A retomada das atividades na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 21 de setembro, foi marcada por um episódio lamentável que ganhou as manchetes dos principais veículos de comunicação do país. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal da cadeira da presidência da casa, durante uma sessão que tratava de um projeto sobre Cadastro Ambiental Rural (CAR).
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tentou acalmar os ânimos e prosseguir com os trabalhos, mas a situação gerou grande repercussão e expectativa em relação ao projeto de lei que trata da dosimetria da pena dos condenados no 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta pode resultar na redução das penas.
Motta, que reassumiu a cadeira da presidência após a retirada de Braga, se pronunciou sobre o ocorrido e ressaltou que a cadeira não pertence a ele, mas sim à República, à democracia e ao povo brasileiro. Ele deixou claro que nenhum parlamentar pode transformar o cargo em instrumento de intimidação, espetáculo ou desordem, e que todos devem obedecer as leis e o Regimento Interno da casa.
O presidente da Câmara ainda determinou a apuração dos excessos cometidos contra a imprensa durante o episódio. O sinal da TV Câmara, que transmitia a sessão ao vivo, foi imediatamente cortado e profissionais de imprensa foram retirados à força do plenário, havendo relatos de agressões por parte dos policiais legislativos.
Após ser retirado da cadeira da presidência, Braga foi encaminhado para o Salão Verde, onde concedeu uma entrevista à imprensa ao lado de deputados governistas. Em suas declarações, o deputado criticou a ação dos policiais e destacou que a cadeira da presidência foi ocupada por parlamentares golpistas por 48 horas, enquanto ele ficou apenas algumas poucas horas e já foi retirado à força.
Não é a primeira vez que deputados e senadores de oposição realizam um protesto no plenário da Câmara e do Senado, ocupando as mesas diretoras das Casas e impedindo a retomada das atividades legislativas. Em agosto, o motivo foi a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entenda o caso
A ocupação de Braga começou como protesto após o presidente Hugo Motta anunciar que levaria ao plenário o pedido de cassação do deputado, juntamente com os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ). Os dois últimos foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), porém, os casos não possuem relação entre si.
Braga pode perder o mandato por ter agredido com um chute um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) no ano passado, após ser provocado. Ele ressalta que a votação da sua cassação com uma inelegibilidade de oito anos não é um fato isolado e está inserida em um pacote que inclui a votação de uma anistia, que não trata da dosimetria, mas sim da possibilidade de Jair Bolsonaro ter apenas dois anos de pena e de Eduardo Bolsonaro manter os seus direitos políticos, mesmo após o desligamento por faltas.
É importante ressaltar que a retomada das atividades na Câmara dos Deputados é um momento fundamental para o país, pois é onde são discutidos e votados projetos que podem impactar diretamente a vida do povo brasileiro. Ações como

