inteligência artificial. A Amazon, por sua vez, declarou US$ 137,2 bilhões em compromissos, embora essa comparação seja menos direta para a corporação porque esse valor inclui não apenas data centers, mas também contratos de aluguel de armazéns, escritórios, aeronaves e veículos utilizados em suas operações diversificadas.

Qual é o significado desses investimentos para a indústria de tecnologia?

Se a demanda por inteligência artificial continuar crescendo conforme as projeções atuais, esses data centers se tornarão fundamentais para ampliar a oferta de serviços de computação em nuvem, utilizados tanto para armazenamento de dados quanto para execução de aplicações sofisticadas de inteligência artificial. Essas infraestruturas representam o alicerce sobre o qual será construída a próxima geração de serviços digitais.

Contudo, existe um cenário de risco potencial: se o crescimento da demanda por inteligência artificial desacelerar significativamente, as corporações poderão ficar presas a contratos de longo prazo e elevados custos para manter estruturas que talvez não sejam totalmente utilizadas. Esse risco é particularmente relevante dado o volume extraordinário de compromissos já assumidos pelas cinco gigantes de tecnologia, que demonstra a escala da aposta dessas empresas na inteligência artificial como pilar estratégico central para a próxima década.

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