A cor avermelhada de Marte é tão icônica quanto o próprio planeta. Por décadas, cientistas têm se perguntado sobre a origem dessa cor que cobre a superfície marciana, dando-lhe a aparência de um planeta “ferrugem”. Agora, um novo estudo sugere que essa cor pode ser ainda mais antiga do que se pensava anteriormente, o que nos leva a entender melhor a história do planeta vermelho.
De acordo com uma pesquisa publicada hoje, a cor ferrugem das poeiras de Marte pode ter origens muito mais antigas do que se imaginava. O estudo, liderado por cientistas da Universidade de Los Angeles (UCLA), sugere que a cor vermelha de Marte remonta a quando o planeta possuía água líquida em sua superfície, há bilhões de anos.
A descoberta foi feita através de análises de amostras coletadas pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA, que orbita o planeta desde 2006. Os cientistas usaram um instrumento chamado Compact Reconnaissance Imaging Spectrometer for Mars (CRISM) para estudar as poeiras marcianas e sua composição química.
Os resultados mostraram que a cor vermelha das poeiras de Marte é devida à presença de óxidos de ferro, conhecidos como hematita. Esses óxidos são formados a partir da oxidação do ferro presente nas rochas do planeta, que é um processo que requer a presença de água líquida.
“Essa descoberta nos leva a acreditar que a cor vermelha de Marte é um registro da presença de água líquida em sua superfície há bilhões de anos”, disse Bethany Ehlmann, professora de ciências planetárias da UCLA e co-autora do estudo. “Isso nos dá uma nova perspectiva sobre a história do planeta vermelho e sua capacidade de sustentar a vida”.
Anteriormente, acreditava-se que a cor vermelha de Marte era devido à oxidação do ferro em sua superfície, causada pela exposição à radiação solar e ao peróxido de hidrogênio presente na atmosfera. No entanto, essa teoria foi contestada pelos dados coletados pela sonda MRO, que mostraram que a distribuição dos óxidos de ferro é muito mais extensa do que se imaginava.
Os cientistas também descobriram que a concentração de hematita é maior em áreas onde se acredita ter havido água líquida no passado, como o antigo lago Jezero, que será explorado pela missão Mars 2020 da NASA. Isso reforça ainda mais a teoria de que a cor vermelha de Marte tem origem na presença de água líquida.
Além disso, a descoberta de que a cor vermelha é mais antiga do que se pensava anteriormente indica que Marte pode ter abrigado água líquida por um período mais longo do que se imaginava. Isso aumenta as chances de que o planeta tenha sido habitável em algum momento de sua história, o que é uma descoberta emocionante para os cientistas que buscam evidências de vida fora da Terra.
“Agora sabemos que a cor vermelha de Marte está ligada à presença de água líquida, o que é um ingrediente fundamental para a vida como a conhecemos”, disse Caroline Freissinet, cientista planetária da NASA e co-autora do estudo. “Isso nos dá uma nova perspectiva sobre a habitabilidade do planeta vermelho e nos motiva a continuar explorando Marte em busca de respostas”.
Com essa nova descoberta, a missão Mars 2020 da NASA ganha ainda mais importância. Além de buscar evidências de vida passada em Marte, a

