Gazeta de Portugal

Colômbia encerra votação; Cepeda e Espriella disputam presidência

Colômbia encerra votação; Cepeda e Espriella disputam presidência
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/21/urnas-fecham-eleicoes-presidenciais-colombia.ghtml

Colômbia encerra votação presidencial com disputa histórica

O processo eleitoral colombiano chegou ao seu desfecho neste domingo (21) com o encerramento das eleições presidenciais na Colômbia no segundo turno. A autoridade eleitoral iniciou imediatamente a apuração dos votos que definirá os próximos quatro anos de governo no país latino-americano. A disputa representa um momento crucial para a nação, opondo duas visões políticas radicalmente diferentes sobre o futuro da Colômbia.

A votação se encerrou às 18h no horário de Brasília, conforme confirmado pela agência de notícias AFP. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) colombiano reafirmou que o país possui "a democracia mais forte do mundo" e destacou a presença de observadores internacionais, incluindo representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia, acompanhando todo o processo.

Confronto entre esquerda e direita no segundo turno

A eleição se transformou em uma verdadeira "queda de braço" entre o atual presidente Gustavo Petro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De um lado, Iván Cepeda, candidato apoiado pelo governo Petro, representa a continuidade de políticas de esquerda. Do outro, Abelardo de la Espriella, apoiado explicitamente por Trump, encarna a onda conservadora que varre a América Latina.

Iván Cepeda, filósofo de 63 anos e senador veterano com longa atuação na defesa dos direitos humanos, promete dar prosseguimento ao projeto político de Petro. Sua campanha enfatizou os avanços sociais alcançados durante o governo atual, posicionando-o como favorito nas pesquisas iniciais. No entanto, o candidato esquerdista também herdou o desgaste político resultante das dificuldades enfrentadas na segurança pública e no combate ao crime organizado durante a gestão petista.

Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos com experiência empresarial mas sem trajetória política prévia, apresenta-se como um "salvador anti-establishment". O candidato ultraconservador venceu o primeiro turno com promessas de linha dura contra a criminalidade, redução de programas governamentais, cortes de impostos e intensificação da exploração petrolífera. Espriella é naturalizado americano, anteriormente residente em Miami e registrado como republicano.

Propostas divergentes para segurança e economia

A questão da segurança pública emergiu como fator central nesta campanha presidencial da Colômbia. Espriella, admirador das políticas implementadas por Trump e pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele, promete uma ofensiva militar massiva e a construção de dez megapresídios. "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei", declarou o candidato ultradireitista.

Cepeda, contrariamente, apostou em estratégia oposta, comprometendo-se a dar prosseguimento às negociações de paz com grupos armados que enfrentam o Estado há décadas. Na sexta-feira anterior ao segundo turno, o governo colombiano divulgou informações sobre a entrega de armas por aproximadamente cem guerrilheiros após tratativas conduzidas pela administração Petro, reforçando esse compromisso.

Em relação à economia, Espriella responsabiliza Petro pelos problemas econômicos e securitários da nação. Promete reduzir o tamanho do aparato estatal em 40%, ampliar a base tributária e diminuir impostos corporativos para estimular o emprego no setor privado. O analista político Eduardo Pizarro destacou à Reuters que "a segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno".

Contexto de violência e preocupações eleitorais

A percepção de insegurança aumentou nas áreas urbanas colombianas, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Simultaneamente, a expansão de grupos armados em regiões rurais impactou significativamente a população civil. Pesquisas de opinião apontam a violência como principal fator de preocupação entre colombianos, superando questões econômicas.

A contestação ao resultado do primeiro turno, quando Espriella surpreendentemente venceu apesar de Cepeda liderar as pesquisas anteriores, elevou as tensões políticas. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu explicitamente que todas as partes respeitem o resultado final. Autoridades temem que a contestação de uma das partes aos resultados incentive protestos públicos e aumente episódios violentos durante o processo eleitoral.

Esses temores intensificaram-se considerando que Miguel Uribe, candidato direitista que era um dos favoritos nas pesquisas anteriores, foi assassinado durante um comício no ano passado, demonstrando a volatilidade e o clima polarizado do ambiente político colombiano.

Implicações regionais da eleição colombiana

Caso Abelardo de la Espriella vença as eleições presidenciais na Colômbia, representará o maior triunfo da onda conservadora que varre a América Latina atualmente. Uma vitória do ultradireitista isolaria ainda mais os governos de esquerda na região e redesenharia significativamente as alianças geopolíticas do continente.

A onda que levou outros líderes de extrema direita à vitória na América Latina já conta entre seus principais representantes Nayib Bukele em El Salvador, Javier Milei na Argentina e José Antonio Kast no Chile. Uma vitória de Espriella ampliaria consideravelmente esse movimento regional.

Após o encerramento das eleições presidenciais na Colômbia, o presidente Petro afirmou seu respeito pelos resultados, assim como Cepeda. O candidato esquerdista garantiu que sua equipe realizará "supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa" de todo o processo de apuração, buscando legitimar o resultado independentemente do vencedor.

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