Neste ano de 2020, a corrida presidencial nos Estados Unidos tem sido marcada por debates acirrados, discursos inflamados e promessas controversas. Porém, em meio a todo esse cenário político polarizado, uma mensagem rara e poderosa surgiu de uma fonte improvável: os bispos católicos americanos.
Em uma declaração que surpreendeu muitos, os bispos repudiaram a campanha de deportação de imigrantes promovida pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, eles mostraram quase unanimidade ao mencionar um nome que pode soar estranho para muitos: Leão XIV, o primeiro Papa americano.
Essa mensagem, divulgada no mês de outubro, foi assinada por mais de 50 bispos, representando dioceses de todo o país. Entre eles, destacam-se figuras importantes da Igreja Católica nos EUA, como o arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, e o cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston.
O texto traz uma forte crítica à política de imigração do governo Trump, que tem sido marcada por medidas duras e controversas, como a separação de famílias e a construção de um muro na fronteira com o México. Os bispos afirmam que a Igreja Católica sempre defendeu e acolheu os imigrantes, e que essa postura deve ser mantida por ser “uma questão de fé e de princípios fundamentais”.
O posicionamento dos bispos é ainda mais significativo se levarmos em consideração que a Igreja Católica tem uma grande influência na comunidade latina nos Estados Unidos. De acordo com o Centro de Pesquisa Pew, o catolicismo é a maior religião entre os hispânicos no país, representando 56% da população.
E é justamente a essa comunidade que a campanha anti-imigratória de Trump tem se direcionado com mais severidade. A retórica do presidente, que muitas vezes é vista como xenófoba, tem causado preocupação e medo entre os imigrantes, inclusive aqueles que residem legalmente nos EUA.
Diante desse cenário, a voz dos bispos católicos ganha ainda mais relevância. Eles enfatizam em sua declaração que a Igreja “sempre estará ao lado dos imigrantes e dos refugiados, independentemente de sua condição”. Além disso, eles recordam o exemplo de Leão XIV, o primeiro Papa dos Estados Unidos, que em sua encíclica “Rerum Novarum” defendeu os direitos dos trabalhadores imigrantes no país.
O texto ainda cita outros líderes católicos que se posicionaram a favor dos imigrantes, como o Papa Francisco, que tem sido um forte defensor da solidariedade e da acolhida a essas pessoas em todo o mundo. Os bispos também mencionam as palavras do saudoso cardeal avô de Nova York, John O’Connor, que sempre defendeu os direitos dos imigrantes e chegou a criar um programa para ajudá-los a se estabelecer nos EUA.
É evidente que a mensagem dos bispos católicos americanos vai muito além da política partidária. Ela é um chamado à solidariedade e ao respeito aos direitos humanos, tão necessários em tempos de divisão e intolerância. Além disso, ela demonstra a força e a relevância da Igreja Católica nos Estados Unidos, mostrando que ela está atenta às necessidades e preocupações do povo.
Que essa corajosa e inspiradora mensagem dos bispos seja ouvida e acolhida por todos, independentemente de suas crenças políticas. Que ela possa nos lembrar do verdadeiro papel da Igreja e de cada um de nós, que é o de acolher, amar e

