A posse de Ana Maria Gonçalves na Academia Brasileira de Letras, nesta sexta-feira (7), foi um marco histórico para a literatura brasileira. A autora, reconhecida por suas obras que abordam temas raciais e históricos, é a primeira escritora negra a ocupar uma cadeira na instituição, antes ocupada pelo gramático Evanildo Bechara.
Ana Maria Gonçalves é uma escritora multifacetada, também roteirista, dramaturga e professora. Mas é com o seu livro “Um Defeito de Cor” que ela ganhou notoriedade. Com 952 páginas, a obra narra a história de Kehinde, uma mulher africana que atravessa o Século 19 em busca de seu filho. Através de sua escrita, Ana Maria nos transporta para uma época marcada pela escravidão e pela luta pela liberdade.
Em seu discurso de posse, a nova imortal destacou a importância de sua presença na ABL para a renovação da instituição. Ela ressaltou que, como uma escritora negra que fala “pretoguês” e escreve a partir de noções de oralitura e escrevivência, sua missão é promover a diversidade e fazer avançar as questões que sempre criticou na ABL, como a falta de representatividade e a falta de divulgação da literatura brasileira.
A cerimônia de posse contou com o discurso de abertura da imortal Lilia Schwarcz, que destacou a atualidade da obra de Ana Maria em um contexto de violência contra as pessoas negras. A historiadora e antropóloga ressaltou que a história de Kehinde, que perdeu um filho e teve outro desaparecido, é simbólica das muitas mães brasileiras que lutam contra a violência e o racismo.
A escritora Conceição Evaristo também enfatizou a importância da luta racial, especialmente na literatura. Para ela, a literatura é o lugar onde é possível imaginar uma outra realidade e um outro destino para o Brasil. Já Eliana Alves Cruz, também escritora, falou sobre a relevância do momento e a esperança de que a posse de Ana Maria seja o início de uma renovação e aproximação da ABL com o povo.
O evento contou com a presença de diversos escritores e artistas, além de representantes da cultura negra brasileira. A posse de Ana Maria Gonçalves foi um momento mágico e esperado, mas também atrasado, como destacou Eliana Alves Cruz. Afinal, muitas pessoas esperaram por esse momento, por uma representação negra na Academia Brasileira de Letras.
A presença de Ana Maria Gonçalves na ABL é um marco importante para a literatura brasileira, mas também para a luta contra o racismo e pela diversidade. É um passo em direção à representatividade e à valorização da cultura negra em um espaço que, por muito tempo, foi dominado por uma elite branca e masculina.
A obra de Ana Maria Gonçalves é um reflexo da realidade brasileira, marcada pela desigualdade e pela violência contra as pessoas negras. Seus livros são um convite à reflexão e à conscientização sobre a nossa história e sobre a importância da luta contra o racismo e pela igualdade.
Com sua posse na ABL, Ana Maria Gonçalves se torna um símbolo de resistência e de renovação. Sua presença é um exemplo de que é possível ocupar espaços historicamente negados às pessoas negras e de que a literatura é uma ferramenta poderosa para promover mudanças e transformações sociais.
Que a posse de Ana Maria Gonçalves na Academia Brasileira de Letras seja apenas o início de uma trajetória de sucesso e de representativ

