No dia 21 de outubro, foi aprovada no Parlamento a proibição da sátira religiosa e do uso de símbolos religiosos em meios de comunicação e redes sociais em Portugal. Essa medida gerou diversas reações, incluindo a do padre Peter Stilwell, diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e do Diálogo Inter-religioso do Patriarcado de Lisboa.
Para Stilwell, a proibição aprovada no Parlamento não tem nenhuma aplicação prática em Portugal. Em entrevista ao jornal Diário de Notícias, o padre afirmou que “não faz sentido proibir a sátira e o uso de símbolos religiosos em um país que tem uma longa tradição de liberdade de expressão e respeito pelas diferentes crenças”.
Segundo Stilwell, a liberdade de expressão é um direito fundamental que deve ser preservado em qualquer sociedade democrática. “A censura ou proibição de qualquer tipo de manifestação artística ou intelectual, incluindo a sátira e o uso de símbolos religiosos, é uma forma de limitar essa liberdade e não deve ser aceita”, afirmou.
Além disso, o padre destacou que a maioria das religiões, incluindo a Igreja Católica, já aprendeu a lidar com a sátira e o humor em relação às suas crenças. “A fé é algo pessoal e cada um tem o direito de expressá-la da maneira que achar melhor. Porém, é importante lembrar que o humor e a sátira fazem parte da cultura e que uma boa dose de bom senso é necessária para compreender e respeitar as diferenças”, declarou.
Stilwell também ressaltou que a proibição da sátira religiosa e do uso de símbolos pode gerar um conflito entre a liberdade de expressão e a liberdade religiosa. “As religiões não estão acima da crítica e devem ser capazes de lidar com isso sem a necessidade de censurar ou proibir qualquer tipo de manifestação artística ou intelectual. Acreditamos que o diálogo é a melhor forma de promover o respeito e a tolerância entre as diferentes crenças”, explicou.
O padre ainda enfatizou que é importante distinguir a crítica e a ofensa. “A crítica construtiva é algo saudável e deve ser aceita. Já a ofensa gratuita e o desrespeito pelas crenças alheias é uma atitude que vai contra os valores cristãos e deve ser combatida”, afirmou.
A proibição aprovada no Parlamento também gerou críticas por parte de outras religiões, como o judaísmo e o islamismo. O rabino Moshe Reichel, da comunidade judaica de Lisboa, afirmou que essa medida vai contra a tradição de liberdade de expressão e religiosa do país. Já o xeique David Munir, líder muçulmano em Portugal, disse que a proibição é uma forma de limitar a liberdade de expressão e o respeito às diferentes crenças.
Em resumo, a proibição da sátira religiosa e do uso de símbolos, aprovada no Parlamento português, gerou diversas reações, incluindo a do padre Peter Stilwell, que a considera sem nenhuma aplicação prática no país. Para o diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e do Diálogo Inter-religioso do Patriarcado de Lisboa, a liberdade de expressão é um direito fundamental que deve ser respeitado e promovido em uma sociedade democrática como Portugal. Além disso, enfatiza que a sátira e o humor fazem parte da cultura e que é importante
