O Carnaval é uma das festas mais populares e tradicionais do Brasil. Com suas cores vibrantes, músicas animadas e fantasias criativas, a festa atrai milhões de pessoas todos os anos. Mas, além de ser uma celebração de alegria e diversão, o Carnaval também pode ser uma importante ferramenta para levantar questões sociais e conscientizar a população sobre temas relevantes. E foi isso que o bloco Mulheres Rodadas fez ao desfilar no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (18).
O bloco, que existe desde 2015, tem como objetivo discutir e combater o assédio, a violência doméstica e o feminicídio por meio de suas fantasias, performances e músicas. E neste ano, a mensagem foi ainda mais forte, com a presença de Luciana Peres, de 46 anos, que desfilou com uma marca de tiro feita de pintura corporal e eletrochoques simbolizados por lantejoulas prateadas em sua perna de pau. Sua fantasia fazia referência às tentativas de assassinato sofridas pela farmacêutica Maria da Penha Fernandes, em 1983.
Maria da Penha se tornou uma vítima emblemática da violência doméstica no Brasil, após sofrer agressões constantes de seu ex-marido e lutar por justiça durante anos. Sua luta foi reconhecida em 2006, quando deu nome à lei federal que tipifica o crime de violência doméstica no país. E é por isso que Luciana decidiu homenageá-la em seu desfile, lembrando também que em 2026 a lei Maria da Penha completará 20 anos.
No ano passado, o Brasil atingiu um recorde de feminicídio, o que reforça a importância de abordar esse tema no Carnaval. E o bloco Mulheres Rodadas cumpre esse papel de forma criativa e impactante. Além da fantasia de Luciana, outras performances durante o desfile também fizeram alusão à violência contra as mulheres, como acrobacias que simulavam agressões e tintas vermelhas que representavam sangue.
Mas o bloco também traz uma mensagem de solidariedade entre as mulheres. A lista de músicas é cuidadosamente preparada, sempre com o objetivo de destacar a força e a luta feminina. Marchinhas clássicas, como Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, se misturam a temas atuais, como Vai, Malandra, de Anitta, e Ama sofre e chora, de Pabllo Vittar. E até mesmo composições internacionais icônicas, como Toxic, de Britney Spears, ganham uma versão feminista no repertório do bloco.
Essa escolha de músicas não é por acaso. A regente e coordenadora de percussão do bloco, Simone Ferreira, explica que o repertório é sempre voltado para intérpretes e compositoras mulheres, ou temas femininos e feministas. E isso mostra a importância de dar espaço e visibilidade para as mulheres na música, um setor ainda muito dominado por homens.
Mas o Mulheres Rodadas não se limita apenas ao Carnaval. O bloco também promove ações durante todo o ano, como debates, palestras e oficinas, com o objetivo de conscientizar e empoderar as mulheres. E o resultado é visível. O bloco atrai cada vez mais foliãs e foliões, que se identificam com a causa e se unem para lutar por um mundo mais igualitário e justo.
E é exatamente isso que o bloco espera alcançar com seu desfile. A mensagem de combate à violência contra as mulheres precisa ser disseminada e discutida por toda a sociedade. E o Carnaval, que é uma festa tão popular e democrática

