Um estudo realizado pela Universidade de Coimbra, em Portugal, revelou a presença de metais tóxicos em algas marinhas comuns. O arsénio e o iodo foram identificados em níveis preocupantes, levantando alertas sobre os potenciais riscos à saúde humana, especialmente para aqueles que consomem regularmente certos tipos de macroalgas.
As algas marinhas são uma parte essencial da biodiversidade do oceano e têm sido utilizadas como alimento em muitas culturas há milhares de anos. No entanto, com o aumento da poluição dos mares e oceanos, as algas estão cada vez mais expostas a substâncias nocivas, como metais pesados, que podem ser prejudiciais para quem as consome.
O estudo, liderado pelo professor do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, Rui Rocha, analisou amostras de seis diferentes tipos de macroalgas, incluindo as populares nori, kombu e wakame. Foram encontrados diversos elementos químicos, mas o arsénio e o iodo foram os que mais chamaram a atenção dos pesquisadores.
O arsénio é um metal tóxico que pode causar sérios danos à saúde humana, incluindo câncer, problemas cardíacos e comprometimento do desenvolvimento infantil. No entanto, a sua concentração nas algas estudadas foi considerada abaixo dos níveis máximos permitidos para consumo estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde. Ainda assim, a presença do arsénio em qualquer quantidade em alimentos é motivo de preocupação e deve ser monitorada.
Já o iodo, embora seja um nutriente essencial para o bom funcionamento da glândula tireoide, também pode ser prejudicial em excesso. O consumo elevado de iodo pode causar disfunções na tireoide e até mesmo hipotireoidismo. As algas, por serem ótimas fontes de iodo, podem se tornar um risco à saúde se consumidas em quantidades significativas.
Os pesquisadores alertam que o consumo frequente de algas, especialmente aquelas com níveis mais elevados de iodo, pode causar um desequilíbrio no organismo e levar a problemas de saúde. Portanto, é importante que as pessoas estejam cientes desses riscos e evitem o consumo excessivo de algas.
No entanto, isso não significa que as algas devam ser excluídas da dieta. Elas são uma excelente fonte de nutrientes, como proteínas, fibras, vitaminas e minerais, e devem fazer parte de uma alimentação saudável e equilibrada. O importante é consumi-las com moderação e variar os tipos de algas para evitar a exposição excessiva a determinados elementos químicos.
Além disso, é necessário que as autoridades governamentais e órgãos de saúde realizem um monitoramento constante da qualidade das algas e outros alimentos marinhos, a fim de evitar riscos à saúde da população. A conscientização e a educação sobre os potenciais perigos do consumo de algas também são essenciais para garantir escolhas alimentares mais saudáveis e seguras.
Em suma, o estudo da Universidade de Coimbra é um alerta para a importância de se ter cuidado com o consumo de algas marinhas. Embora sejam uma fonte valiosa de nutrientes, é preciso estar atento aos possíveis riscos à saúde associados às algas contaminadas por metais tóxicos. O equilíbrio e a moderação são fundamentais para uma alimentação saudável e, no caso das algas, essa regra não é diferente.

