O especialista em gestão de fogos florestais José Cardoso Pereira tem sido uma voz ativa na luta contra os incêndios florestais em Portugal. Com anos de experiência e conhecimento na área, ele tem defendido a importância de medidas eficazes para prevenir e combater esses desastres naturais que afetam não apenas o meio ambiente, mas também a vida e o sustento das comunidades locais.
Em uma entrevista à Agência Lusa, Pereira enfatizou a necessidade de apostar na “dinamização da pastorícia” e na “gestão coordenada” de pequenas propriedades como forma de reduzir o risco de incêndios. Ele acredita que essas são medidas cruciais que podem ser implementadas de forma eficaz e sustentável para proteger as florestas e as comunidades que dependem delas.
A pastorícia é uma prática antiga em Portugal, que consiste na criação de animais em áreas rurais, como ovelhas, cabras e vacas. Além de ser uma importante fonte de subsistência para muitas famílias, a pastorícia também desempenha um papel fundamental na prevenção de incêndios florestais. Ao pastar o gado, os pastores mantêm a vegetação baixa e evitam a acumulação de material combustível, reduzindo assim o risco de incêndios.
No entanto, nos últimos anos, a atividade pastoril tem enfrentado desafios significativos, como a falta de pastagens adequadas e a diminuição do número de pastores. Pereira acredita que é necessário investir na dinamização da pastorícia, fornecendo apoio e incentivos aos pastores, como a criação de pastagens artificiais e a melhoria das condições de trabalho. Isso não só ajudará a preservar a tradição e o modo de vida dos pastores, mas também terá um impacto positivo na prevenção de incêndios florestais.
Outra medida importante defendida por Pereira é a gestão coordenada de pequenas propriedades. Muitas vezes, as áreas florestais são compostas por pequenas propriedades pertencentes a diferentes proprietários, o que dificulta a implementação de medidas de prevenção e combate a incêndios. Pereira propõe a criação de associações de proprietários de terras, que possam trabalhar juntas para gerir eficazmente as suas propriedades e implementar medidas de prevenção de incêndios.
Além disso, Pereira acredita que é necessário um maior envolvimento das comunidades locais na prevenção e combate a incêndios. Ele sugere a criação de equipas de voluntários treinados e equipados para responder rapidamente a incêndios florestais, antes que eles se tornem incontroláveis. Essas equipas poderiam ser formadas por moradores locais, que conhecem bem a área e podem agir rapidamente em caso de emergência.
Pereira também destaca a importância de uma abordagem integrada na gestão de incêndios florestais. Isso inclui a utilização de tecnologias avançadas, como drones e sistemas de alerta precoce, para detetar e combater incêndios de forma mais eficaz. Além disso, ele enfatiza a importância de uma estratégia de reflorestamento sustentável, que promova a diversidade de espécies e a resiliência das florestas.
No entanto, Pereira ressalta que essas medidas devem ser implementadas em conjunto com uma mudança de mentalidade. Ele acredita que é necessário um maior respeito e consciência em relação às florestas e ao meio ambiente em geral. Isso inclui a educação e sensibilização da população sobre a importância de preservar e proteger as nossas florestas e a ado

