A criação dos filhos é uma tarefa desafiadora e muitas vezes os pais se veem em dúvida sobre qual é a melhor forma de educar e cuidar de seus filhos. Com a crescente preocupação em oferecer o melhor para as crianças, é comum que os pais acabem caindo no excesso de cuidado, o que pode ter efeitos negativos na formação dos pequenos. Para entender melhor essa questão, a coluna GENTE conversou com a psicóloga Maria Fernanda, que explicou os possíveis efeitos do excesso de cuidado na criação das crianças.
Segundo Maria Fernanda, o excesso de cuidado pode ser definido como uma atitude superprotetora dos pais em relação aos filhos, que acaba limitando a autonomia e o desenvolvimento saudável das crianças. “É natural que os pais queiram proteger seus filhos e garantir que eles estejam sempre seguros e felizes. No entanto, quando esse cuidado se torna excessivo, pode acabar prejudicando o desenvolvimento emocional e social das crianças”, explica a psicóloga.
Um dos efeitos mais comuns do excesso de cuidado é a falta de autonomia das crianças. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, desde tarefas simples como arrumar a cama até decisões importantes, as crianças não têm a oportunidade de aprender a se virar sozinhas e tomar decisões por si mesmas. Isso pode gerar insegurança e dependência emocional, o que pode ser prejudicial no futuro, quando as crianças precisarem enfrentar desafios e tomar decisões importantes sem a ajuda dos pais.
Além disso, o excesso de cuidado também pode gerar ansiedade nas crianças. Quando os pais estão sempre preocupados e superprotetores, as crianças podem absorver essa ansiedade e se tornarem mais inseguras e medrosas. “É importante que os pais ensinem seus filhos a lidar com as emoções e a enfrentar os desafios da vida de forma saudável. Quando o excesso de cuidado impede que as crianças vivenciem situações desafiadoras, elas podem ter dificuldades em lidar com as frustrações e se tornarem mais ansiosas”, ressalta Maria Fernanda.
Outro efeito do excesso de cuidado é a falta de habilidades sociais. Quando os pais superprotegem seus filhos, eles podem acabar limitando o convívio social das crianças e impedindo que elas desenvolvam habilidades como empatia, resiliência e respeito às diferenças. “As crianças precisam de interações sociais para se desenvolverem emocionalmente e aprenderem a se relacionar com o mundo ao seu redor. Quando os pais impedem essas interações, as crianças podem ter dificuldades em se relacionar com outras pessoas e enfrentar situações sociais”, explica a psicóloga.
É importante ressaltar que o excesso de cuidado não é sinônimo de amor e proteção. Pelo contrário, quando os pais superprotegem seus filhos, eles podem estar prejudicando o desenvolvimento saudável das crianças e criando adultos inseguros e dependentes. “Os pais devem encontrar um equilíbrio entre o cuidado e a autonomia, permitindo que seus filhos experimentem o mundo e aprendam com suas próprias experiências. Isso não significa que os pais devem se afastar ou deixar de proteger seus filhos, mas sim que devem ensiná-los a serem independentes e confiantes”, ressalta Maria Fernanda.
Para evitar o excesso de cuidado na criação dos filhos, a psicóloga sugere que os pais busquem orientação e apoio de profissionais, como psicólogos e pediatras, que podem ajudar a encontrar um equilíbrio saudável na educação dos filhos

