Gazeta de Portugal

AGU move ações para confiscar R$ 190,3 milhões

AGU move ações para confiscar R$ 190,3 milhões
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

AGU confisca bens crime organizado em primeira ação histórica

A Advocacia-Geral da União (AGU) iniciou, na terça-feira (20), um procedimento inédito ao ingressar com ações judiciais destinadas a retirar bens de suspeitos envolvidos com crime organizado, fundamentando-se na legislação antifacção recentemente promulgada. As medidas da AGU refletem uma nova estratégia de combate ao patrimônio ilícito acumulado por criminosos.

Conforme informações divulgadas pela AGU, foram protocoladas quatro ações de natureza civil que solicitam ao Poder Judiciário a transferência para a União de aproximadamente R$ 190,3 milhões em patrimônio que, de acordo com averiguações conduzidas, originou-se de práticas ilícitas diversas, incluindo o tráfico internacional de entorpecentes, escoamento clandestino de produtos agrícolas e derivados de fumo, bem como operações de ocultação de origem de valores.

Abrangência das ações e organizações criminosas investigadas

O escopo dessas ações judiciais envolve no mínimo 87 indivíduos denunciados pela conexão com agrupamentos criminosos de destaque no cenário nacional, particularmente o Primeiro Comando da Capital e a organização conhecida como Comando Vermelho. A investigação, que culminou na utilização da AGU confisca bens crime organizado, representa um marco na aplicação da legislação específica.

Novo marco legal antifacção

Trata-se do primeiro emprego prático do dispositivo integrado à legislação antifacção, que adquiriu vigência durante o mês de março do presente ano. Este instrumento normativo autoriza o sistema judiciário a determinar a perda de patrimônio por acusados que mantenham nexo com entidades criminosas, mesmo anterior à sentença condenatória definitiva. Essa inovação processual permite uma ação mais ágil contra o enriquecimento ilícito.

A implementação dessas medidas demandou esforço considerável de rastreamento patrimonial, análise cruzada de informações relativas aos acusados, membros familiares, colaboradores próximos, além de estruturas empresariais associadas aos investigados. O trabalho conjunto envolveu o Ministério da Justiça através de sua célula especializada em Laboratório de Recuperação de Ativos, instituições como a Receita Federal, a Controladoria-Geral da União e o Conselho Nacional de Justiça.

Metodologia de identificação patrimonial

Uma estratégia relevante consistiu em localizar propriedades de expressivo valor econômico registradas em nomes de pessoas com vinculação ao ambiente criminoso, mas que não demonstravam antecedentes ou fontes legítimas de renda compatíveis com a aquisição de tais ativos. Mediante esse diagnóstico detalhado, a AGU prosseguiu com o acionamento da Justiça na data mencionada.

Objetivo estratégico contra o crime organizado

O propósito fundamental dessa empreitada reside em impactar diretamente a base econômica de organizações criminosas, diminuindo recursos que, de outra forma, permaneceriam disponíveis para financiar operações ilícitas continuadas e expandir a atuação dessas quadrilhas. Essa abordagem representa uma transformação na forma como o Estado enfrenta o financiamento de atividades criminosas.

Operação Hinterland e tráfico internacional

Uma das demandas judiciais apresentadas pela AGU busca transferir R$ 108,2 milhões em bens pertencentes a indivíduos investigados por participação no comércio internacional de cocaína, particularmente rotas de distribuição para nações europeias. Os acusados foram objeto de investigação dentro da denominada operação Hinterland, conduzida pela instituição federal de investigações, que identificou que essa estrutura movimentou montantes superiores a R$ 3 bilhões.

Os trabalhos investigativos revelaram múltiplos ativos ligados aos investigados, abrangendo residências de alto padrão, veículos de categorias premium, gemas e pedras de valor comercial relevante, além de equipamentos aeronáuticos. Esses achados fundamentam as demandas apresentadas pela AGU junto ao Poder Judiciário para que seja decretado o confisco de tais patrimônios em benefício da União.

Impacto das ações judiciais

A utilização efetiva dessa lei antifacção representa um ponto de virada nas estratégias estatais contra o crime organizado. Pela primeira vez, a AGU confisca bens crime organizado em amplitude compatível com a escala operacional dessas organizações, demonstrando que o Estado está em posição de atacar não apenas os operadores criminosos, mas a estrutura econômica que viabiliza suas atividades ilícitas contínuas.

⏱ 4 min de leitura · 👁 2 leituras Partilhar 𝕏 X f Facebook ✈ Telegram in LinkedIn

Continuar a ler

Criptomoedas

XRP $1.3400 ▲ 3.14%
Cardano (ADA) $0.2254 ▲ 3.9%
Dogecoin (DOGE) $0.0821 ▲ 3.51%

Divisas

USD/EUR0.8917
EUR/GBP0.8403