Gazeta de Portugal

Brasil perde R$ 13,2 bi em exportações aos EUA antes de nova tarifa

Brasil perde R$ 13,2 bi em exportações aos EUA antes de nova tarifa
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/16/antes-da-nova-tarifa-brasil-ja-havia-perdido-r-132-bilhoes-em-exportacoes-para-os-eua-diz-cni.ghtml

Prejuízos Anteriores às Novas Tarifas

O Brasil já enfrentava perdas significativas em exportações para os EUA antes mesmo da implementação da nova tarifa de 25% anunciada pelo governo americano. De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), as perdas de exportações Brasil EUA somaram R$ 13,28 bilhões apenas em 2025, resultado direto de um cenário tarifário fragmentado que penaliza diversos setores da economia brasileira.

Essa situação anterior à nova cobrança já revelava um mercado severamente impactado por estruturas tarifárias discriminatórias. O panorama comercial entre os dois países estava dividido em três grupos distintos de incidência tributária, criando um ambiente de incerteza permanente para exportadores brasileiros.

Estrutura Tarifária Fragmentada Existente

Antes do anúncio da tarifa adicional de 25%, as cobranças americanas sobre produtos brasileiros já seguiam uma divisão complexa. Aproximadamente 46% das importações brasileiras não pagavam sobretaxas adicionais, enquanto 25% estavam sujeitos a uma tarifa geral de 10%. O segmento mais afetado era composto por 29% dos produtos, principalmente compostos por aço, alumínio e cobre, que já enfrentavam tarifas específicas de até 50% conforme a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962.

Essa estrutura fragmentada criava um ambiente comercial altamente instável, prejudicando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano e incentivando a busca por mercados alternativos.

Impacto Nos Estados Federativos Brasileiros

O levantamento realizado pela CNI demonstra que as consequências das tarifas já existentes alcançaram amplitude nacional. Dos 27 estados brasileiros, 20 unidades da Federação registraram redução em suas exportações para os EUA durante o primeiro semestre de 2026, comparado ao período equivalente do ano anterior.

As perdas de exportações Brasil EUA manifestaram-se de forma generalizada, com as exportações totais apresentando retração de 13% nesse período. A queda foi especialmente severa no segmento de bens industriais, que registrou redução de 8,7%. Os produtos mais afetados incluem semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço.

Posição do Brasil Como Exportador

Apesar desse cenário adverso, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. Isso indica que, mesmo enfrentando barreiras comerciais significativas, o mercado americano continua sendo essencial para a estratégia exportadora do Brasil.

A persistência dessa relação comercial, apesar das dificuldades, ressalta a importância estrutural dos EUA como parceiro comercial e a necessidade de o Brasil desenvolver estratégias para manter essa conexão.

Novas Tarifas Ampliando a Crise

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou no dia 15 de julho a imposição de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, com vigência a partir de 22 de julho. Essa medida foi determinada pelo presidente Donald Trump após conclusão de que políticas e práticas brasileiras seriam "desarrazoadas" e restringiriam o comércio norte-americano.

Segundo comunicado do USTR, o objetivo da medida seria "nivelar o campo de jogo" para proteger agricultores, trabalhadores, empresas e inovadores dos EUA. Contudo, analistas avaliam que a decisão intensificará pressões já presentes sobre a indústria brasileira.

Reações da Indústria Nacional

Ricardo Alban, presidente da CNI, manifestou preocupação com o cenário que se descortina. Segundo o executivo, "diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e EUA construíram".

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também expressou inquietação com a decisão americana, alertando que a tarifa adicional de 25% amplia consideravelmente os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros.

Possíveis Consequências Econômicas

De acordo com análise da FIEMG, o impacto efetivo das novas tarifas dependerá da lista final de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido a concorrentes de outros países. A federação alertou para possíveis efeitos em cascata, incluindo substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais.

Economistas apontam que uma eventual retaliação brasileira, amparada na Lei de Reciprocidade Econômica, poderia elevar custos de produtos e insumos importados dos Estados Unidos, pressionando ainda mais a inflação brasileira. Esse movimento potencial criaria um efeito em cadeia, mantendo juros elevados por mais tempo e reduzindo o ritmo da atividade econômica.

Investigação Comercial Adicional

Além dessa medida imediata, o governo americano conduz outra investigação comercial que pode resultar em tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A cobrança, prevista para 60 economias, é justificada pela avaliação de Washington de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Esse risco adicional amplia ainda mais a incerteza enfrentada por exportadores brasileiros, tornando o ambiente comercial ainda mais desafiador para as próximas semanas.

Próximos Passos do Brasil

O governo brasileiro pretende analisar a lista final de produtos atingidos pela nova tarifa para definir os próximos passos, incluindo continuidade das negociações ou eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.

As perdas de exportações Brasil EUA já documentadas pela CNI servem como alerta para a urgência de resolução diplomática dessa crise comercial, antes que novos danos se acumulem à economia brasileira.

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