Há uma palavra que define muito bem o sentimento que temos ao ouvir sobre os alegados casos de tortura e violação na esquadra do Rato, em Lisboa: indignação. É inaceitável que em pleno século XXI, em um país que se considera desenvolvido e democrático, ainda existam práticas desumanas e violentas nas forças de segurança. Esses atos vão contra os valores mais básicos da sociedade e precisam ser combatidos com urgência.
Diante dessas denúncias, o inspetor-geral da Administração Interna, doutor Anabela Cabral Ferreira, defende que é necessário repensar o modelo de admissão e formação das forças de segurança. E não poderíamos concordar mais com essa afirmação. É preciso que haja uma mudança profunda e efetiva na estrutura dessas instituições para que casos como esses não se repitam.
Um dos principais pontos abordados pelo inspetor-geral é o processo de admissão dos agentes. É fundamental que haja uma seleção rigorosa e criteriosa, avaliando não apenas o conhecimento técnico, mas também a personalidade e o caráter dos candidatos. Além disso, é importante que exista uma formação contínua e constante, que inclua não apenas aspectos técnicos, mas também éticos e morais.
Outra questão levantada é a necessidade de uma mudança na cultura das forças de segurança. É preciso criar um ambiente de respeito e tolerância, onde atos de violência e abuso não sejam aceitos ou encobertos. Isso só será possível com uma gestão transparente e efetiva, que ouça e dê voz aos agentes que denunciarem qualquer tipo de abuso.
É importante lembrar que esses casos não são apenas uma mancha na imagem das forças de segurança, mas também afetam diretamente a confiança da população nessas instituições. E a confiança da população é um pilar fundamental para a atuação efetiva e eficaz das forças de segurança. Afinal, é para proteger e servir a população que essas instituições existem.
Além disso, é necessário que haja uma colaboração entre as diferentes forças de segurança e órgãos de controle, como o Ministério Público e a Ordem dos Advogados. É preciso que haja uma troca de informações e uma atuação conjunta para garantir que esses casos sejam investigados e punidos de forma rigorosa.
É hora de repensar também o papel da sociedade nesse processo. Devemos ser atores ativos na construção de uma cultura de respeito e igualdade. Não podemos fechar os olhos para violações de direitos humanos, sejam elas em qualquer contexto. Precisamos denunciar e exigir mudanças, não apenas nas forças de segurança, mas em toda a sociedade.
É importante lembrar que não se trata de uma questão isolada em uma única esquadra. Infelizmente, casos de violência e abuso de poder por parte de agentes de segurança acontecem em todo o país. Portanto, a mudança deve ser abrangente e envolver todas as instituições e todos os cidadãos.
Mas não podemos deixar que esses casos nos desanimem. É preciso acreditar que é possível construir uma sociedade mais justa e respeitosa. A declaração do inspetor-geral é um sinal de que a mudança está em curso e que é necessário continuar a lutar por uma sociedade livre de violência e abuso.
Em resumo, é urgente repensar o modelo de admissão e formação nas forças de segurança. É preciso uma seleção rigorosa e uma formação constante e ética. Além disso, é necessário mudar a cultura

