A confiança nas notícias é um pilar fundamental para qualquer sociedade democrática, pois é através dela que os cidadãos obtêm informações precisas e confiáveis sobre os acontecimentos ao seu redor. No entanto, nos últimos anos, temos assistido a uma queda significativa na confiança das notícias em todo o mundo, e Portugal não é exceção.
De acordo com o Digital News Report Portugal 2025 (DNRPT25), divulgado recentemente, a confiança nas notícias em Portugal caiu 10 pontos percentuais entre 2015 e 2025, apesar de ainda se manter entre os países onde se regista maior confiança, com 54%. Esses dados são preocupantes, mas não devem ser motivo para desânimo. Pelo contrário, é importante analisar as causas dessa queda e buscar soluções para reverter esse cenário.
Uma das principais causas apontadas pelo DNRPT25 para a queda na confiança nas notícias em Portugal é a disseminação de notícias falsas, também conhecidas como “fake news”. Com o avanço da tecnologia e o aumento do acesso à internet, tornou-se mais fácil para as pessoas compartilharem informações sem verificar sua veracidade, o que pode levar à propagação de desinformação e desconfiança nos meios de comunicação tradicionais.
Outro fator que contribui para a queda na confiança nas notícias é a polarização política. Em momentos de grande divisão ideológica, é comum que os cidadãos se fechem em bolhas informativas, consumindo apenas notícias que confirmem suas opiniões e ignorando aquelas que vão de encontro às suas crenças. Isso cria um ambiente propício para a disseminação de informações tendenciosas e, consequentemente, para a desconfiança nas notícias em geral.
No entanto, apesar desses desafios, é importante destacar que Portugal ainda se mantém entre os países onde a confiança nas notícias é maior. Isso é reflexo da qualidade do jornalismo português, que tem um papel fundamental na sociedade e na democracia. É importante ressaltar que o DNRPT25 apontou que os portugueses ainda confiam mais nas notícias veiculadas pelos meios de comunicação tradicionais, como a televisão e os jornais impressos, do que nas redes sociais e em outros meios online.
Além disso, é preciso destacar que há iniciativas sendo tomadas para combater as fake news e promover a educação midiática. O Governo Português lançou recentemente o Plano Nacional para a Literacia dos Media, que tem como objetivo promover a literacia dos cidadãos em relação aos meios de comunicação, capacitando-os para analisar criticamente as informações que consomem e identificar as notícias falsas.
Outra iniciativa importante é o Projeto Cidadão Ativo, que promove a participação cívica e o exercício da cidadania através da educação para os media. O projeto tem como foco a formação de jovens e adultos para que se tornem cidadãos ativos e críticos, capazes de discernir entre informações verdadeiras e falsas.
Além disso, é importante que os próprios meios de comunicação continuem investindo na qualidade do jornalismo, buscando sempre a imparcialidade e a veracidade dos fatos. A transparência e a prestação de contas à sociedade também são fundamentais para manter a confiança nas notícias.
É necessário também que os cidadãos façam a sua parte, buscando sempre fontes confiáveis e verificando a veracidade das informações antes de compartilhá-las. A educação midiática deve ser incentivada em todas as idades, para que as pessoas possam se tornar consumidores críticos e responsáveis.

