A assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, ocorrida no último sábado (17), representa um marco histórico para a indústria brasileira. Após mais de 25 anos de negociações, esse tratado é considerado o mais moderno e abrangente já firmado pelo bloco sul-americano e vai além da simples redução de tarifas, incorporando medidas que visam aumentar a previsibilidade regulatória, reduzir custos e criar um ambiente mais favorável aos investimentos, à inovação e à criação de empregos.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o acordo vai aumentar de 8% para 36% o acesso do Brasil ao mercado de importações mundiais de bens. Isso porque a União Europeia, sozinha, responde por 28% do comércio global. Além disso, 54,3% dos produtos negociados terão imposto zerado na UE assim que o acordo entrar em vigor. Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos.
Um dos principais benefícios do acordo é a geração de empregos. Segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE, serão criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. Esses números demonstram o potencial de crescimento que o acordo trará para a economia brasileira, impulsionando a indústria e gerando novas oportunidades de trabalho.
Além disso, o acordo também traz benefícios para o setor agroindustrial, com cotas que favorecem setores-chave e ampliam o acesso ao mercado europeu. As cotas de carne bovina, por exemplo, são mais do que o dobro das concedidas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México. Já as cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso ao mercado europeu.
Outro ponto importante a ser destacado é a cooperação tecnológica que será impulsionada pelo acordo. Com a criação de um ambiente favorável para projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica, o Brasil poderá se fortalecer ainda mais como um país de economia de baixo carbono. Isso abrirá novas oportunidades para o desenvolvimento de tecnologias de descarbonização industrial, como captura, uso e armazenamento de carbono, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão e reciclagem de baterias e minerais críticos.
A assinatura do acordo também é benéfica para a diversificação da pauta exportadora brasileira. Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país. Com a ampliação do acesso ao mercado europeu, o Brasil poderá expandir suas exportações e reduzir sua dependência de outros mercados.
É importante ressaltar que a entrada em vigor do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos. Porém, a CNI acredita que a formalização do tratado é uma virada estratégica para a indústria brasileira e trará benefícios significativos para a economia do país.
Em resumo, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é um marco histórico para a indústria brasileira, trazendo vantagens como o aumento do acesso ao

