Nesta terça-feira (4), militantes de direitos humanos se reuniram na capital paulista para homenagear um dos maiores ícones da luta pela liberdade e justiça social no Brasil: Carlos Marighella. O político, escritor e guerrilheiro foi executado há 56 anos, em 1969, por agentes da ditadura militar, um ano após a decretação do AI-5, que suspendeu direitos civis e políticos no país.
O ato aconteceu na Alameda Casa Branca, 800, endereço onde ficava o imóvel onde Marighella foi assassinado. O filho único do guerrilheiro, Carlos Augusto Marighella, compareceu ao evento e em seu discurso expressou sua admiração por uma das esposas de seu pai, a também militante Clara Charf, líder importante entre as mulheres.
A convivência com Clara, que se iniciou quando tinha apenas 7 anos de idade, foi um presente para Carlinhos. Ele relembra com carinho e admiração as coisas incríveis que ela fazia e dizia. Para ele, Clara nunca hesitou diante do mundo que queria construir e da política que considerava necessária para alcançar esse objetivo.
Infelizmente, Clara Charf faleceu na segunda-feira (3), aos 100 anos de idade, de causas naturais. Mas seu legado continua vivo e inspirando a luta pela justiça social no Brasil.
Carlos Augusto Marighella também destacou a importância de manter viva a memória de seu pai, que foi assassinado covardemente naquela rua. Ele ressaltou que, apesar de ninguém se lembrar dos criminosos que o mataram, Carlos Marighella continua vivo e mobilizando a juventude, encantando a todos com sua coragem e determinação.
“Para fazer uma sociedade melhor, precisamos muito mais de Carlos Marighella e de pessoas como ele para inspirar nossa juventude. Eu já fiz muita coisa, abracei essa luta, perdi essa bandeira, fui preso, perseguido, como muitos que estão aqui. Mas agora isso está nas mãos de gente como vocês, com seu celular, sua caneta, sua inteligência, sua vontade”, afirmou Carlinhos.
Outro importante opositor do regime militar, Maurice Politi, do Núcleo de Preservação da Memória Política, também esteve presente no ato. Ele destacou que Carlos Marighella foi um dos maiores guerreiros do povo brasileiro, que lutou pela libertação do país e por um Brasil mais justo e igualitário.
Politi também lembrou que Marighella foi considerado o inimigo número um da ditadura e que seu assassinato foi um ato bárbaro e covarde. Ele ressaltou a importância de manter viva a memória de Marighella e de todos aqueles que lutaram contra a opressão e a violência durante o período da ditadura.
O Memorial da Resistência, entidade que preserva a memória de pessoas que contestaram as forças repressivas do regime militar, registra que Marighella foi preso e torturado diversas vezes ao longo de sua vida. Sua primeira detenção aconteceu em 1932, quando tinha apenas 24 anos de idade, por criticar o então interventor de Getúlio Vargas, Juracy Magalhães.
Em 1946, Marighella foi eleito deputado federal, mas teve seu mandato cassado por decisão do presidente Eurico Gaspar Dutra, que também ordenou a cassação de todos os filiados a partidos comunistas, como era o caso do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual Marighella pertencia.
Em 1952, ele passou a integrar a Comissão Executiva do Comitê Central do PCB e, no ano seguinte, foi enviado à China. Em 1964, foi

