Após mais de três décadas longe de casa, dois fósseis de espécies encontradas no Brasil finalmente retornaram ao país e agora serão expostos no Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri, no Ceará. A repatriação oficial das peças foi realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília, na última quarta-feira (25).
Os fósseis em questão são originários da Bacia do Araripe, localizada na divisa entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Um deles é o fóssil de um crustáceo de água doce, que estava sob posse da Universidad Nacional del Nordeste, na Argentina, desde 1993. Após negociações entre as autoridades, a peça foi entregue à Embaixada do Brasil em Buenos Aires em dezembro do ano passado.
O outro fóssil, pertencente à espécie Vinctifer comptoni, foi apreendido pela polícia italiana em 2024 e posteriormente entregue à Embaixada do Brasil em Roma. A espécie, que viveu há 113 milhões de anos, chegava a atingir até 90 centímetros de comprimento.
Além desses dois fósseis, também foi repatriado em junho de 2023 o fóssil de Ubirajara jubatus, também originário da Bacia do Araripe. A peça foi devolvida pela Universidade de Zurique, na Suíça, em uma cerimônia realizada na Embaixada do Brasil em Berna.
A embaixadora Maria Luisa Escorel celebrou a doação voluntária de oito caixas com peso total de 150 kg, contendo exemplares de peixes e outros fósseis. “Acabamos de participar da cerimônia de restituição de 45 fósseis da região do Cariri. Estamos muito felizes com essa cooperação com a Suíça. Sabemos que isso é apenas o início”, afirmou.
Todos os três lotes de fósseis serão guardados no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE). O acervo do museu é utilizado para diversas pesquisas que ajudam a entender as condições de morte desses animais, a evolução das espécies e até mesmo a movimentação das placas tectônicas.
Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Inácio Arruda, a repatriação de fósseis para estudos e exposições é um debate central tanto para o conhecimento e patrimônio, quanto para a popularização da ciência. O Brasil possui uma das mais ricas diversidades de fósseis do mundo, especialmente na Chapada do Araripe.
O Ministério Público Federal já formulou 34 pedidos de cooperação internacional para repatriar fósseis cearenses, principalmente dos Estados Unidos e Alemanha. Desde 2022, mais de mil fósseis de animais e plantas já retornaram para o Brasil, mas ainda existem solicitações pendentes para países como Reino Unido, Espanha, Holanda, Coreia do Sul, Austrália, França, Irlanda, Portugal, Japão e Uruguai, que possuem exemplares do patrimônio brasileiro.
A repatriação desses fósseis é de extrema importância para a preservação e valorização do patrimônio histórico e científico do Brasil. Além disso, a exposição dessas peças em museus e centros de pesquisa contribui para a divulgação da ciência e o despertar do interesse da população pela paleontologia.
É preciso valorizar e proteger esses tesouros que nos ajudam a entender a história do nosso planeta e a ev

