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Fedorov reclama eleições durante guerra da Ucrânia

Fedorov reclama eleições durante guerra da Ucrânia
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Apelo por eleições durante guerra da Ucrânia

O ex-ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov apresentou publicamente, na terça-feira, um pedido contundente pela realização de eleições presidenciais no território ucraniano, mesmo com a continuidade do conflito armado com a Rússia. Essa manifestação marca o desafio político interno mais significativo contra o presidente Volodymyr Zelensky desde que a invasão russa foi iniciada em 2022. Fedorov, que deixou recentemente sua posição ministerial, tornou-se a figura política de maior relevância a defender abertamente eleições durante guerra da Ucrânia.

Crise de governança e mecanismos democráticos

Em comunicado divulgado através de plataforma de vídeos, Fedorov diagnosticou que o país atravessa uma "crise sistêmica de governança" e propôs a estruturação de um mecanismo legal e seguro para reestabelecer o processo eleitoral apesar do conflito que perdura. Conforme a legislação ucraniana vigente, a realização de pleitos está proibida durante períodos em que a lei marcial permanece em vigor.

O ex-dirigente ministerial argumentou com propriedade: "A democracia não pode ser mantida como refém da Rússia. Precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia renovar plenamente seu processo democrático mesmo nas condições de uma guerra prolongada".

A postura de Fedorov representa a primeira ocasião em que alguém de sua importância política no cenário ucraniano defende, de modo público e direto, a realização de eleições durante o período de combate.

Trajetória política e saída polêmica

Com 35 anos de idade, Fedorov integrou o círculo de principais aliados do presidente até sua demissão abrupta do Ministério da Defesa, ocorrida em julho do corrente ano. O período em que permaneceu no cargo foi reduzido, aproximadamente seis meses após sua posse. No momento de sua indicação, o ex-ministro articulou uma ampla plataforma de reformas, conquistando elevados índices de popularidade entre a população ucraniana.

Posteriormente a sua saída do governo, Fedorov passou a tecer críticas públicas contra o então comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, expondo discordâncias substantivas sobre a condução estratégica do conflito. Essas críticas geraram mobilizações populares em diversas localidades, onde manifestantes solicitavam a substituição de Syrskyi e o retorno de Fedorov ao ministério.

Justificativas presidenciais e desdobramentos

Zelensky justificou a demissão argumentando incapacidade de Fedorov em colaborar de forma adequada com o comando militar. Notavelmente, Syrskyi também deixou seu cargo posteriormente, cedendo à pressão exercida pela opinião pública e por críticos da sua atuação.

Durante seu discurso de terça-feira, Fedorov retomou ataques ao funcionamento governamental, sustentando que a estrutura política oferece resistência às transformações necessárias. Ele declarou: "O velho sistema muitas vezes vive por suas próprias regras. Ele protege a si mesmo. Tem medo da mudança".

Críticas à corrupção e governança

Sem identificar pessoas específicas, o ex-ministro censura a presença de corrupção entre autoridades públicas, afirmando que essa prática prejudica substancialmente o empenho bélico nacional. Há indicações recentes de que Fedorov relaciona sua saída do governo às iniciativas que conduziu para reformular os processos de compras do Ministério da Defesa, responsáveis por movimentações bilionárias de dólares em contratos.

Possibilidade de candidatura presidencial

Embora não tenha declarado intenção explícita de participar de futuras eleições presidenciais, Fedorov é frequentemente apontado como potencial adversário do atual presidente. Conforme pesquisa recentemente obtida pela agência de notícias Reuters, o ex-ministro teria vantagem sobre Zelensky em um eventual segundo turno eleitoral.

Antecedentes na administração pública

Fedorov alcançou proeminência nacional ao desempenhar a função de ministro da Transformação Digital, posição que manteve por período de seis anos. Amplamente reconhecido como um dos principais idealizadores da digitalização dos serviços públicos ucranianos, também foi entre os primeiros a preconizar a utilização em larga escala de drones nas operações militares contra as forças russas.

Quando assumiu a pasta de Defesa em janeiro, apresentou compromissos de modernização baseada em dados e inovação tecnológica, defendendo estratégia de desgaste das capacidades militares russas através de avanços tecnológicos. Fedorov encerrou seu discurso com afirmação significativa: "Nossa população já está pronta há muito tempo para um país diferente. Agora, o Estado precisa se tornar digno de seu povo".

Contexto político atual

As declarações de Fedorov ocorreram poucas horas após Zelensky confirmar a indicação de Yevhenii Khmara para assumir formalmente o cargo de Ministério da Defesa. Esse movimento ocorre em momento de tensão política interna na Ucrânia, quando o país enfrenta desafios simultâneos de natureza militar e administrativa, tornando a questão democrática e reformista central no debate político ucraniano atual.

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