O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) emitiu recentemente um alerta preocupante sobre a falta de renovação de docentes universitários e investigadores em Portugal. De acordo com o sindicato, esta tendência pode ter consequências negativas para o futuro do ensino superior no país.
O SNESup representa cerca de 80% dos docentes universitários e investigadores em Portugal, e tem vindo a acompanhar de perto a situação do emprego no setor. Segundo os dados mais recentes, cerca de 40% dos docentes universitários têm mais de 50 anos de idade, e mais de metade dos investigadores têm mais de 45 anos. Além disso, apenas cerca de 5% dos docentes têm menos de 35 anos, o que demonstra claramente uma falta de renovação geracional.
Esta situação é preocupante por várias razões. Em primeiro lugar, a falta de renovação pode levar a uma estagnação do ensino e da investigação, uma vez que os docentes mais jovens trazem novas ideias e perspetivas para o ambiente académico. Além disso, a falta de renovação pode também ter um impacto negativo na qualidade do ensino, uma vez que os docentes mais experientes podem sentir-se desmotivados e desatualizados em relação às novas metodologias e tecnologias educacionais.
Outro fator preocupante é a falta de oportunidades de emprego para os jovens investigadores. Com a maioria dos investigadores a ter mais de 45 anos, a entrada de novos investigadores no mercado de trabalho está a ser limitada. Isso pode levar a uma perda de talento e criatividade, bem como a um abrandamento do progresso científico no país.
O SNESup alerta também para o impacto económico desta situação. Com a falta de renovação, o número de docentes e investigadores aposentados aumentará significativamente nos próximos anos, o que pode levar a um aumento dos custos com pensões e a uma diminuição da produtividade do setor. Além disso, a falta de renovação também pode afetar a atração de investimento estrangeiro para o país, uma vez que as empresas procuram ambientes académicos dinâmicos e inovadores para se instalarem.
O sindicato pede, por isso, medidas concretas para promover a renovação dos quadros docentes e investigadores. Entre as propostas apresentadas estão a criação de programas de incentivo à contratação de jovens docentes e investigadores, o aumento do número de bolsas de investigação e a criação de mais oportunidades de emprego em instituições de ensino superior.
É importante salientar que a renovação dos quadros docentes e investigadores não significa a substituição dos mais experientes, mas sim a integração de novos talentos que possam trazer novas ideias e perspetivas para o ambiente académico. Além disso, a renovação é fundamental para garantir a continuidade do ensino e da investigação de qualidade em Portugal.
O SNESup apela, assim, às instituições de ensino superior e ao governo para que tomem medidas urgentes para promover a renovação dos quadros docentes e investigadores. É fundamental que sejam criadas condições atrativas para os jovens docentes e investigadores, de forma a garantir o futuro do ensino superior em Portugal.
Em suma, a falta de renovação dos docentes universitários e investigadores é uma questão séria e que deve ser enfrentada com urgência. O SNESup alerta para as consequências negativas que esta situação pode ter para o ensino superior no país, e apela a uma ação imediata para promover a renovação dos quadros e garantir a continuidade da qualidade do ensino e da investigação em Portugal.

