Os partidos de extrema-direita europeus estão cada vez mais utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa (GenAI) para se conectarem com os eleitores e disseminarem suas mensagens de forma eficaz. Essa é a conclusão de uma recente investigação realizada pelo European Democracy Monitoring Organization (EDMO).
A GenAI é uma tecnologia que permite a criação de conteúdo automatizado, incluindo textos, imagens e vídeos, com base em algoritmos e dados previamente inseridos. Essa ferramenta tem sido amplamente utilizada por empresas de marketing e publicidade, mas agora está sendo adotada por partidos políticos, especialmente os de extrema-direita, para alcançar e influenciar os eleitores.
De acordo com o EDMO, essa tendência está se tornando cada vez mais comum entre os partidos de extrema-direita na Europa. Eles estão investindo em tecnologias de GenAI para criar conteúdo personalizado e direcionado, com o objetivo de atrair e engajar eleitores em suas plataformas políticas.
Uma das principais vantagens da utilização da GenAI é a capacidade de criar conteúdo em grande escala e em tempo real. Isso permite que os partidos de extrema-direita se adaptem rapidamente às mudanças de opinião pública e às tendências políticas, criando conteúdo que ressoe com os eleitores em diferentes plataformas, como redes sociais e sites de notícias.
Além disso, a GenAI também é capaz de segmentar o público-alvo com precisão, permitindo que os partidos de extrema-direita alcancem grupos específicos de eleitores com mensagens personalizadas. Isso é particularmente eficaz em campanhas eleitorais, onde cada voto conta e a persuasão é fundamental.
No entanto, o uso de GenAI por partidos de extrema-direita também levanta preocupações sobre a disseminação de desinformação e propaganda política. Como a tecnologia é capaz de criar conteúdo automatizado, é difícil determinar a veracidade das informações compartilhadas pelos partidos políticos. Isso pode levar a uma polarização ainda maior da sociedade e à manipulação dos eleitores.
Além disso, a GenAI também pode ser utilizada para criar deepfakes, que são vídeos ou imagens manipulados para parecerem reais. Essa prática pode ser usada para difamar adversários políticos ou espalhar informações falsas, prejudicando a integridade das eleições e da democracia.
Diante dessas preocupações, o EDMO destaca a importância de regulamentar o uso de GenAI na política. É necessário estabelecer diretrizes claras e éticas para o uso dessa tecnologia, garantindo que ela não seja usada para manipular ou enganar os eleitores.
Além disso, é fundamental que os eleitores estejam cientes da existência e do potencial da GenAI na política. Isso pode ajudá-los a identificar e questionar conteúdos duvidosos ou manipulados, evitando que sejam influenciados por informações falsas.
Em resumo, a utilização de ferramentas de inteligência artificial generativa por partidos de extrema-direita na Europa é uma tendência preocupante, mas também mostra o potencial dessa tecnologia para influenciar e engajar os eleitores. É necessário um equilíbrio entre o uso ético e responsável da GenAI e a proteção da democracia e da integridade das eleições. Cabe às autoridades políticas e à sociedade como um todo garantir que a GenAI seja usada de forma transparente e responsável, para que não se torne uma ameaça à democracia.
