A alimentação é um dos pilares fundamentais para a saúde e bem-estar de qualquer indivíduo. No entanto, nos últimos anos, temos observado uma mudança preocupante nos hábitos alimentares da população brasileira. O consumo de alimentos ultraprocessados tem aumentado de forma alarmante, ultrapassando a marca de 23% na dieta dos brasileiros. Esse fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas sim um problema global que afeta países de diferentes níveis de renda.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Lancet, alerta para o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados em 93 países, com exceção do Reino Unido. Os Estados Unidos lideram esse ranking, com mais de 60% da dieta composta por esses produtos. Esses dados são extremamente preocupantes e nos fazem refletir sobre o impacto que essa mudança alimentar pode ter na saúde da população.
O consumo de alimentos ultraprocessados é impulsionado por grandes corporações globais, que visam lucros extraordinários e utilizam estratégias de marketing e lobby político para bloquear políticas públicas de promoção da alimentação adequada e saudável. Esses produtos são altamente modificados por processos industriais, contendo aditivos químicos e ingredientes baratos, que os tornam altamente duráveis e palatáveis. O resultado é uma dieta rica em calorias, mas pobre em nutrientes essenciais para a saúde.
O relatório publicado na Lancet destaca que essa mudança na forma como nos alimentamos está reestruturando as dietas em todo o mundo. E isso não acontece por acaso. A globalização e a intensificação da produção de alimentos contribuíram para o aumento do consumo de ultraprocessados. Além disso, o padrão de consumo desses produtos é reproduzido dentro dos países, atingindo não apenas as classes mais altas, mas também as de baixa renda.
Essa mudança alimentar tem impactos diretos na saúde da população. Estudos mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados está associado a diversas doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, câncer colorretal e doenças cardiovasculares. Além disso, esses produtos são responsáveis por uma série de problemas de saúde, devido à presença de aditivos e substâncias químicas nocivas em sua composição.
Diante desse cenário, é fundamental que medidas sejam tomadas para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados. Os pesquisadores sugerem a sinalização dos aditivos presentes nas embalagens, assim como o excesso de gordura, sal e açúcar. Além disso, é necessário proibir a presença desses produtos em instituições públicas, como escolas e hospitais. O Brasil é citado como exemplo, devido ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que vem reduzindo a oferta de ultraprocessados e priorizando alimentos frescos e minimamente processados.
Outra medida importante é a restrição da publicidade desses produtos, especialmente aquelas direcionadas ao público infantil. É preciso também aumentar a disponibilidade de alimentos in natura, incentivando a população a consumir uma dieta baseada em alimentos integrais e preparados de forma saudável. Uma estratégia sugerida pelos pesquisadores é a sobretaxação de determinados ultraprocessados, para financiar alimentos frescos destinados a famílias de baixa renda.
É importante ressaltar que o aumento no consumo de alimentos ultraprocessados não é uma escolha individual, mas sim resultado da influência das grandes corporações globais. Essas empresas utilizam ingredientes baratos e métodos industriais para reduzir custos e impulsionar o consumo, sem se preocupar com os impactos na saúde da população. É necessário responsabil

