O aclamado Festival de Cinema de Veneza, um dos mais renomados festivais de cinema do mundo, divulgou recentemente seu programa dedicado a “obras-primas restauradas”, e entre as selecionadas está o filme “Aniki-Bobó”, a primeira longa-metragem do lendário cineasta português Manoel de Oliveira.
Com isso, o festival presta homenagem a um dos grandes nomes do cinema português, que faleceu em 2015 aos 106 anos de idade, deixando um legado inestimável para a sétima arte. “Aniki-Bobó” será exibido em agosto e setembro, juntamente com outros filmes restaurados de renomados diretores, como Alfred Hitchcock e Federico Fellini.
Lançado em 1942, “Aniki-Bobó” marcou a estreia de Oliveira como diretor de longas-metragens, após já ter dirigido alguns curtas e documentários. O filme se passa em uma cidade do Porto, em Portugal, e conta a história de um grupo de crianças que sonham em se tornar membros de uma gangue, liderada por um menino chamado “Aniki”, que significa irmão mais velho. O longa mostra os conflitos entre os meninos, a rivalidade com as meninas e a ingenuidade infantil em meio a um contexto de pobreza e violência urbana.
A produção do filme foi desafiadora para Oliveira, que enfrentou dificuldades financeiras e técnicas durante a realização, mas que conseguiu superar todos os obstáculos e entregar uma obra-prima que até hoje é referenciada e cultuada por cinéfilos e especialistas em cinema.
Apesar de ser um filme com temática infantil, “Aniki-Bobó” apresenta uma forte crítica social e política. Oliveira aborda a desigualdade social e os efeitos da pobreza na vida das crianças, através do olhar inocente e ao mesmo tempo perspicaz dos protagonistas. Além disso, o filme é uma importante obra do movimento neorrealista, que marcou o cinema português nos anos 40, com um olhar mais realista e humano sobre a vida das pessoas comuns.
A exibição de “Aniki-Bobó” no Festival de Veneza é uma oportunidade única para os amantes do cinema apreciarem essa obra-prima em toda a sua glória, após uma restauração cuidadosa pela Cinemateca Portuguesa, que buscou preservar a qualidade original do filme. Além disso, é uma oportunidade para as novas gerações conhecerem a genialidade de Manoel de Oliveira e sua contribuição para a história do cinema.
Para os cinéfilos e especialistas, a exibição de “Aniki-Bobó” em Veneza é um marco na história do cinema português e um momento de celebração da carreira de um dos mais importantes diretores do país. Para Portugal, é um orgulho ver sua cultura e arte sendo reconhecida em um dos festivais de cinema mais prestigiados do mundo.
A exibição de “Aniki-Bobó” no Festival de Veneza também é uma forma de manter viva a memória e o legado de Manoel de Oliveira, que deixou um grande vazio na cinematografia portuguesa e mundial com sua partida. O cineasta foi um pioneiro em muitos aspectos, além de ser um exemplo de dedicação e perserverança, continuou dirigindo filmes até seus 100 anos de idade.
A escolha do Festival de Veneza em exibir “Aniki-Bobó” é um reconhecimento do valor artístico e cultural do cinema português e de sua importância na história do cinema mundial. É um convite para que mais pessoas conheçam e valorizem a riqueza e diversidade da produção cinematográfica de Portugal.
Em resumo, a exibição

