Flávio anuncia candidatura presidencial com agenda social contra a fome

Flávio Bolsonaro confirma candidatura à presidência com agenda de políticas sociais
O senador Flávio Bolsonaro confirmou neste sábado sua candidatura à presidência em 2026, durante evento em Guarulhos, na Grande São Paulo, focando sua agenda no combate à fome e na defesa de programas de transferência de renda. Em discurso que retomou bandeiras históricas de campanhas anteriores, o pré-candidato do PL defendeu que a candidatura presidencial representa uma "missão" delegada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Referências ao discurso de Lula e mensagem de esperança
Durante seu pronunciamento na campanha pela pré-candidatura de André do Prado ao Senado Federal, Flávio Bolsonaro utilizou expressões que remetem à vitória eleitoral de Lula em 2022. O senador afirmou que "a esperança vai vencer o medo esse ano", reproduzindo a mensagem central que o presidente petista havia proferido em seu discurso de vitória. A utilização desse slogan demonstra uma estratégia de apropriação de linguagem que marcou anteriores campanhas presidenciais.
Ao agradecer a presença do governador Tarcísio de Freitas durante o evento, Flávio explicou sua decisão de aceitar a candidatura presidencial. "Eu também não queria lá atrás ser candidato a presidente, mas as circunstâncias e a missão que me foi dada, que eu acredito que é projeto de Deus. Eu vou dar o meu melhor", declarou o senador em referência ao apoio de seu pai.
Propostas radicais para segurança pública e fim da fome
Flávio Bolsonaro apresentou durante o evento suas principais propostas de governo, enfatizando compromissos que descreveu como "radicais" nas áreas de segurança pública, educação e combate à fome. O senador prometeu implementar políticas de encarceramento em massa para criminosos e medidas severas contra violência sexual, enquanto mantém foco em programas sociais.
A proposta mais destacada refere-se ao pacto contra a fome, descrito pelo senador como uma promessa que Lula faz "há mais de 20 anos e não cumpre". Flávio afirmou que busca retomar o legado do programa Fome Zero, criado em 2003, que funcionou como embrião para o atual programa Bolsa Família. "Vou ser radical para cumprir uma promessa que o Lula faz há mais de 20 anos e não cumpre: o pacto contra a fome. É fácil. Basta ter vontade", declarou.
Protocolos de segurança alimentar infantil e apoio às creches
O pré-candidato destinou atenção especial à situação de crianças em condições de insegurança alimentar. Flávio argumentou que garantir nutrição adequada desde os primeiros anos de vida é fundamental para o desenvolvimento infantil. "Porque hoje, uma criança de dois, três anos de idade, não tem o que comer às vezes. Como essa criança vai se desenvolver? É nossa obrigação dar ajuda a essas crianças desde a creche", afirmou.
Entre suas propostas está o compromisso de zerar as filas de espera por vagas em creches brasileiras, mediante apoio direto aos estados e municípios. Essa iniciativa visa facilitar o acesso de mulheres ao mercado de trabalho, removendo obstáculos relacionados ao cuidado infantil. "Vamos ajudar os estados e municípios, para as mulheres terem com quem deixar seus filhos", completou o senador.
Defesa do Bolsa Família como direito adquirido
Dias antes do evento em Guarulhos, Flávio Bolsonaro havia participado de discussão sobre programas de transferência de renda durante o VEJA Fórum Rumos do Brasil. Naquela ocasião, o senador defendeu enfaticamente a manutenção do Bolsa Família, classificando-o como um "direito adquirido" da população brasileira que não pode ser revogado por nenhuma administração futura.
A posição de Flávio representa uma mudança significativa em relação à gestão anterior de seu pai. Durante o governo Bolsonaro (2019-2022), o programa Bolsa Família foi extinto em 2021 e substituído pelo Auxílio Brasil, que iniciou com valor mínimo de R$ 400. O novo programa teve seu valor elevado para R$ 600 em 2022, embora o acréscimo tivesse validade apenas até o final daquele ano.
Proposta de transição para formalização laboral
Flávio apresentou uma solução para aumentar a adesão dos beneficiários do programa a postos de trabalho formal. Segundo dados que citou, aproximadamente 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente e evitam buscar formalização por receio de perder o benefício imediatamente.
A proposta do senador inclui a extensão do período de recebimento do programa para aqueles que conseguem emprego formal ou abrem sua própria empresa. "Nós vamos propor a criação de um programa não só para garantir que as pessoas permaneçam ganhando o Bolsa Família caso passem para um emprego formal ou abram a própria empresa, por um período mais longo, mas também para mostrar que elas têm um caminho e podem caminhar com as próprias pernas", explicou.
Customização de políticas conforme perfil de beneficiários
Reconhecendo a heterogeneidade do público beneficiário de programas de transferência de renda, Flávio propõe a implementação de iniciativas diferenciadas conforme o perfil individual. Entre as medidas sugeridas estão a garantia de acesso à internet de alta velocidade, disponibilização de microcrédito, educação financeira e simplificação de processos burocráticos para abertura de pequenos negócios.
O senador ressaltou a importância de diagnosticar as necessidades específicas de cada grupo: "Tem aquela pessoa que é analfabeta, aquela pessoa que só não tem educação financeira e aquela que já tem uma certa noção, quer abrir o próprio negócio, mas não tem um microcrédito. Veja os perfis diferentes de quem recebe o Bolsa Família", afirmou durante o evento.
Objetivo de autonomia econômica sem dependência política
Flávio enfatizou que seus programas visam promover a independência econômica dos beneficiários em relação ao Estado. O objetivo declarado é capacitar as pessoas para que possam "caminhar com as próprias pernas, sem depender de político nenhum". Para isso, sua agenda inclui atração de grandes investimentos que gerem empregos de qualidade e oportunidades de empreendedorismo.
"Precisamos trazer grandes empreendimentos que gerem empregos e deem um salário melhor, para que as pessoas não precisem mais desse tipo de ajuda. Mas, até lá, quem precisar do governo terá o apoio", declarou o pré-candidato, sinalizando manutenção de suporte governamental durante a transição econômica.
Daniela Marques como assessora econômica
Flávio revelou que a ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniela Marques, está próxima de sua campanha e contribuirá na elaboração de propostas nas áreas econômica e social. Segundo informações de jornalistas que cobrem política, Daniela se licenciou por seis meses de seu atual emprego para se dedicar ao projeto.
A escolha de Daniela Marques conecta-se a sua experiência anterior como secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia durante o governo Bolsonaro, cargo que ocupou sob supervisão do então ministro Paulo Guedes. Flávio destacou particularmente suas iniciativas na Caixa voltadas ao apoio de mulheres empreendedoras.
Contribuições da ex-presidente da Caixa para políticas de microcrédito
Daniela Marques foi nomeada presidente da Caixa por Jair Bolsonaro em junho de 2022, após a saída de Pedro Guimarães, que deixou o cargo consequentemente à divulgação de denúncias de assédio sexual. Durante sua gestão à frente da instituição financeira, implementou programas específicos de suporte a mulheres interessadas em empreender.
Flávio ressaltou que Daniela "mostrou como é possível, com o uso de tecnologia, boa vontade e boas políticas públicas, estender a mão para aquelas pessoas que querem caminhar com as próprias pernas e empreender, mas não sabem como". Sua participação na campanha deve concentrar-se em propostas de microcrédito, educação financeira e simplificação regulatória para pequenos negócios, áreas que sua experiência prévia contempla.
