O Museu da Língua Portuguesa, localizado na cidade de São Paulo, inaugurou neste sábado (15) a emocionante exposição “Funk: um grito de ousadia e liberdade”. A mostra, que já passou pelo Museu de Arte do Rio, traz uma abordagem ampla e original sobre o movimento do funk, resgatando suas origens negras e periféricas. Com mais de 470 obras inéditas, entre colagens, telas, fotografias, vídeos e figurinos, a exposição destaca a influência do funk não apenas na música, mas também na moda, na linguagem e na cultura urbana.
A curadora Renata Prado, pesquisadora da cultura funk e das relações étnico-raciais, ressalta a importância de trazer o funk para dentro de um espaço tão importante como um museu. Para ela, é fundamental buscar o reconhecimento institucional da cultura negra e periférica, que ainda hoje é perseguida em nossa sociedade. Portanto, a presença do funk no Museu da Língua Portuguesa é um avanço político-cultural dentro das estruturas institucionais.
O funk surgiu no Rio de Janeiro em paralelo com o hip hop, outra expressão cultural que também nasceu como resposta à exclusão social. Em São Paulo, o movimento ganhou força e encontrou suas próprias características, mas ainda carrega consigo a essência de ser uma forma de resistência e de dar voz às comunidades periféricas. Entre as obras expostas no museu, destaca-se a escultura de um tênis feito de papelão, criada pelo artista “O Tal do Ale”. Na etiqueta, que imita as instruções de uso, está escrito: “Este tênis é um corpo ausente. Carrega o caminho que foi interrompido, o passo que não chegou em casa”. Essa obra é uma homenagem aos nove jovens que perderam suas vidas em 2019 durante uma ação policial em um baile funk em Paraisópolis, bairro da periferia de São Paulo. Além disso, a curadora Renata Prado enfatiza a importância de preservar a memória desses jovens dentro do museu.
Trazer uma exposição que homenageia e dá voz aos jovens que foram vítimas de violência do Estado é uma forma de garantir que suas memórias não sejam apagadas. É uma forma de reconhecer a importância desses jovens e suas contribuições artísticas para o movimento do funk. A curadora faz questão de humanizar esse processo, pois esses jovens negros e periféricos, muitas vezes rotulados como rebeldes, merecem ser tratados com dignidade e respeito.
A exposição “Funk: um grito de ousadia e liberdade” estará em cartaz no Museu da Língua Portuguesa até agosto do próximo ano, de terça a domingo. Aos sábados e domingos, a entrada é gratuita, assim como para crianças até sete anos. A mostra é uma oportunidade única de conhecer mais sobre a cultura do funk, suas origens e influências, além de refletir sobre a importância de valorizar e preservar a memória das comunidades periféricas e suas expressões artísticas.
O funk é muito mais do que um estilo musical, é um movimento cultural que vem ganhando cada vez mais espaço e visibilidade. A exposição no Museu da Língua Portuguesa é um passo importante para quebrar estereótipos e preconceitos em relação ao funk e às comunidades periféricas. É uma forma de mostrar que o funk é um grito de ousadia e liberdade, uma forma de resistência e de expressão para aqueles que vivem à margem da sociedade.
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