Jorge Amado e Zélia Gattai são dois nomes que marcaram a literatura brasileira e que, juntos, formaram um dos casais mais emblemáticos do cenário literário. E agora, eles recebem uma homenagem especial na Caixa Cultural São Paulo com a exposição “Amados – Zélia & Jorge”, que reúne um rico acervo sobre a história desses grandes escritores e compartilha com o público suas emoções, escrita e trajetórias.
Zélia, escritora, fotógrafa e memorialista, e Jorge, um dos maiores nomes da literatura modernista brasileira e militante político, tinham em comum o talento gigante para contar histórias. E é justamente essa habilidade que é retratada na exposição, por meio de fotografias, cartas, vídeos, ilustrações e depoimentos que revelam desde o primeiro encontro do casal em 1945, até os últimos anos na Bahia, rodeados por amigos ilustres como Dorival Caymmi, Mãe Menininha, Glauber Rocha, Vinicius de Moraes e Carybé, entre outros.
A filha do casal e uma das curadoras da mostra, Paloma Amado, conta como surgiu a ideia de homenagear seus pais. Segundo ela, a exposição é uma forma de demonstrar ao público a importância e a beleza de um casamento baseado em respeito, admiração e felicidade, como foi o de Zélia e Jorge durante 56 anos de convivência. A mostra apresenta diversas histórias que mostram a delicadeza, generosidade e veracidade dessa união que deu certo.
Ao percorrer a exposição, o público é levado a uma viagem emocionante pela trajetória do casal, como destaca Paloma Amado. São muitos momentos marcantes, desde o casamento dos pais, o nascimento dos filhos, netos e bisnetos, até vídeos que mostram amigos e parceiros especiais em momentos únicos. Porém, os momentos mais marcantes são aqueles que retratam a própria união do casal, que emocionam e encantam os visitantes.
Além do acervo, a exposição conta com instalações interativas e poéticas, como o “cofre-coração”, a “chuva de flores”, inspirada no pedido de casamento testemunhado por Pablo Neruda, e os “tubos sussurrantes”, que ecoam frases de amor dos romances de Jorge Amado. Paloma destaca a beleza e a sensibilidade dessas instalações, que permitem ao público se envolver ainda mais com a história do casal.
Outra instalação que chama atenção é a dos “sussurros”, que consiste em um jogo de canos que são colocados nos ouvidos do visitante. Em um dos lados, uma pessoa fala e do outro é possível ouvir trechos amorosos dos livros de Jorge e Zélia. Paloma conta que essa instalação já gerou momentos emocionantes, como um pedido de casamento em uma das exposições em Curitiba. E em São Paulo, durante a abertura da mostra, Paloma realizou visitas guiadas por três dias seguidos e uma pessoa compareceu em todos os dias, emocionada e encantada com a história do casal.
Além da exposição, a Caixa Cultural São Paulo também promove atividades paralelas, como o AMADO Clube, um grupo de leitura online que propõe uma imersão afetiva e literária nas obras de Jorge e Zélia. Os encontros serão mediados por Maria João Amado, neta dos escritores e coordenadora de comunicação da Casa do Rio Vermelho, última residência do casal que hoje é transformada em Memorial.
Jorge Amado faleceu em agosto de 2001 e Zélia em maio de 2008,

