As línguas são um dos elementos mais importantes da cultura de um povo. Elas carregam consigo a história, as tradições e a identidade de uma comunidade. No Brasil, um país marcado pela diversidade cultural, as línguas africanas, como o iorubá, quimbundo e jeje, têm um papel fundamental na formação da nossa sociedade e ainda ecoam na fala, na música e na memória de um país moldado pela diáspora africana.
A presença dessas línguas no Brasil remonta ao período da colonização, quando milhões de africanos foram trazidos à força para trabalhar como escravos nas plantações de cana-de-açúcar, nas minas de ouro e nas fazendas de café. Esses africanos trouxeram consigo suas línguas, suas crenças, suas tradições e sua cultura, que foram se misturando com as culturas indígena e europeia, formando a rica e diversa cultura brasileira.
Entre as línguas africanas mais presentes no Brasil, destacam-se o iorubá, o quimbundo e o jeje. O iorubá, também conhecido como nagô, é uma língua originária da região da Nigéria, Benin e Togo. Ela foi trazida ao Brasil pelos povos iorubás, que se estabeleceram principalmente na região da Bahia, onde fundaram o famoso terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá. O iorubá é uma língua tonal, ou seja, a entonação das palavras é fundamental para a sua compreensão, e possui uma rica tradição oral, com histórias, provérbios e cantigas que são transmitidos de geração em geração.
Já o quimbundo é uma língua originária da região de Angola e foi trazida ao Brasil pelos povos bantos, que se estabeleceram principalmente na região do Rio de Janeiro. O quimbundo também é uma língua tonal e possui uma forte influência na língua portuguesa falada no Brasil, com palavras como “cafuné”, “moleque” e “quitute” tendo origem nessa língua. Além disso, o quimbundo também é muito presente na música brasileira, com diversos artistas, como Gilberto Gil e Caetano Veloso, utilizando palavras e expressões dessa língua em suas composições.
Por fim, o jeje, também conhecido como fon ou ewe, é uma língua originária da região do Benin e foi trazida ao Brasil pelos povos jejes, que se estabeleceram principalmente na região do Maranhão. O jeje é uma língua tonal e possui uma forte influência na religião afro-brasileira do tambor de mina, que mescla elementos do candomblé e do catolicismo. Além disso, o jeje também é muito presente na culinária brasileira, com pratos típicos como o vatapá e o acarajé tendo origem nessa língua.
Apesar de terem sido proibidas durante o período da escravidão, as línguas africanas continuaram a ser faladas e preservadas nas comunidades negras, principalmente nos terreiros de candomblé, onde são utilizadas nas cerimônias religiosas e nas cantigas. Com o passar do tempo, essas línguas foram se misturando com o português e criando o que conhecemos hoje como língua afro-brasileira, que é uma forma de resistência e preservação da cultura africana no Brasil.
Além da fala, as línguas africanas também estão presentes na música brasileira, com diversos artistas incorporando elementos dessas línguas em

