Gazeta de Portugal

Conselho de Direitos Humanos denuncia discurso de ódio em alertas falsos da Defesa Civil

Conselho de Direitos Humanos denuncia discurso de ódio em alertas falsos da Defesa Civil
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/21/misandria-conselho-de-direitos-humanos-aciona-mpf-para-apuracao-de-discurso-de-odio-em-falsos-alertas-da-defesa-civil.ghtml

Representação protocolada contra disparos indevidos

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) protocolou uma representação na Procuradoria da República no Distrito Federal solicitando investigação sobre o discurso de ódio presente em alertas falsos enviados pelo sistema da Defesa Civil. A iniciativa busca apurar as circunstâncias que levaram à disseminação de mensagens contendo conteúdo ofensivo e potencialmente prejudicial à convivência democrática.

A representação foi apresentada no sábado (20), dias após o disparo indevido de dez alertas extremos que atingiram milhões de dispositivos móveis em diferentes regiões brasileiras durante a madrugada. Os alertas faziam referência ao termo "misantropia" e variações, palavra que designa aversão à humanidade e reflete claramente intenção de incitar sentimentos negativos.

Pedido de contraordem oficial e esclarecimento público

O CNDH solicita formalmente que a Defesa Civil emita uma "mensagem de contraordem" através do mesmo canal utilizado para o envio dos alertas falsos. Essa comunicação deve esclarecer a população sobre a natureza indevida da transmissão anterior, deixando evidente que não representa posicionamento institucional oficial e reafirmando que a apologia ao discurso de ódio viola direitos humanos e constitui crime previsto em lei.

A medida visa reparar o dano causado e restabelecer a confiança pública no sistema de alertas da Defesa Civil, instrumento importante para comunicação de emergências e situações críticas que afetam a segurança coletiva.

Investigação sobre origem e conexões extremistas

Conforme explicitado na representação, a plataforma de comunicação em massa da Defesa Civil, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, foi indevidamente utilizada com potencial de gerar desinformação, insegurança coletiva e pânico social entre a população desavisada.

O conselho determina que a apuração deve abranger não apenas a origem dos disparos, mas também identificar possíveis redes de influência e eventuais conexões com a disseminação de conteúdo de ódio, extremismo e radicalização digital em plataformas online e offline.

Preocupação com crescimento do extremismo

Embora o termo predominante nos disparos tenha sido "misantropia", o CNDH observa agravamento de manifestações extremistas com outros teores em circulação no país. A entidade expressa preocupação legítima quanto ao risco de que canais oficiais de comunicação sejam instrumentalizados para difundir narrativas de ódio e radicalizarem grupos vulneráveis.

Ivana Leal, presidente do CNDH, manifestou-se sobre a gravidade do caso: "O crescimento do discurso de ódio é uma das maiores ameaças à convivência democrática da nossa época. Por isso, qualquer episódio que envolva a utilização de canais públicos para a circulação de mensagens que possam estimular hostilidade, intolerância ou desinformação deve ser tratado com a máxima seriedade".

A presidente complementou seu posicionamento afirmando: "A população tem o direito de confiar nas instituições, e essa confiança só se fortalece quando há apuração rigorosa, responsabilização e defesa intransigente dos direitos humanos".

Subscrição da denúncia por relator especializado

Além de Ivana Leal, a representação foi assinada pelo conselheiro Carlos Nicodemos, do Movimento Nacional de Direitos Humanos e coordenador da relatoria especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo no Brasil, reforçando o caráter institucional e especializado da denúncia.

Investigação paralela da Polícia Federal

Paralelamente à ação do CNDH, a Polícia Federal já abriu investigação preliminar para apurar o envio dos alertas falsos. As autoridades investigam a hipótese de que o incidente teria sido provocado por invasão ou ataque hacker ao sistema da Defesa Civil, o que explicaria o disparo indevido de mensagens com conteúdo inadequado a milhões de celulares simultaneamente.

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